domingo, 5 de outubro de 2008

A 'festa careta' da Democracia

Panfletos nas ruas, carros com sol alto tocando jingles repetitivos, paredes pintadas... Podemos dizer que todo o período pré-eleição parece uma festa badalada, onde todos estão convidados e as diferenças respeitadas.
Porém, ao chegar no Domingo, o dia tão esperado por todos que celebravam nas ruas com as propagandas de seus candidatos, a 'festa' ganhou um ar 'careta': panfletagem estava proibida, assim como todas as outras manifestações que pudessem induzir pessoas a mudarem seus votos (talvez este tenha sobrevivido, tamanha sujeira nas ruas da cidade, mas carros de som foram realmente suspensos, e as paredes coloridas imploravam por 2º turno para verem sua coloração sobreviver até novembro).
Não havia paixão na fisionomia da população: todos votavam burocraticamente, demorando menos de 1 minuto para finalizar a seção (com exceção dos idosos que, mesmo sem a necessidade de votar, mostravam interesse por 'participar da festa' e assim atrasavam os outros eleitores e fazendo as filas aumentarem). A 'festa da democracia' parecia muito mais uma festa careta de família a um show de participação popular com idéias divergentes prontas para entrar em conflito e assim enriquecer a sociedade com debates.
É justo que o TRE imponha normas afim de acalmar os ânimos num momento tão importante, e a intenção é promover os debates até a 6ª feira (o sábado é dedicado ao 'pensamento solitário e conclusões sem auxílios'). Todos precisam pensar sozinhos sobre o que buscam para o futuro de seus municípios, e a 'caretice' se faz necessária em alguns momentos apropriados para manter uma ordem. Amanhã uma nova desordem se re-estabelecerá: o 2º turno vem aí, prometendo novos debates agressivos.
Sem perder a linha, eleitores e candidatos (os dois que disputarão o 2º turno) terão um mês para com jogo de cintura, elaborar novas estratégias, inclusive fazer coisas que nunca fariam no 1º turno, como se aliar com antigos concorrentes, pois como a frase que ilustra bem o jogo que é a política, dita pelo presidente Lula: "eu não faço um inimigo que um dia não possa virar meu amigo".

Um comentário:

Paula Morais disse...

Sei lá, viu, às vezes penso de uma maneira em relação a política, outras vezes imagino outra coisa. A política deveria ser uma coisa sério, sim, afinal mexe com o futuro de todo e qualquer cidadão, no entanto as pessoas fogem dessa ação e faz de tal dia um circo, no qual mais tarde quem fica com o papel do 'palhaço' somos nós mesmos. Eu vi no domingo, papéis no chão, boca de urna, pessoas bebendo, fazendo a festa. Agora eu me pergunto, seria a festa da democracia ou do "não tô nem aí"? Agora vemos, Leo Kret eleita. Não quero subestimar ninguém, até porque nosso presidente se quer tem um diploma, no entanto colocar a cidade nas mãos de qualquer João e Maria da vida é complicado, a democracia é linda, somos livres para expressarmos nossas opiniões e reflexões, aliás o que seria do jornalista sem a democracia? Mas as vezes me pergunto se em um país com tamanha 'sujeira' e 'aberrações sociais' sabe o peso e o 'porquê' do sentindo da 'democracia'...não vou me expandir mais, o pouco do muito que penso sobre tal assunto.