sábado, 11 de outubro de 2008

4ª atividade de estudos culturais

Identitários contemporâneos

A realidade apresenta um cenário de diálogo entre as territorialidades globais e locais. Ou seja, o local e o global compõem o panorama político da contemporaneidade em uma relação de troca contínua e permanente. A construção da amplitude territorial está mediada por relações de poder complexas que envolvem, ao mesmo tempo, conflito e negociação entre diversos grupos.

Os temas que serão discutidos nesse espaço estão relacionados as "identidades emergentes": RAÇA e GÊNERO



Pergunta(raça): A partir das leituras e atividades anteriormente desenvolvidas podemos inferir que: "A identidade e a diferença estão, pois, em estreita conexão com relações de poder" (SILVA, 2000, p.81) . Tal afirmativa nos remete à lógica do etnocentrismo.
Considerando o relativismo cultural e a carga histórica da colonização brasileira, de que forma podemos afirmar que a substituição da acepção "raça" por "etnia", enfraqueceria a luta das minorias? Justifique sua resposta.


Resposta: O 1º passo para a solução de um problema, especialmente de longas datas (como o racismo no Brasil) é reconhecer que de fato existe um problema. Conhecê-lo a fundo e colocá-lo numa balança (como fazem os relativistas, afim de conhecer os mecanismos sociais que fizeram este se desenvolver) fará com que se busque soluções, e identificar o que se quer corrigir com um nome ajuda a rotular, facilitando suas ações que terão um destino para agir. Se a palavra ‘raça’ deixar de significar a característica biológica dos seres humanos, automaticamente o termo ‘racismo’ desaparecerá, e como a sociedade como um todo já conhece bem esse termo, a luta por igualdade racial perderá força. No caso da palavra raça ser substituída por etnia, o termo que fará referência ao preconceito envolvendo características biológicas será ‘etnicismo’, e demorará muito até a sociedade como um todo se acostumar com essa referência e assim usá-la contra a opressão de pessoas de raças subjugadas (por mais que alguns teóricos argumentem que raça não se deve usar para diferenciar seres humanos, o termo já está muito forte na mente de todos, logo, não se deve alterá-lo)

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Pergunta(gênero): À luz da discussão realizada na aula 4 da Unidade 3, e da leitura do conto "A Moça Tecelã" de Marina Colasanti disponível no site http://www.releituras.com/i_ana_mcolasanti.asp, explique a epígrafe da referida aula:

“Você não nasce mulher, torna-se.”
Simone de Beauvoir


Resposta: O simbolismo que a sociedade cria e espera de uma mulher é extremamente repressor com quem não cumpre suas expectativas. Comportamentos, que antes se imaginavam ser ‘naturais e genéticos’, passaram a ser estudados por cientistas sociais, que elaboraram teses que afirmam que tais condutas não passam de criações sociais, ou seja, são artificiais e servem como instrumento de dominação, acima de tudo porque é mais fácil controlar grupos menos diferenciados, e é por isso que as pessoas e grupos que Detem os mais diversos tipos de poder (nesse caso, os homens) investem seus esforços na construção de grupos que pensam e agem de forma padronizada (a tentativa bem sucedida da sociedade, através de órgãos como a mídia, de construir papéis sociais para grupos, como as mulheres).
Desse modo, a mulher se constrói com o decorrer do tempo, e a mudança que a fará ser adequada para a sociedade é artificial, como quis afirmar a autora Simone de Beauvoir na frase “Você não nasce mulher, torna-se.” Do mesmo modo, no texto de Marina Colasanti, os homens, como grupo dominante no que se diz respeito a gênero e que por todos esses anos através da repressão marcam seu espaço, usaram e usam as mulheres para conseguir suas metas, sejam deixando-as trabalhar em casa sem perspectiva de crescimento profissional ou seja usando de suas habilidades para se conseguir o que se quer (sem se preocupar com os danos causados, assim como no texto “A moça tecelã”).

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