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domingo, 12 de dezembro de 2010

2010

O último ano de uma década de tantas quebras de paradigmas resgatou o que há de pior na caretice política. A febre das "redes sociais" ainda não conseguiu democratizar a comunicação no país. Pelo menos nos bastidores da política, onde os aspirantes ao poder deram um péssimo exemplo nessas eleições. Serra e Dilma negaram o que disseram, comprovadamente, há tão pouco tempo, para vencer a corrida presidencial. O resultado de tamanha falta de transparência foi a eleição de Dilma Rousseff, com 55.752.483 votos no 2º turno sobre o "critão Serra".

Alguns atletas e comandantes de triunfos recentes decepcionaram, como o técnico Andrade, campeão pelo Flamengo em 2009 e rebaixado para a terceira divisão com o Brasiliense nesse ano. O inverso também aconteceu: Muricy Ramalho, que frustrou a torcida do Palmeiras ano passado - sem se quer conseguir vaga para a Libertadores - deu a volta por cima em 2010, ajudando o Fluminense a levantar a taça de campeão brasileiro.

O Rio de Janeiro, tão marcado pela violência nos morros dominados pelo tráfico de drogas, ganhou ares de esperança. Pouco depois de ser ilustrado nas telas de cinema com "Tropa de Elite 2", a polícia carioca, ao lado das forças armadas, vem executando uma complexa operação que visa ocupar as favelas e livrá-las do “poder paralelo”. Diferente do que se vê no longa-metragem de Padilha, a expectativa da população é de que a paz volte a reinar na cidade maravilhosa, e o medo da "troca de poderes nos morros" dá lugar ao elogiado trabalho dos executores da empreitada.

Enquanto o ET Bilu diverte mais do que assusta, a NASA marcou uma coletiva de imprensa para lá de sinistra no final de novembro. O assunto: possibilidade de haver vida inteligente fora da Terra. Quem esperava tomar conhecimento sobre uma "mensagem extra-terrestre" se decepcionou, mas estudos revelam que a vida poderá existir em ambientes que julgávamos inóspitos.

O circo da Fórmula 1 tinha que estar em pauta, como em toda retrospectiva anual. A volta de Michael Schumacher foi ofuscada pelos seus próprios resultados ruins. A vitória de Sebastian Vettel não pôde ser celebrada com champagne - a corrida que decidiu a prova foi em Abu Dhabi, aonde é proibido o consumo de bebida alcoolica em locais públicos. Embora o "suco árabe" não tenha feito o mesmo efeito que um tradicional espumante, o sabor da conquista do alemão de 23 anos foi mais doce que qualquer bebida. Isso porque Vettel venceu sem trapacear, num esporte marcado por "maracutaias" - na pior desse ano, Massa deu passagem para Alonso, favorecendo o companheiro da Ferrari que estava à frente na tabela.

Mais uma celebridade saiu do armário. Ricky Martin, ex-menudo, assumiu a homossexualidade no primeiro semestre, repercutindo em diversos jornais pelo mundo. Se descobriu até que o cantor porto-riquenho teve um caso com um brasileiro, há mais de dez anos atrás. Difícil dizer se foi a "fofoca do ano", quando 2010 guarda tantos outros fatos repercutidos pela mesma "imprensa" sedenta de informações relevantes no "mundo artístico".

É fato que, para o fã de futebol, o caso entre John Terry (zagueiro do Chelsea e Seleção Inglesa) e a modelo francesa Vanessa Perroncel (esposa de seu ex-companheiro de time, Wayne Bridge) foi o mais quente da história do esporte nos últimos anos - ou quem sabe de todos os tempos. Jogando atualmente pelo Manchester City, o marido traído, Wayne Bridge, deixou de ir a Copa porque não queria ver a cara de seu "ex-amigo". Na primeira vez em que eles se encontraram, na partida entre suas equipes, Bridge não cumprimentou Terry, deixando-o no vácuo em uma cena para lá de constrangedora.

Não estamos apenas no final de um ano: também é final da primeira década do Século XXl. Os anos 2000 quebraram paradigmas, surpreenderam e nos deixaram ansiosos, afinal, se tanta coisa aconteceu em dez anos, o que poderemos esperar dos próximos dez? Ataque terrorista e eleição de um presidente negro nos Estados Unidos, um filme genuinamente indiando ganhando dez estatuetas do Oscar, a esquerda tomando o poder na América Latina (com Hugo Chávez na Venezuela, Lula e Dilma no Brasil, os Kirschiner na Argentina, Michelle Bachelet no Chile, Tabaré Vázquez no Uruguai e Evo Morales na Bolívia) e etc. Que venha 2011, que venham os anos 2010!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Convites surpreendentes

Bom, eu discordo que 'Agosto seja o mês do desgosto', e tenho motivos: tenho dado muita sorte e fui a dois dos grandes eventos que aconteceram em minha cidade, e de graça!

Para começar, no dia 8 fui ao treino da Stock Car: há menos de uma hora de chegar no CAB (onde foi realizada a prova) eu não tinha a mínima noção de que ganharia um convite! Não fui na corrida no Domingo, mas ter ido ao treino matou minha vontade.

Ontem a noite eu também não imaginava que iria ao Cirque de Soleil. Até comentei no blog de Sílvio sobre o assunto: "Eu ainda penso em ir se tiver ingressos, mas de qualquer forma, não encontrar ingressos tem um aspecto positivo: é sinal que estão esgotados, e com um público presente, existem mais possibilidades de o Cirque Du Soleil voltar a Salvador. Até porque pessoas de estados próximos vem a Salvador ver esse grande espetáculo, bem descrito por esse texto." Eu estava com muita vontade de ir a esses dois eventos, e fui de graça! Bom, não sei até quando vai durar essa 'maré de sorte'.

Mais do que vi um espetáculo lindo: fiquei no setor com mais mordomias! Chamado de 'Tapis Rouge' (Tapete Vermelho, em francês) lá se tinha direito a tudo: comida, bebida, sofá, joguinhos virtuais temáticos, e de quebra brindes: o roteiro do espetáculo 'Quidam' (que nas lojas custa 15 reais) e um CD de músicas do espetáculo. Juntei essas coisas e fotografei, foram minhas recordações do espetáculo, mas vale lembrar: as melhores recordações estão na memória! Não levei máquina fotográfica para ambos os eventos, tirei fotos do celular, e muitas delas não saíram bem, ficaram escuras, mas também penso que fiquei mais confortável sem me preocupar com uma máquina na mão. Pelo menos, algumas fotos ficaram como registro. Próximo evento grande? Quero ir ao jogo do Brasil, em Pituaçu, no começo de Setembro. Assim que começar a vender garantirei meu ingresso. Comentarei mais sobre o Cirque Du Soleil depois.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Que carpaccio!


"Estou dando corpo a minha reportagem, mas muitas coisas atrasam meu processo, como contatos que não atendem", confirmou o repórter Lucas Franco em sua página na rede social Twitter. A pauta para a 'reportagem do ano' tem previsão para sair ainda hoje.

É assim que as pessoas importantes são noticiadas: "Fulano lançou sua página na popular rede social Twitter", "Sicrano disse no Twitter que não vai mais esperar pela reforma", "Beltrano expõe indignação pelo Twitter". Acho o Twitter uma ferramenta sensacional para quem é 'celebridade': é a chance de deixar claro sua versão de cada fato, em um formato que não dá 'preguiça de escrever' como o blog, podendo até serem textos pequenos, afinal, tudo no Twitter parece ser pequeno: o seu servidor só cabe a foto inicial, nada de comunidades ou 'perfis bíblicos', e sim 'seguidores', nos quais você acompanha os seus passos pela sua própria página (não precisa ficar olhando página por página o que as pessoas de seu interesse estão escrevendo), e só escreve recado para você quem você autorizar (logo, as celebridades não serão molestadas covardemente) além do que, para olhar suas páginas não precisa ter conta no Twitter: está aberto a todos, embora ter Twitter traz a vantagem de poder seguir pessoas que você busca acompanhar passo a passo. Eu não sou um 'nome importante para a sociedade', mas o Twitter é mais uma das minhas ferramentas de trabalho e conexão com o mundo.

Bom, mas não era sobre o Twitter que eu queria escrever aqui nesse fatigante diário (fique tranqüilo blog, eu não te abandonarei, não fique com ciúmes, hehe, estamos juntos há mais de dois anos), e sim um desabafo quanto ao desgastante trabalho de coletor de informações (não necessariamente de jornalista, coletar informações é um exercício em que não se precisa de diploma -aliás, exercer jornalismo também não precisa-, pode ser feito por um juiz que busca nos seus livros que sentenças aplicar, ou um detetive que vai juntando indícios para descobrir quem cometeu o crime).

Minha reportagem é sobre o crescimento urbano de Salvador, mas para falar a verdade, seu 'centro está desconcentrado': eu sei o que quero, mas não consigo me organizar, quero fazer algo revelador, que ensine algo para as pessoas que ouvirem minha reportagem (será em áudio), e que me ensine também, por isso não escolhi nada relacionado a futebol, porque quero aprender com o que pesquisarei, mas vários obstáculos estão resistindo até na criação da pauta: para começar, eu tenho que saber mais sobre o assunto, só que mais interessante que ler jornais é conversar com as pessoas sobre, e essa reflexão me fez crescer. Várias coisas tem me feito refletir, como o que disse o diretor de Redação do jornal Zero Hora (de Porto Alegre): "Na hora em que o jornal conseguir dar mais peso para a mudança de mão de uma rua do que dá para uma sonolenta reforma ministerial, mais se tornará imprescindível na vida do leitor". Logo, é importante "observar como é o dia das pessoas, o que comem, quais são as preocupações em relação a carboidratos, proteínas, se engorda ou não, quanto paga pelo almoço, se as condições de higiene do restaurante são satisfatórias ou não, quanto dá de gorjeta para o manobrista etc. Como é o final do dia? Como é a conversa com o filho? Quais são as preocupações dos pais (com mensalidade escolar, assalto, cenas de sexo na televisão etc.)? Tudo que faz parte da vida da chamada 'família brasileira' deve estar retratado na pauta".

Eu estava projetado uma pauta muito fora de realidade, e sinceramente, os jornais impressos não conseguem transmitir com tanta fidelidade a realidade das pessoas, logo, mais importante do que le jornais ou procurar livros que falem sobre o crescimento urbano de Salvador é conversar com pessoas que moram aqui, como eu, a respeito. Vi num livro uma instrução: "Evite pautas do tipo: 'o governo vai anunciar'. Em vez disso, procure ficar atento para o que está realmente acontecendo. Em lugar de entrevistar o secretário de Segurança Pública, prefira ver como a polícia está trabalhando. Em vez de só ouvir o que o prefeito promete fazer para solucionar o problema das enchentes, dirija-se para os locais que alagam, fale com os moradores, veja o que de fato foi feito. Cobrir o que as autoridades prometem é reflexo da falta de um jornalismo mais atento"

Esses têm sido meus melhores ensinamentos em rádio: o rádio é um grande companheiro, fiel a nossa realidade (diferente do impresso), nos acompanha no carro, no auto-falante de uma barraca de praia, levamos ele para aonde quiser (no caso dos portáteis), e por isso, mais do que focar em referências para se falar: vou conversar mais e mais com as pessoas perto de mim sobre o assunto!

Vou ser criativo para driblar algumas dificuldades, e espero colocar aqui minha reportagem em áudio, lembrando que não existem apenas modelos prontos para ganharem corpo: podemos criar novos modelos, novas formas de se fazer um texto, que vai variando de reportagem para reportagem, por isso, farei um misto interessante de 'frios' números estatísticos com o 'calor' das declarações de quem conhece a realidade, quem a vive, quem a sente. Espero ser um bom jornalista, e acima de tudo, um bom coletor de informação, pois para mim não há 'fim de expediente': enquanto meus ouvidos puderem ouvir, estarei apurando coisas, que podem potencialmente gerar matérias, e estarei atento até para as mais banais conversas, pois jornalismo faz parte disso aqui, do mundo real, do mundo em que sentimos sensações e emoções, e não 'apenas' dos bastidores do poder.


Fonte: Rádio: 24 horas de jornalismo, de Marcelo Parada -1961.
*Partes em Itálico foram trechos do livro.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Eu estou no Twitter!


Para ampliar o meu 'alcance midiático', eu estou me jogando em novas mídias, assim me cadastrei no Last Fm, Flickr, Picasa e agora, no Twitter, a nova febre do momento. Ainda estou me familiarizando com a coisa, mas ja sei a sua principal função: divulgar para o mundo o que você tem feito, para que as pessoas que tenham interesse fiquem sabendo. Quem quiser ver meu perfil, aqui está o link: http://twitter.com/lucasfranco88

sábado, 30 de maio de 2009

O dia em que Salvador pode entrar para o mapa-mundi do futebol

Indague a um 'estrangeiro comum' o que ele sabe sobre o Brasil, e certamente o futebol estará entre uma dos assuntos no qual ele tem conhecimento (depois vem o carnaval, o personagem Blanka do Street Fighter, as top models...). A maneira mais eficiente que uma cidade brasileira tem de se expor ao exterior é justamente se usando da sua ferramenta mais conhecida: o futebol. Afinal, quem se lembra lá fora que Janis Joplin passou um tempo na aldeia Hippie de Arembepe? (Isso é marcante para nós, mas foi apenas um dos lugares 'exóticos' que essa cantora passou)

E para que se expor internacionalmente, se isso não for transformado em crescimento sócio-econômico? Bom, de certa forma não é nada mal para o ego saber que sua cidade é reconhecida lá fora, e no caso do Brasil, 6 cidades atualmente estão imortalizadas em todo mundo na mente dos fãs de futebol como eu: Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, as cidades sedes na copa de 1950. Está certo que nem todo mundo fica recordando o nome das cidades, pois nem todos sofrem desse 'vício futebolês', mas ao comprar o álbum de figurinhas da competição, estará lá, para os arquivos de gerações, a foto dos estádios sede, graças a isso eu sei que Sapporo no Japão tem um estádio todo coberto em que seu gramado é transportado para fora do estádio para tomar sol, ou que Leipzig foi uma cidade muito importante na Alemanha oriental.

Algo fica na memória de cada cidade que foi sede, eu tenho recordação de todas as 7 cidades em que o Brasil jogou na Ásia em 2002 (Ulsan, Seogwipo e Suwon na Coréia do Sul e Kobe, Shizuoka, Saitama e Yokohama no Japão). E não são apenas dados de que o Brasil jogou nela: nas prévias dos jogos, reportagens eram feitas para mostrar a história desses lugares, e assim sei, por exemplo, que Kobe passou por um terremoto na década de 90 e que Saitama era o lugar onde John Lennon e Yoko passavam férias.

Salvador está prestes a se juntar as ja outras 123 cidades que já sediaram jogo de copa do mundo e mais as 9 cidades da África do sul que irão sediar os jogos do torneio que antecederá ao realizado aqui no Brasil. Amanhã 12 cidades vibrarão de felicidade, e Salvador provavelmente será uma delas (inclusive, no jogo de amanhã entre Vitória e Grêmio, no Barradão, haverá festa com Ivete Sangalo em comemoração ao feito). O Brasil virá no 2ª semestre jogar em Pituaçu contra o Chile pelas eliminatórias, mas o estádio que será usado para a copa será a Fonte Nova, que será reformada.

Na história das copas, que vão 'pondo alfinetes de marcação' no mapa mundi dos fãs de futebol, algumas cidades se destacaram mais que outras: há quem tenha sediado mais de uma copa (mais que isso: Roma e Cidade do México já sediaram 2 finais, sendo a mexicana no mesmo estádio), há quem tenha mais que um estádio (na Espanha mais de uma cidade contaram com 2 estádios, e em 1930 todos os estádios da competição, que foram 3, ficavam em Montivideo, e Munique, que realizou a final de 1974, em 2006 construiu um estádio super moderno, apesar de a final dessa vez ter ficado na capital), e há cidades não capitais que já sediaram finais, como Munique em 1974 (na época a capital da Alemanha ocidental era Bonn), Los Angeles em 1994, Saint-Denis em 1998 e Yokohama em 2002 (na copa realizada na Coréia do Sul e Japão, Tóquio se quer foi relacionada como uma das cidades sedes, embora por muito tempo teve tradição de no seu estádio olímpico realizar as finais de mundial de clubes).

O Rio de Janeiro deve sediar a final em 2014, agora não mais como capital do país. Não se sabe como Salvador pode se destacar em relação a outras, mas eu tenho sugestões (quem sabe um jogo como Argentina e Inglaterra vir parar aqui, e essa partida passa a ser rotulada de 'A batalha de Salvador'? Assim foram rotuladas de batalha de Berna em 1954 e batalha de Nuremberg em 2006 partidas de muitas expulsões).

A 'Roma Negra' merece sediar o torneio: somos a primeira capital do país do futebol, e quando em 1763 deixamos de ser capital, perdemos muito do prestígio, que poderia resultar num desenvolvimento maior do esporte por aqui. Já sediamos o grupo do Brasil na copa América de 1989 (nessa edição, quebramos o jejum de 40 anos sem conquistar esse torneio) mas não temos boas recordações: Sebastião Lazaroni deixou de convocar Charles, o jogador do momento e integrante da equipe campeã brasileira, o Bahia, e como forma de protesto o público baiano deixou de ir a Fonte Nova, inclusive queimando e rasgando ingresso em frente as cameras de tv e, os que foram só estádio, vaiaram. Nesse momento, Bebeto até chegou a dizer que 'tinha vergonha daquilo' (por ser baiano), mas o fato é que depois dessa ocasião, poucas vezes tivemos partidas aqui (apenas 2 vezes: um amistoso contra o Equador em 1997 e contra a Holanda em 1999). O pior não é só isso: parece que nenhuma modalidade de futebol quer vir para aqui: a seleção de Beach Soccer não vem para cá desde 99 também, e a de Futsal, há mais tempo ainda (se quer eu tenho registros).

Vamos Salvador, vamos ser uma das sedes e ficar guardados na memória, se Deus quiser, pela boa organização (tenho desconfianças, mas além de torcer, vou fazer o que tiver ao meu alcance para mostrar para ó Brasil o porque de se orgulhar da minha cidade).

Abaixo, o projeto da Fonte Nova para a copa 2014:

domingo, 8 de março de 2009

Dia internacional da mulher

O marco simbólico do dia 8 de março representar o dia internacional das mulheres foi a luta de empregadas que, ao protestarem por melhores condições de trabalho, acabaram sendo insendiadas. Esse episódio, acontecido em Nova Iorque, ganhou maior repercussão depois e isto serviu para cravar a data no calendário com esse mérito. Muitas conquistas ainda virão, prova disso são as inúmeras conquistas nos últimos tempos:

-O Ituano, equipe de média expressão no cenário do futebol nacional, foi presidido até recentemente por Sheila Adrigo Minelli.

-A federação paraibana de futebol é presidida por Rosilene de Araújo Gomes.

-Se especulou a possibilidade de o estádio Rei Pelé, em Maceió, ter seu nome alterado para Marta (em homenagem a alagoana que é a melhor jogadora de futebol do mundo).

-Angela Merkel, Michelle Bachelet e Cristina Kirchner governam, respectivamente, Alemanha, Chile e Argentina.

Estes são apenas alguns exemplos de conquistas. Em 2010, quem sabe, não teremos uma presidente da república mulher?

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Eu não quero acreditar!

Caso da brasileira que supostamente mentiu para autoridades suíças gera polêmica

Primeiramente, a notícia bombástica foi a de uma brasileira de 26 anos 'supostamente grávida' que fora atacada por um grupo de neonazistas, que fizeram diversos símbolos de sua organização em seu corpo e com isso ela perdeu o seu filho.

Revolta foi a primeira sensação, pela injustiça de recebermos diversos rótulos dos europeus e estes estarem longe de corresponderem com boas condutas. Depois de algum tempo, desconfianças vinheram à tona, e a polícia local afirmou que a pernambucana Paula Oliveira sofria de problemas psicológicos e já tinha perdido o bebê antes.

O pior vem acontecendo: ela assumiu a 'mentira', embora eu não queira acreditar que ela tenha feito isto, manchando a imagem dos brasileiros, que já sofrem de desconfiança ao viajar para o exterior. Quem sabe não há uma teoria da conspiração, em que ela foi pressionada para mudar o depoimento, que a polícia desmentiu com medo de sofrer impactos na sua imagem, já que a segurança pública pode ter falhado. E se isso for fantasioso demais, ao menos que ela seja uma pobre coitada doente e esquizofrênica, que viu coisas, e que também mudou seu depoimento por impacto das alucinações (o nome de sua doença é Lupus).

Talvez seja a hora de cair na real realmente, pois mesmo com o processo em andamento, as evidências nos empurram cada vez mais para a dura realidade. Uma realidade onde uma minoria derruba tantas coisas que outros tantos construíram: o povo acolhedor e trabalhador que, por fatos como esses, acaba ganhando o rótulo de malandro e pilantra.


Dá para acreditar nessa 'auto-mutilação'

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Sobre o sequestro em Santo André, terminado hoje

O medo correspondeu às expectativas
Policiais entram em horário de verão antes do previsto, agem tarde demais e não evitam tragédia

'Conturbada' é o adjetivo mais apropriado para o quesito 'segurança pública' no Brasil essa semana. Se Salvador nos últimos meses sofrera recorde de baixas policiais, o resto do Brasil não conseguiu evitar baixas civis por incompetência (entenda civil como pessoa comum, e não polícia civil). Há quem ainda teste os limites da fraca polícia brasileira e consiga êxito, confirmando a tese de que não devemos confiar nas próprias pessoas que cuidam da segurança em nossas cidades.
Em São Paulo, a greve da polícia civil não chegou a parar todos os setores das delegacias (tanto que o fim do seqüestro de 100 horas terminado hoje contou com a colaboração destes), e quando estes foram protestar por melhores condições de trabalho, adivinhe de onde vinheram atos de coibição? Da polícia militar (que hoje mesma trabalhara em conjunto com estes), ordenada pelo governo a silenciar seus colegas na base do cacetete, só que como do lado dos manifestantes todos sabiam bater igualmente, o fato virou um confronto disputadíssimo. Eu jamais imaginaria que um dia leria matéria acerca de um confronto armado entre policiais no meio das ruas (já não bastasse confronto entre traficantes rivais, não sei o que se pode esperar se tratando de ‘confronto’ neste circo chamado Brasil, talvez quem sabe ‘câmera de deputados Vs Senado’, a base das ‘cadeiradas’).
Não gosto de adotar todos os modelos que dão certo no exterior para se adequarem aqui no Brasil (foi 'valorizando demais' o que vem de fora que fizemos uma revolução negativa no nosso setor de transportes de carga, dispensando os trens -mais seguros, velozes e sem danos para estradas- e trazendo os caminhões), mas certamente, em termos de segurança pública, deveríamos olhar para o modelo dos Estados Unidos, onde a hierarquia não é tão complexa (nos EUA há só uma polícia, comandada pelos municípios, enquanto no Brasil há a civil e a militar, comandadas pelo governo estadual) e seus profissionais são mais eficientes não só para reprimir crimes, como também para prevenir.
"O procedimento da Swat é negociar por até 24 horas, depois o segundo passo é a invasão e o terceiro recurso é o uso dos atiradores de elite, ou snipers. Mas no Brasil não há esse limite de tempo".- comenta o brasileiro Marcos do Val, policial da Swat em Dallas há 9 anos, sobre o demorado seqüestro em Santo André esta semana. Marcos, de férias no Brasil, vem acompanhando toda a rotina das negociações, contou para seus colegas do Texas, e estes não acreditaram na demora da polícia. Algumas fontes afirmaram que a polícia só agiu após o 1º de 2 tiros (afirmou um policial que não quis se identificar), e outras afirmaram que os tiros disparados pelo seqüestrador foram frutos da invasão policial mal planejada(como afirmou um espectador anônimo).
As unidades especiais da polícia americana (a exemplo da SWAT- Special weapons and tactics- e FBI- Federal Bureau of investigation), por mais que filmes hollywoodianos colaborem para sua fama de 'infalíveis', lidam com situações muito mais difíceis muito mais vezes (os criminosos nestes casos são tão especialistas nas suas ações como os próprios policiais), mas a nossa melhor polícia, a GATE (Grupo de ações táticas especiais) não conseguiu solucionar um seqüestro 'amador' (realizado por um jovem inexperiente e sem tantos recursos táticos ou apoio), demorou para agir, e de quebra acabou com um desfecho trágico: as duas jovens foram baleadas, sendo que uma delas está em estado gravíssimo por levar um tiro na cabeça.
Sobre o caso deste seqüestro (que começou na 2ª feira a tarde, quando Lindemberg, 22, foi a casa da ex-namorada Eloá, 15, que estava estudando com colegas, e a fez de refém junto com sua melhor amiga Nayara, 15, e dispensou os outros - lembrando que o atual namorado de Eloá iria para o estudo, mas acabou tendo indisposição estomacal, o que pode ter lhe salvado a vida), vale lembrar como se resumiu a cobertura da mídia: até a 6ª feira a tarde, Lindemberg não era visto como 'tão perigoso' (pelo fato de não ter antecedentes criminais e trabalhar) para um canal de 24 horas de notícia que passara todos esses dias dando enfoque especial ao caso (inclusive convidando um psicólogo e um advogado para serem comentaristas).
O psicólogo se mostrava demasiadamente compreensivo com o comportamento deste jovem (tratando este ato com uma 'flexibilidade' irritante), e o advogado contava o tempo em que o jovem passaria preso (que inicialmente seriam de 2 a 8 anos- antes dos disparos às refens), alegando sempre que 'por não se tratar de um criminoso em busca de dinheiro e sim um jovem agindo passionalmente', sua pena poderia ser reduzida e certamente ele ‘levaria uma vida normal’. Teve quem foi dar apoio àos pais das reféns, dando a 'certeza' de que tudo terminaria certo (mesmo sem conhecer o seqüestrador em questão e sem ter noção da inoperância da polícia), e ainda com discursos de que 'são coisas do amor, quem sabe um dia eles ainda ficam juntos'. Foi preciso o criminoso/psicopata/doente em questão 'decepcionar' as expectativas dos 'cegos' que não o viam como ameaça para a 'esperança' se transformar em 'silêncio'. As vozes ouvidas a partir daquele momento eram de críticos sérios que não tiveram piedade para apontar todas as falhas gravíssimas da polícia (que já pisara na bola por ter deixado uma das reféns, Nayara, ter saído do cativeiro e entrado de novo para negociar, e por lá ficar novamente).
Em pouco tempo, a história do casal veio à tona sem censuras: dois desequilibrados que em 3 anos de namoro freqüentemente brigavam e ameaçavam a própria integridade física para chamarem atenção um do outro (Eloá já fora vista com uma faca apontada para si mesma, afim de chamar atenção de Lindenberg que 'tinha capacidade de se matar').
No Brasil, os fatos não estão sendo claros o suficiente para serem enxergados nem para setores importantíssimos da sociedade como a imprensa e a polícia. Fica muito difícil confiar no que lemos (talvez por isso os moradores das redondezas do seqüestro foram tão hostis a imprensa sem dar tantas explicações- inclusive ameaçando jornalistas), e mais ainda, nos que 'nos protegem'.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u456939.shtml
http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Internacional/Interior.aspx?content_id=1030851