quarta-feira, 20 de agosto de 2008

E a pauta mudou...

Eu tinha uma lista de assuntos para falar em meu blog: a vitória da Argentina sobre o Brasil, a cultura Indie na música e filmes... Mas como todo jornalista, ás vezes é preciso dar prioridade para o que está mais 'quente' no momento, e por mais que procuremos na rua assuntos com a pauta do dia, coisas mais importantes podem acontecer no caminho.
Hoje seria um dia tranquilo para mim, mas minha amiga e colega de trabalho, Luciana Ferraz, perguntou se eu faria algo pela tarde, e como teria tempo disponível, fomos em direção ao estádio de Pituaçu, com uma pauta que iriam variar entre entrevistas com pedreiros e engenheiros a fotos do andamento das obras. Não pudemos entrar hoje, mas não poderíamos voltar para casa de mãos vazias, e inventamos um plano B para conseguir informações do time que estamos acompanhando(E.C.Bahia): fomos ao C.T. do clube, em Itinga, acompanhar o treino. Lá, fomos muito bem recebidos, havia um ambiente amistoso, com idosos, crianças, todos juntos para apoiar o time de coração, que mesmo não figurando na zona de classificação para o acesso a série A, precisa de apoio e paciência, afinal, se tiver de conseguir vaga a 1ª divisão, será com esses jogadores.
Eu e Luciana conhecemos algumas partes do C.T., inclusive a sala de imprensa, comemos e bebemos por lá, entramos em contato com outros colegas de profissão, inclusive Jaime Brandão, acessor de imprensa do clube, figura tranquila e carismática que fez de tudo para nos deixar a vontade.
Nossa pauta envolvia a regularização dos documentos do meia Caio, que ainda não estreou, e detalhes do coletivo, mas és que surge um acontecimento lamentável que muda todas as nossas prioridades: um 'torcedor' que invade parte restrita a jogadores e comissão técnica dando palavras de ordem, para depois, vir seguido de mais de 40 vândalos com rojões, que, atirados em direção aos atletas, causou um tumulto, envolvendo uma briga generalizada, que afastou todos os que estavam ali para curtir uma boa tarde de treino. Elias, que minutos antes havia sido fotografado com várias crianças, sorrindo, foi agredido fisicamente, talvez o que tenha mais sofrido com a invasão ao gramado.
O desespero era grande, mas o instinto jornalístico ainda guardava energias para algumas fotos do tumulto, para só depois entrar no carro e sair imediatamente do Fazendão, e naquela hora a portaria ligava urgentemente para a polícia. No caminho para nossas casas, no viaduto perto da Madeireira Brotas, uma fumaça negra chamou nossa atenção, e paramos no meio para investigar a ocorrência, que já estava sendo fotografada por uma jornalista de jornal impresso. Também tiramos foto com a câmera digital, mesmo sem saber o motivo da queima de pneus(chegando em casa soubemos que era um protesto contra a demora dos ônibus). Lembrarei para sempre do comentário da foto-jornalista do impresso, que, ao ver algumas câmeras de tv se aproximando da ocorrência, comentou 'basta a televisão aparecer para todos darem importância'. Ela que estava saindo para outro lugar, e parou no meio para caçar notícia.
Assim é a vida de jornalista: com prioridades que podem tomar lugar de outras, com acontecimentos lamentáveis que devem ser noticiados, e que infelizmente, são mais ricos que a pauta que sai de casa. Que o futebol tenha mais paz, e que a paixão por um clube não envolva violência. Os principais responsáveis pela situação do Bahia não são os jogadores nem comissão técnica, e nenhum tipo de agressão física justifica um objetivo digno quanto o de querer o bem para algo ou alguém.


Eu e Luciana colaboramos com foto para o site da filial da Record em Salvador

2 comentários:

Paula Morais disse...

É deprimente ter que presenciar esse tipo de acontecimento junto ao esporte.
Haha, essa é a emoção jornalística, o que faz a gente se apegar mais e mais nessa profissão, uma emoção a cada dia, quebra de rotina e novidade em primeira mão, quer melhor? haha, parabéns vc e Luh pelo furo, e que venham mais furos para gente, né? uhhehe

Teka disse...

Isso é que é estar no lugar certo e na hora certa hein?!!
adorei o print...
Embora seja algo lamentável, digaí... dá um orgulho danado de si mesmo, dá não?!
hehehee