terça-feira, 27 de setembro de 2011

A Seleção perdeu seu encanto

“Quem não sonhou ser um jogador de futebol?”, já indagava a banda mineira Skank, que transformou a música “Partida de Futebol” num hino dos apaixonados do esporte mais popular do planeta. O topo da carreira para um boleiro, sem dúvida, era jogar uma Copa do Mundo pela Seleção de seu país.

Mas as coisas têm mudado, a camisa canarinha não exerce o mesmo fascínio e não adianta culpar a nova geração de não ter amor à camisa. O povo brasileiro sente falta de ver seus jogadores de perto, já que a maioria dos jogos da Seleção têm sido realizados na Europa. Pra completar, o número de denúncias de corrupção contra Ricardo Teixeira tem repercutido ainda mais, embora não se tratem de novidades.

O presidente da CBF está há mais de 20 anos no poder e só pretende largar o osso após a Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil. Teixeira está organizando o torneio e pretende usá-lo como plataforma política para se eleger presidente da Fifa em 2015. Para sua infelicidade, o mundial corre risco de não acontecer, já que, segundo o jornal carioca O Globo, a entidade máxima do futebol não está satisfeita com o andamento das coisas e a cláusula 7.7 do contrato determina que até o dia 1º de junho de 2012 o torneio pode ser retirado do Brasil sem pagamento de multa.

O reflexo de tanta cartolagem é o descrédito do brasileiro, que agora se concentra apenas no clube de coração. O bairrismo sempre foi uma marca da Espanha, onde os atletas preferiam defender o clube de coração do que “La Fúria”. A conquista da Copa de 2010 tem equilibrado as coisas, embora a rivalidade entre Barça x Real continue a mesma. Porém, se os espanhóis curtem mais sua seleção do que antes, nós, brasileiros, até torcemos contra o próprio patrimônio, basta reparar nas redes sociais.

O garoto que rejeitou a canarinha(na foto, duelo de fujões: Mário Fernandes x Jóbson)


O lateral-direito do Grêmio Mário Fernandes, 21 anos, foi o assunto do dia. Ao se negar a defender a Seleção Brasileira, faltando dois dias para a decisão do Superclássico das Américas, contra a Argentina, o atleta dividiu a opinião pública, entrando no trending topics do twitter e ganhando a hashtag #mariofernandesfacts. “Não aceitar a Seleção Brasileira é simbólico. Hoje, todo mundo prefere assistir seu time do que ver jogo da Seleção”, escreveu o usuário @futebol_pontual. Já o repórter da Rádio Guaíba Ígor Póvoa escreveu na sua conta “O que mais me impressiona é que a vida do Mário segue adiante, sempre. Ele não tem dimensão do que tá perdendo. E do prejuízo ao Grêmio.”

Em 2009, o jogador protagonizou outro episódio inusitado, quando passou três dias desaparecido após realizar apenas um treino no Grêmio. Vindo do São Caetano, o atleta alegou que o clube paulista havia prometido que ele seria emprestado. Porém, ele descobriu que estava contratado por cinco temporadas pelo time de Porto Alegre. Revoltado, ele voltou para São Paulo, alegou estar em depressão e pensou em abandonar o futebol, mas acabou voltando ao Grêmio.

No caso de hoje, se especulou um boicote à CBF, mas o empresário do jogador, Jorge Machado, disse que seu cliente não é idealista, apenas não gosta de mudar de ambiente e vive um momento maravilhoso no Grêmio. Tal declaração não foi suficiente para abafar os boatos. “Mário Fernandes não é gaúcho, mas também já está com o pensamento separatista em relação ao Brazil. Mandou bem guri...”, declarou @RafaelVGremista. Os colorados, por sua vez, disseram que o gremista desistiu após saber que três atletas do Internacional foram chamados para defender a Argentina no clássico. “Após ver a convocação do Guiñazu, D`Alessandro e Bolatti na seleção Argentina, Mário Fernandes amarelou”, brincou o @twinter_net.

Até o jornal Zero Hora, de Porto Alegre, entrou na gozação e lançou o game “Convocando Mário”, no qual o usuário é Mano Menezes e o objetivo é vestir a camisa do Brasil no lateral-direito do Grêmio.



http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1§ion=Esportes&newsID=a3503111.xml

Piadas do #mariofernandesfacts

Se o Mário Fernandes fugir mais uma vez vai pedir música no Fantástico.

Você busca no Google por "Mário Fernandes" e vem o resultado: "Mário Fernandes não foi encontrado".

E no oitavo dia, após descansar, Deus disse: "onde diabos se meteu o Mário Fernandes"...

Chuck Norris é capaz de encontrar qualquer pessoa. Menos Mário Fernandes.

Filme "Convoque-me se for capaz" ganha Oscar. Mário Fernandes decide ir p gramado buscar um kikito.

Mário Fernandes conseguiu sair da ilha de Lost

Nike oferece patrocínio vitalício para Mario Fernandes. "Obrigado, estou bem com a Perusso."

Steve Jobs convida Mario Fernandes para ser o novo CEO da Apple. "Obrigado, estou bem no Grêmio."

Mario Fernandes ganhou na Mega Sena, mas não quis buscar o prêmio!

Pior situação do mundo: ser noiva do Mário Fernandes e estar a poucos minutos de entrar na igreja

Conhece o Mário? Que Mário? Aquele que tirou o mano pra otário

Certa vez, Mário ficou famoso por usar óculos, casaco e gorro para se disfarçar e fugir. Ele adotou o nome de Wally.

Mario Fernandes não se apresenta a Seleção para poder ficar mais tempo na fila do show do Justin Bieber!

Jesus havia chamado 13 apóstolos, mas um deles não quis. Era o Mario Fernandes

ir pra balada, beber todas e esquecer de pegar um avião acho que o #MarioFernandesFacts deveria ser #CharlieSheenFacts

Como eu faço pra encontrar o Mário Fernandes?! num sei não, melhor cê perguntar lá no posto Ipiranga!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Futebol, história e economia

A versão de toda história costuma balançar para o lado de quem a conta. A história geral nos é passada na escola como uma aventura de seis mil anos movida principalmente por conquistas territoriais. Como não podia ser diferente, os povos que obtiveram maior destaque nesses seis milênios de civilização foram os que mais "venceram", ou seja, invadiram outras nações, roubando seus conhecimentos para, dessa forma, criar e inventar inúmeras coisas, como as navegações e a pólvora.

Civilizações que habitavam a América antes da chegada de Colombo deixaram incríveis legados, mas a ausência de escrita as privaram de dar suas versões dos fatos de forma mais clara e objetiva. No caso do futebol moderno, todos podem ter voz através das redes sociais, mas uma velha regra do jogo predomina: o poder econômico. Não é a toa que, na hierarquia da bola, Barcelona, Real Madrid e Manchester United estão no topo e times de milionários como Manchester City e Anzhi sonham em chegar lá, e para isso, fazem o que o Arsenal não faz: torram o dinheiro sem piedade. A Europa é, sem dúvida, o centro do mundo, seja na história geral ou no futebol.

O bom momento da economia brasileira tem feito o país segurar seus principais astros, como Neymar, Lucas e Leandro Damião. Não se sabe até quando, mas em outros tempos, esses atletas já teriam feito as malas. Como, dentro da América do Sul, é possível competir com eles, os times grandes do Brasil? O Bahia é um reflexo que o crescimento do Brasileirão não é só favorável para os times de São Paulo, Rio, Minas e Rio Grande do Sul, pois tem o time caríssimo, mas com um torneio competitivo, é natural que a folha salarial dos rebaixados seja maior do que as folhas salariais das equipes rebaixadas nos anos anteriores. Com isso, será cada vez mais difícil uma equipe do Nordeste vencer a Série A de pontos corridos. Uma economia ruída ao menos possibilitava ao Atlético Paranaense faturar o título em 2001 e o São Caetano chegar em duas finais consecutivas, em 2000 e 2001.

Vale mais um campeonato "de estrelas" em que você pode ver Neymar, Lucas e Damião no estádio ou um torneio menos competitivo em que seu time tem mais chances de ser campeão? Que os "amantes do futebol" me perdoem, mas bons eram os tempos em que o Bahia brigava pela parte de cima da tabela, enquanto a Europa enfraquecia os clubes do sudeste "roubando" seus astros.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Mané Seleção, rapá...

A Seleção Brasileira já me deu mais títulos que o Esporte Clube Bahia. No mesmo ano em que a Canarinha quebrava o jejum de 24 anos sem vencer uma Copa do Mundo, em 1994, o Esquadrão de Aço vencia o seu antepenúltimo Campeonato Baiano (a edição de 1999 foi uma vergonha e nem comemorei, tamanha covardia do meu time, que teve medo de decidir o título no Barradão).

Porém, mesmo sem ter gritado tantas vezes "É campeão porra" com o meu time de coração, hoje percebo que a incondicionalidade do amor clubístico é muito maior que o patriotismo. Não é a toa que em todas as partidas do Brasil as câmeras flagram torcedores dos mais diversos times, do Remo ao Grêmio, todos orgulhosos vestindo o manto que os fazem rir e chorar. Chorei muito pela perda na final da Copa de 1998, quando a Canarinha perdeu de uma forma até hoje misteriosa e cheia de teorias da conspiração. No entanto, é o Bahia que me faz sentir parte integrante da história, eu e todos os torcedores tricolores existimos para o time a partir do momento em que vamos ao estádio e não deixamos de ser apaixonados mesmo com todas as grosserias da diretoria contra torcedores opositores, que amam o time muito mais que eles.

Já quando a coisa é Seleção, não dá para deixar de sentir uma "broxação" enorme ao ler o perfil do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, na revista Piauí de julho desse ano. A diferença entre a paixão entre um clube e uma seleção é que a revolta pela situação do time lhe faz querer mudar todas as estruturas dele, pedir democracia, reestruturação, contratações melhores e etc, enquanto a Seleção lhe faz simplesmente desligar a TV para não dar Ibope a uma instituição que prefere distanciar um patrimônio do seu povo, realizando a maioria de suas partidas na Europa, do que tentar aproximá-lo, já que as relações parecem estar cada vez mais frias.

Já fui a dois jogos da Seleção Brasileira: em 1999, um amistoso contra a Holanda, na Fonte Nova, e em 2009, contra o Chile, partida válida pelas Eliminatórias da Copa, em Pituaçu. Não dá para negar que o público de jogo da Seleção é diferente do público de um time, principalmente de massa, como Bahia, Atlético Mineiro e Santa Cruz. Eu perguntei a muitas pessoas que estavam na partida entre Brasil x Chile qual foi a última vez que elas foram ao estádio, e a resposta de boa parte delas foi há 10 anos, no Brasil x Holanda. Em partidas como essas, "torcedores de ocasião", que enxergam o futebol como um evento, e não como uma paixão, se misturam aos clubistas que gritam para ver o jogador do seu time representando o país.

Nem todas as Seleções têm um elo tão fraco com o torcedor. Os Argentinos pulam pela Albiceleste tanto quanto pelos times de coração, até mesmo no basquete. Não resta dúvida que a relação do brasileiro está estremecida com a CBF, e não irá se recuperar na Copa de 2014, pois um evento como esse vai atrair torcedores de ocasião, que não conhecem a atmosfera de um estádio, sem falar que os estrangeiros vão predominar, como sempre predominam em mundiais. Os cartolas estão copiando o que há de pior no futebol europeu: a elitização do público. A Inglaterra está repleta de senhoras e senhores comportados, enquanto quem não pode comprar os ingressos vai assistir aos jogos nos pubs. Sinceramente, pouco me importa se o Brasil vencerá hoje: só quero saber do meu Bahia domingo, contra o Fluminense.
Lomba é Lomba, o resto é Jefferson

segunda-feira, 18 de julho de 2011

O discurso paciente que irrita

Ninguém gosta de perder. Mas as desculpas dadas após uma derrota definem o caráter do derrotado. Se tratando de treinadores de futebol, alguns preferem assumir toda a responsabilidade - que num jogo coletivo, deve ser compartilhada pelo grupo. Outros preferem pedir desculpas, sem prestar tantos esclarecimentos. Porém, os coitadinhos estão entre os mais irritantes: o tipo de sujeito que, após o vexame, põe a culpa no "sistema", conceito que vai da arbitragem a falta de dinheiro para contratar.




Nas coletivas de imprensa, Mano Menezes não se encaixa em nenhum desses perfis. Ele não cita os erros que cometeu durante a partida, como substituições absurdas, tampouco reclama do sistema, até porque ele se acostumou a ser beneficiado pelo mesmo quando treinava o Corinthians. Seu desempenho na Seleção Brasileira conseguiu despertar, em torcedores exaltados, a saudade de Dunga. O discurso de que o ex-técnico da Canarinha acertou em não convocar os talentosíssimos Ganso e Neymar se difundiu nas redes sociais.



Ao longo da carreira, Cuca reclamou mais da arbitragem do que ganhou títulos

Eu não duvido que o temperamental Felipe Melo seja cotado para acender a equipe, que em um ano de renovação teve um retrospecto pífio: em 12 jogos, foram 6 vitórias, 4 empates e 2 derrotas, 16 gols marcados e 6 sofridos, com direito a uma eliminação nas quartas-de-final da Copa América, após quatro cobranças de pênalti desperdiçadas contra o Paraguai.

Mano parece muito tranquilão, com perspectivas de evolução que ofuscam a frustração de não fazer os resultados chegarem logo. Essa excessiva serenidade contamina os seus atletas. Não falta talento ou controle emocional, duas das virtudes que não viajaram na bagagem de Dunga na África do Sul em 2010. Faltam jogadas concluídas sem a paciência de quem busca a batida perfeita.



Todo mundo perde, logo, todos têm um perfil de perdedor. Ao não conseguir seus objetivos, Mano opta pela serenidade inabalável, algo ainda mais irritante do que a pose de coitadinho. Talvez, ele esteja tão tranquilo porque tem muita confiança no trabalho que vem fazendo. Eu não penso nessa hipótese. Todos querem vencer, mas para essa Seleção Brasilera, acredito que falte querer mais, imediatamente.





René Simões costuma exaltar as qualidades das equipes por onde treinou, mesmo sendo limitadas

Fotos: Divulgação

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Cineasta baiano com nome de gringo

Pelo nome, Benito Walter Webb Galtieri, 74 anos, parece ser um estrangeiro. Descendente de italiano e alemão, esse baiano de Jaguaquara, a 326 Km de Salvador, teve seu trabalho reconhecido além das fronteiras regionais, e hoje mora entre Washigton D.C.(EUA) e São Paulo. Diretor de produção das cenas de O Exorcista 2 gravadas no Brasil, produtor de quatro filmes de Didi (Renato Aragão), entre outros longas (e curtas), Walter Webb também se destacou no mercado publicitário, principalmente com o filme We Did - Nós Fizemos (na década de 70), premiado nos festivais de Cannes, Clio de Nova York e Grand-Prix da Irlanda.

Num bate-papo descontraído em Itapuã, Walter conversou comigo sobre o cinema baiano, do qual ele integrou o movimento Cinema Novo, sendo assistente de direção de dois filmes de Roberto Pires (A Grande Feira e Tocaia no Asfalto).




Como é estar na Bahia novamente?


Apreensivo, porque na Bahia eu nunca fui bem recebido. Depois que nós saímos daqui, eu, Glauber, Roberto, Fernando, Geraldo, Paulo Gil, Orlando Sena, os caras ficaram de bronca com a gente. Mas eu gosto (da Bahia), eu acho que essa cidade tem um potencial bom, é uma pena que o cinema não emplacou como nos anos 60, quando nós fizemos 26 filmes. Mas estamos aí, eu estou dando força para que as coisas na Bahia aconteçam

Glauber Rocha hoje é uma grande referência para o cinema baiano. Sempre ele foi bem visto aqui na Bahia?


Grande hipocrisia. O Baiano é muito hipócrita, porque Glauber foi estilhaçado aqui, o governo nunca deu um tostão a ele. A única vez que emprestou um jeep, tomaram no meio das filmagens. Glauber morava fora e nunca os baianos perdoaram isso e hoje, fica uma turminha de raquíticos do cinema a dizer que Glauber foi o grande paxá, o grande guru. Ele sempre mandou esses caras à merda porque nunca acreditou neles.

Me fale um pouco sobre o Cinema Novo...

O Cinema Novo foi tão bom que ele morreu de velho em pouco tempo. Não emplacou porque os caras não queriam mudar só o cinema, eles queriam mudar o Brasil. Os caras quiseram fazer um negócio totalmente diferente, e o público estava empurrado com a ditadura militar, então ou apoiava a ditadura ou assistia o Cinema Novo. O Cinema Novo fez o que pôde, mas serviu para evidenciar nomes de grandes diretores como Glauber, Saraceni, Leon Hirszman, Marcos Faria, Carvana, Antônio Carlos Fontoura e muita gente boa. O Cinema Novo foi a porta de abertura para muita gente, eu inclusive tirei uma casquinha dela com a Grande Feira e Tocaia do Asfalto. Mas foi um cinema que teve sua época e espero que aquela filosofia não volte mais.

Em qual cultura você gosta mais de trabalhar no cinema?

Eu gosto muito do esquema americano, porque tem o produtor que manda no filme, o diretor geral é o contratado, ao invés do Brasil, que quem produz o filme é o diretor, que através da Lei do Audiovisual, consegue os financiamentos pelo seu currículo. Então ele contrata o diretor-executivo, como eu, para administrar o filme. Eu acho que isso ainda é um entrave, porque as pessoas não se empenham em fazer roteiros livres e universais, e ficam ainda presas e apegadas ao regionalismo, que é uma coisa muito chata. Repare que os filmes baianos são em sua maioria regionais, feito para a Bahia. Você vai passar o filme em outro lugar e ninguém vê, porque é coisa para a Bahia. Isso tem que mudar, é preciso fazer filmes com temas livres, universais. Como no Brasil você não põe o seu dinheiro, você põe o dinheiro do governo, o cara se dá ao luxo de escrever sua própria história, as vezes muita merda, e faz um filme que nunca será exibido. Há 435 filmes na Rio Filmes sem nenhuma condição de exibir por questões temáticas e formais. Isso não significa que não tenhamos bons roteiristas e até bons diretores que façam roteiros bons, mas a maioria são gente medíocre.

Você já fez muitos comerciais exibidos na TV. Qual a diferença entre fazer um filme e um comercial e o que vale mais a pena?

O comercial é uma grande escola, você faz seis, sete comerciais por mês, tem acesso à pós-produção e coisas maravilhosas, equipamentos de finalização de filme que num longa no Brasil não tem, em que a edição é feita de forma analógica. No comercial, se usa digital o tempo todo. Eu sempre gostei de fazer comercial, fiz mais de 600, tenho prêmios, em Cannes, Clio de Nova York, Grand-Prix da Irlanda. Para mim foi um grande caminho, que me deixou no cinema até hoje e que me dá sustento.

Qual a diferença entre o produtor, roteirista e diretor?

A minha função é de produtor. O produtor é o homem que bota dinheiro ou administra dinheiro, que é o meu caso. Eu sou o durão que recebo o dinheiro dos outros para administrar. O cara me dá 2 milhões para administrar o filme e eu vou administrar. O roteirista é a pessoa responsável para fazer a história do filme e o diretor é a pessoa que vai dar vida e corpo ao roteiro, ao plano e a produção. Tem que haver uma grande empatia entre o roteirista, o produtor e o diretor, se você quiser ter um bom resultado visual e também comercial.

Há uma certa richa entre cineastas e críticos de cinema?

Crítico de cinema em geral é amigo, mas na Bahia existem as igrejinhas. Aqui sempre houve um pessoal contra Walter da Silveira, Glauber... Eu fui crítico na época, fazia parte de um grupo com Plínio de Aguiar, Paulo Valadão, Milton Chagas, Pessoa Esteves e Nílton Rocha. Mas tinha um grupo liderado pelo pessoal do jornal A Tarde, na época com José Berbert, que fazia uma guerra enorme contra a gente, mas nós sempre conseguimos dar a volta por cima, e nós tínhamos o clube de cinema na mão. A crítica na Bahia sempre foi provinciana, isso aqui é uma província e ainda está no Século XVl.

Uma última pergunta: quais dicas você dá para quem quer ser produtor, diretor, roteirista e ator de cinema...

Ter muita perseverança, talento, criatividade, e três fatores importantes: muita imaginação, muita imaginação e muita imaginação, aí eles vão embora.

domingo, 15 de maio de 2011

Uma nova década para o futebol baiano


Já em janeiro, os anos 2010 prometiam ser diferentes da década anterior: no primeiro mês do ano, a bola da vez era o Esporte Clube Bahia, que chegava na final da Copa São Paulo de Futebol Júnior, além de estar na Série A e ser considerado, oficialmente (pela CBF), bi-campeão brasileiro (com a unificação dos títulos de Taça do Brasil e Robertão, que passaram a ser considerados Brasileiros).

No entanto, o Esquadrão de Aço correu sérios riscos de não passar para a segunda fase do Baianão 2011. As coisas pioraram quando o time levou 6 a 0 do Atlético Paranaense na Copa do Brasil e foi eliminado pelo seu maior rival na semi-final do estadual. O tricolor, então, rumou para um resort em Águas de Lindoia, interior de São Paulo acostumado a receber equipes de futebol em fase de preparação para torneio.

Enquanto os jogadores do Esquadrão treinavam, longe da pressão soteropolitana, seus torcedores estavam de olho em outro Bahia, o de Feira, finalista do estadual contra o Vitória. O Tremendão (apelido da equipe feirense) começou esse ano com o pé direito, ao se tornar o primeiro time do interior a faturar o Torneio Início, em cima do Conquista na final, com destaque para o artilheiro da competição, João Neto, com três gols.

O rubro-negro baiano teve um crescimento fantástico na sua história recente: superou Galícia em número de estaduais nos anos 60, o Botafogo nos 70, o Ypiranga nos 80, nos 90 veio o primeiro tri-campeonato consecutivo(95-96-97) e, em 8 dos 10 anos da década de 2000, se sagrou vitorioso no estado. No ano de 2002, houveram duas edições de estadual: o Palmeiras Nordeste, de Feira de Santana, venceu o Baianão, do qual a dupla BaVi negligenciou em detrimento do Nordestão, mas o Vitória ficou com o Supercampeonato, que ocorreu durante a Copa do Mundo, quando a CBF paralisou competições nacionais.

O Vitória entrou hoje em campo como grande favorito ao título. O inédito penta ficou próximo com o empate no jogo de ida, no Joia da Princesa, na semana passada. Quando Geovanni, cobrando falta com maestria, abriu o placar aos 15 minutos então... Porém, no final do primeiro tempo e novamente na bola pelo alto, o Leão, que pretende subir de avião para a Série A, viveu seu característico momento de pane aérea: foi o 11º gol oriundo de cruzamento, de 21 sofridos na competição. O intervalo foi tenso, com vaias dos torcedores. Mas o pior ainda estava por vir: João Neto virou o placar, aos 21 da segunda etapa, após um chute forte que contou com a colaboração de Viáfara, que perderá a vaga de titular na Série B para Fernando.

Dali por diante, o fantasma do Colo Colo se materializava em um bicho papão. Porém, diferente do time de Ilhéus, que se aproveitou da pior fase dos times da capital (ambos na Série C do Brasileiro em 2006), o Bahia de Feira, na classificação geral, ficou em segundo lugar, a frente do chará da capital, atualmente na primeirona, e invicto jogando em casa (diferente do Vitória, que perdeu três jogos no Barradão: na estreia para o Colo Colo, na semi contra o E.C. Bahia e na decisão para o Tremendão). Foi o quinto título baiano vencido por uma equipe do interior: o Fluminense de Feira ganhou em 63 e 69, o Palmeiras Nordeste em 2002, o Colo Colo em 2006 e hoje, o Bahia de Feira.

A nova era do fuebol baiano se estende ao Ypiranga, Botafogo e Galícia, que podem voltar a elite em 2012 (apenas dois sobem). A nota negativa dessa nova década é a itinerância de clubes pequenos, que vivem mudando de sede e dessa forma, não criam identidade com cidade nenhuma. O melhor exemplo é o Ipitanga, que nasceu em 2003, em Lauro de Freitas, e já passou por Terra Nova, Madre de Deus, por pouco não joga em Santo Antônio de Jesus e atualmente, está em Senhor do Bonfim, cidade que também abrigou o Juazeiro nesse ano, e que abrigará o Feirense no ano que vem.

É triste ver tamanha falta de identidade com uma torcida e uma região. Por isso, vejo como positivo a ascensão de ex-campeões estaduais. Desejo que, no decorrer dessa década, times de verdade representem o nosso futebol. Já o Bahia de Feira, um clube empresa, que se fortaleça, continue em Feira, para quem sabe, conseguir um dia respeito nacional. Viva o futebol baiano!

domingo, 8 de maio de 2011

Bem vindo ao passado

A história do mundo é cheia de idas e vindas. Os acontecimentos parecem se repetir, como num eterno retorno, conceito do filósofo alemão Nietzsche, em que, se o mundo tivesse uma finalidade, já teríamos alcançado. Sem início definido, sem final prévio, a atualidade é muito menos que um grão de areia no deserto: é impossível se medir o quão pequenos somos nesse universo.

Mas os seres humanos não parecem se cansar da sua realidade repetitiva, e celebram com entusiasmo o casamento de um príncipe, a beatificação de um papa, uma "cruzada" contra o "terrorismo" e a morte de um mouro, como se ainda estivéssemos na Idade Média. Na semana em que a família real inglesa cultivou sua tradição, o Vaticano santificou João Paulo ll e militares americanos mataram Osama Bin Laden, depois de quase uma década do maior atentado terrorista da história, em 2001, o que efetivamente mudará em nossas vidas?

A monarquia vive de sua imagem simbólica, embora as decisões sejam tomadas pelo primeiro ministro, a Igreja Católica influencia nas decisões de estados, que mesmo se considerando laicos, se rendem ao poder dessa instituição religiosa (não é a toa que o casamento gay demorou para ser legalizado no Brasil) e os fundamentalistas islâmicos continuarão sua guerra contra "O Grande Satã", os Estados Unidos; A morte de Bin Laden apenas deixará os ânimos ainda mais exaltados.

É nesse cenário que nos encontramos. As tecnologias mudam, alguns tabus são quebrados, outros são criados, vidas entram e saem desse planeta, mas alguns pilares tradicionais insistem em se manter. Mas que mal há nisso, se nesse mundo não há objetivos? Metas são conceitos artificiais, e hoje consigo entender porque o ser humano não vive muito mais que 80 anos: seria tedioso chegar aos 10 mil anos vendo e vivendo as mesmas coisas. Mas até os 80, muita coisa parece ser novidade, afinal, o que são 80 anos perto de milênios de civilização?