terça-feira, 28 de outubro de 2008

A origem das grandes povoações

O porque de existirem cidades grandes (próximo a estradas, ferrovias, rio, porto...)

Algum dia na vida você já deve ter se perguntado: porque existem cidades tão povoadas? Certamente não foi uma escolha espontânea dos seus primeiros habitantes, e tais locais atraíram o público por algum motivo.
Um dos motivos mais antigos que reúnem pessoal numa pequena faixa de terra é a água: as primeiras civilizações ocidentais ficavam na ‘Crescente fértil’ (nome que justifica a fertilidade da água para essas terras), uma região do Oriente médio onde grandes rios faziam seu percurso pela capital e interiores*: o rio Jordão passa pela Palestina (região até hoje disputada entre palestinos árabes e israelenses), já o Tigre e Eufrates são os principais rios da Mesopotâmia*² (palavra essa que vem do grego e significa ‘entre rios’, justamente por essa civilização ficar entre os vales desses rios) e o rio Nilo é uma das principais referências do Egito, especialmente porque passa pela sua capita, Cairo.
Outras civilizações tinham lá seus motivos para justificar sua fama: a Fenícia*³ estava protegida num local estratégico, onde para o norte havia deserto, para o leste floresta de Cedras, para o sul montanhas e para o oeste entrada para o mar (daí os fenícios serem grandes navegadores, os primeiros a terem necessidade de se expandir afim de se estabelecer relação comercial com outros povos- inclusive parte dos estudos de navegação dos europeus ocidentais foram estudos reaproveitados dos fenícios, que passaram pelo Brasil antes mesmo de os portugueses sonharem com a existência da Índia).

Oriente médio e a crescente fértil, destacada de vermelho na gravura

A importância dos portos

Pegando o gancho da importância da Fenícia para a tradição comercial e marítima, muitos países de hoje em dia tem em suas cidades portuárias, se não a capital, uma de suas principais cidades: Buenos Aires- Argentina, Val Paraíso- Chile, Santos- Brasil**, Nova Iorque- EUA, Montreal- Canadá, Hamburgo- Alemanha, Roterdã- Holanda, Marselha- França, Yokohama-Japão, Xangai- China, Melbourne- Austrália, Auckland- Nova Zelândia, Lisboa- Portugal e Dakar- Senegal são apenas alguns exemplos.
Na esfera nacional, já teve estado que mudou de capital por a 1ª não ser 'praieira'***, logo, não podendo ser portuário: São Cristovão, apesar de cidade histórica, perdeu o posto de capital de Sergipe para Aracaju.


A esquerda, o porto de Santos, o maior da América Latina, e a direita, o maior porto artificial do mundo, em Roterdã- Holanda (repare que a cidade fica abaixo do nível do mar e um dique fecha o canal- há soteropolitanos que alegarão acerca da experiência dos holandeses de contruir diques, embora os estudiosos saibam que o Dique do Tororó não foi criação holandesa)

A importância dos Rios

Vale lembrar que algumas cidades portuárias também tem seus rios (a exemplo de Lisboa e o rio Tejo), mas grandes capitais não portuárias muitas vezes ganharam o status de sede do poder executivo pelos seus rios: Londres- Tâmisa, Paris- Sena, Madrid- Manzanares, Roma- Tibre, além de exemplos de rios que ficam a margem de mais de uma capital, como o Danúbio, presente na vida dos habitantes de Praga, Budapeste e Viena.

Cidades às margens de rodovias e ferrovias

Ferrovias e rodovias se tornaram extremamente úteis para a locomoção segura de habitantes de um centro urbano ao outro. Graças a ferrovia na Inglaterra, uma cidade se desenvolveu muito e se tornou uma dos mais importantes pólos industriais desde a revolução industrial: a cidade de Manchester.
Em busca de expansão e criação de novos centros urbanos, pessoas do mundo todo procuram estar presente com a civilização e criam às margens de estradas novas cidades, e assim se desenvolveu Feira de Santana (às margens da BR-324), cidade essa que aos poucos está cada vez mais ligada a Salvador, pois com o crescimento da população da capital, bairros como Cajazeiras, situado próximo a essa rodovia, crescem sempre às margens dela, e a tendência é chegar cada vez mais próximo de Feira de Santana.
Nos Estados Unidos, uma antiga estrada ligava Chicago a Santa Mônica, numa distância de 3939 km (equivalente a de Aracaju à Porto Alegre, ou seja- cruzava quase um país inteiro). As suas margens, surgiram o primeiro Mc’Donalds e primeiro Motel**** dos Estados Unidos, além de diversas cidades. Mas com a construção de uma rodovia mais moderna, a Highways, a rota 66 iniciou um processo de esquecimento, e as cidades as suas margens, que tanto recebiam visitas, passaram a ser esquecidas, logo, muitos estabelecimentos se fecharam e muitas dessas cidades hoje são apelidadas de ‘cidades fantasma’, por terem pouquíssimo moradores, embora grandes edificações.
Assim como municípios, bairros também surgem às margens de fluxo de pessoal: a avenida Paralela, em Salvador, fora inaugurada na década de 70 como uma nova via para ligar a região da rodoviária (próxima ao centro da cidade) ao aeroporto (antes ligado pela EVA- estrada velha do aeroporto). Com o decorrer dos tempos, bairros foram surgindo aos lados dessa avenida, a exemplo do Imbuí- ao lado direito da avenida (sentido rodoviária aeroporto)- e Canabrava- ao lado esquerdo.

Voando nos trilhos: time de 'origem ferroviária' (nascera com operários do depósito da Cia. ferroviária de Lancashire e Yorkshire), hoje ja é detentor de um luxuoso avião (imagem da esquerda abaixo), mas apesar disso, suas recordações aéreas não são boas: em 1958, um acidente aéreo em Munique matou 8 de seus jogadores (imagem a direita acima). Abaixo, homenagem às vítimas e heróis da tragédia, e ao lado esquerdo acima, o time do Manchester da temporada 1905-1906, responsável pela subida para a 1ª divisão da liga inglesa.

Artifícios para tornar a vida possível em cidades inesperadas

Se muitas cidades hoje são grandes devido a sua história de longas datas, a exemplo de Roma e Atenas (referências de grandes civilizações da antiguidade) ou municípios europeus que foram feudos (e nestes, sempre existirá forma de sobrevivência auto-sustentável, já que não se podia sair de seu território- a não ser por migrações ou guerra), outras tantas, que não teriam como existir nesses tempos, hoje com o auxílio da tecnologia desempenham importante papel na economia mundial: Atlanta, sede da coca-cola e das olimpíadas de 1996, fora construída no meio do deserto! Brasília, a nova capital do Brasil, fora construída no meio do cerrado na década de 50, sendo um local estratégico por estar no centro do Brasil (dificultando ataques por mar e aéreos- já que terá de se percorrer boa parte do Brasil para se atacar sua capital).

Importância de grandes centros econômicos no futebol

Você já reparou que a maioria dos times de futebol presentes na elite do futebol local pertencem a regiões povoadas ou ricas? O atual campeão europeu, por exemplo, é o Manchester United, da cidade de mesmo nome, que ganhara importância especialmente depois da construção da primeira linha férrea do mundo, que a ligava com Liverpool (Liverpool já era famosa por ser portuária, mas Manchester se tornou com essa colaboração).
No Brasil, os times mais vencedores estão no sudeste, região que se tornara mais importante economicamente que o Nordeste após descoberta de ouro nas Minas Gerais (antes o Nordeste era hegemônico com a plantação e colheita de cana de Açúcar).
Na época de amadorismo no futebol, a grande maioria dos jogadores de um time eram nativos da mesma região. Mesmo com o início da profissionalização, ainda existia o teto salarial, ou seja: jogando em um clube rico ou modesto, se ganharia o mesmo salário, sendo assim, muitos jogadores optavam por jogar para equipes de cidades pequenas, mais tranqüilas. Porém, o fim do teto salarial marcou o início da hegemonia das grandes potências, marcando o declínio de times do interior e supremacia de equipes dos grandes centros urbanos, que poderiam pagar muito mais.
Esse é mais um exemplo de como o futebol, ao mesmo tempo que faz parte da nossa sociedade, a reflete com tamanha fidelidade.


*O conceito de capital remonta a local mais influente, embora a idéia do capitalismo só tenha se consolidado com o fim da idade média e feudalismo e início da idade moderna e expansão do comércio. –O oposto de capital na língua portuguesa é interior, porque se tinha uma idéia de que as cidades mais influentes geralmente teriam de ser portos, e a maior parte das demais ficam no ‘interior do país’ (por dentro, e não às margens do mar); Já na língua inglesa, o oposto de capital é ‘country’, o que remete a uma idéia de pouco urbanismo.
*² Atual Iraque e Kuwait
*³Atual Líbano
**A primeira capital do Brasil, Salvador, também é portuária. Ao se descobrir ouro nas Minas Gerais (região central do Brasil), a região mais influente deixou de ser o Nordeste e a capital e porto principal passou a ser Rio de Janeiro. Com a descoberta da terra Roxa pelo estado de São Paulo (onde sua capital, também chamada de São Paulo, não é litorânea), a capital continuou sendo Rio de Janeiro, mas o principal porto passou a ser o de Santos, devido a importância da colheita de café para o enriquecimento do país (proporcionado pelas férteis terras por esse estado)
***Não é tão óbvio quanto parece: Roterdã, embora seja portuária, fica abaixo do nível do mar (logo, não é praieira), sendo o maior porto artificial do mundo
****O conceito inicial de motel não estava associado a um lugar para práticas sexuais, e sim um local onde se pagava mais barato que um hotel convencional para ficar menos tempo (o equivalente a uma noite de sono) e era muito freqüentado por caminhoneiros que passavam pelas rodovias

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Mais 4 anos com João Henrique

Prefeito reeleito de Salvador torna-se o 2º a conseguir essa marca desde a redemocratização

Em 2004, João Henrique de Barradas Carneiro, então do PDT, era a voz da esperança de uma cidade sedenta em empregos e saturada de falsas promessas. Ao entrar num 2º turno contra o candidato César Borges, do PFL (atualmente chamado de DEM), conseguira o apoio de todos os outros antigos adversários: Lídice da Mata, do PSB, Da Luz, do PAN, e Nelson Pelegrino, do PT (que inclusive por muito pouco não faz o 2º turno com João Henrique).
As alianças que trouxeram para a vitória não foram gratuitas: o PT ficou com 4 secretarias na prefeitura: Saúde, Reparação, Desenvolvimento social e Governo (inclusive se pensou em apoiar João na reeleição, até optar por um candidato próprio, Walter Pinheiro, que teve como vice a ex-prefeita e candidata em 2004 Lídice da Mata, do PSB).

João eleito em 2004

A vitória de João Henrique marcou uma derrota histórica de um grupo dominante no estado, que desde a época da ditadura já comandava com os seus eleitos pela assembléia legislativa, e que continuou mandando com os votos do povo embora tenham ‘sofrido’ com 2 pequenas oscilações de poder- Fernando José do PMDB e Lídice da Mata, do PC do B (até hoje a única prefeita da cidade pertencente a um partido comunista).
Porém, não se deu tanta credibilidade ao trabalho destes dois, não é a toa, em seguida Antônio Imbassahy, do PFL, fora eleito, depois de 8 anos do grupo dominante fora da prefeitura (desde a saída de Mário Kertesz em 1989)
A herança dos tempos de repressão foram contínuos, dos tempos do ARENA com os militares- Aliança renovadora Nacional- até o PFL –Partido da Frente Liberal, o seu dissidente que mais tarde viraria ‘Democratas’ e que é adepta de uma política neoliberal* que ganhou notoriedade especialmente com as obras do economista e filósofo escocês Adam Smith. A ousadia parecia ser abolido do vocabulário político do baiano, que mesmo em sua maioria pobre, demonstrava nas urnas uma postura conservadora.

Novos partidos na disputa

Mas surge o ano de 2002, em que o candidato do PT a presidência da república, Lula, após 3 tentativas, consegue o grande feito das massas de todo o país: levar o povo ao poder. No mesmo ano, Jaques Wagner, de mesmo partido, perdeu as eleições de governador no 1º turno, mas teve maioria dos votos na capital, ou seja: pelo menos em Salvador, havia anseios por mudança.
A mudança de mentalidade, confirmada 2 anos depois e que no início era imune de críticas, começava a ser contestada: João Henrique mudou de legenda, saindo do PDT do lendário Leonel Brizola para se filiar a um partido do tão legendário quanto Ulysses Guimarães. Tais figuras, mesmo não presentes em vida, se tornam referência nas posturas destas legendas, mas não foi esse o motivo pelo qual João Henrique ‘virou a casaca’: embora com a mesma origem (o MDB- movimento democrático brasileiro, que depois se ramificou em vários partidos e que na época combatia a ARENA), foi o PMDB que conseguiu eleger um presidente (Tancredo Neves), e que desde essa época, torna-se aliança respeitável para quem sonha com o poder (inclusive com um apoio de Geddel Vieira Lima, ministro da integração nacional do atual governo Lula).

O início da nova campanha de João

Mesmo sendo filho de um peso pesado da política baiana (o atual senador João Durval já fora aliado de Antônio Carlos Magalhães, ex-membro da ARENA- inclusive ambos revezaram de poder mesmo sendo do mesmo grupo) e tendo como vice um ex-prefeito (Edvaldo Brito, eleito pela assembléia legislativa em 1978) estava claro que para se reeleger João Henrique precisava de uma aliança forte (e ela era Geddel Vieira Lima). O seu PDT, que o acusou de traidor, acabou fazendo parte da base aliada que o elegera, e o PT, que tinha algumas secretarias, caiu no engano de que teria o apoio explícito do presidente Lula, que não podia desagradar um partido que tanto te apoiou na reeleição, e que inclusive se especula que apoiará a candidatura da petista Dilma Rousseff para a presidência em 2010 (o PMDB, que em 2002, controvertidamente, apoiava o PSDB).
A vitória não foi fácil para o atual prefeito, que teve de responder perguntas sobre sua administração, para a maioria dos entrevistadores, ‘pífia’. Usou-se ataques contra o seu antecessor Imbassahy (que no seu dizer, havia deixado a cidade extremamente difícil para se governar, com muitas dívidas e problemas sérios na área da saúde- que ironicamente foi uma secretaria em que o PT deu continuidade), contra o PT (que na sua opinião, o traíra), contra ACM Neto (que é neto de Antônio Carlos Magalhães, antigo parceiro político de seu pai), e também apelou para a fé, ganhando muitos votos da comunidade evangélica.
No 2º turno, afirmou que todos os seus apoios eram ‘apenas pelas propostas’, e não por secretarias. ACM Neto no dia seguinte já lhe dava apoio, o que pode ter sido fundamental para sua vitória.
Bom, se depois do fim da ditadura, tivemos 2 prefeitos que não faziam parte do grupo dominante, ontem pela primeira vez um prefeito da antiga MDB se reelege. Se tratando de novas forças da política baiana, o ‘carlismo’ ainda está de pé, exerce seu poder, embora mais discretamente, assim como o ‘gedeísmo’ dá importantes passos para estar cada vez mais perto do governo estadual. O que podemos desejar para as futuras administrações é boa sorte, pois embora você não tenha votado nos candidatos que venceram essas eleições, você ama essa cidade, e torcer contra as administrações no poder para fazer valer o seu ponto de vista (no melhor estilo ‘secar’) pode causar anos de atraso para o município, o que será irreversível de se melhorar com apenas um mandato. Boa sorte João Henrique, que você tenha um bom mandato, que olhe para o povo carente dessa cidade e dê oportunidades, e não use como desculpa o pouco tempo para mudar, pois com mais 4 anos, queremos ver uma cidade muito melhor do que a que se encontra hoje.

*Escreverei um artigo sobre o neoliberalismo em breve.

domingo, 26 de outubro de 2008

Corintiano, maloqueiro e sofredor mano...

Equipe de 2ª maior torcida do Brasil volta a elite do futebol

Não foi doloroso como a maioria de seus fãs esperavam antes do início da série B: com 8 rodadas de antecedência, o Esporte Clube Corinthians Paulista conseguiu retorno a principal divisão do futebol nacional, ao vencer o Ceará por 2 a 0 no Pacaembu e o Grêmio Barueri (5º colocado) ser derrotado para o Paraná Clube. Matematicamente o clube do Parque São Jorge está na série A: a distância para o 5 colocado é de 19 pontos, e com 6 rodadas faltando para o fim da competição, o máximo que o Grêmio Barueri poderia somar é 18 pontos, portanto, mesmo que o Corinthians perca todos os jogos daqui pra frente, no mínimo ficará na 4ª colocação.
Mas 'relaxar' não parece ser a palavra de ordem para os alvinegros, que querem o título da série B (como o seu arqui-rival Palmeiras, em 2003) e fazer um desfecho de classe numa época difícil, que os corintianos não querem passar mais.
Com o fim da copa União (versão do campeonato brasileiro que valeu pelos anos de 87 e 88 com esse nome) surgiu o rebaixamento (nos primeiros campeonatos brasileiros, as equipes conseguiam acesso ao torneio nacional de acordo com suas colocações nos estaduais, e mesmo com a criação de ligas equivalentes a atual série B - chamadas na época de 'módulo amarelo'- não existia critérios para ascensão, não é a toa que o Guarani de Campinas, vicecampeão brasileiro em 86, disputou o 'módulo amarelo' de 87) e a possibilidade de ascensão de times de divisões inferiores.
O começo da década de 90 mostrou que grandes potências do futebol não teriam moleza: há quem já tenha sido rebaixado 2 vezes, como o Grêmio e Vitória (1991 e 2004), e alguns que ja foram até para a 3ª divisão (como Fluminense, rebaixado da A em 1997 e da B em 98, e o Bahia, rebaixado da A em 1997 e 2003 e da B em 2005 junto com seu rival, o Vitória).
Geralmente, times de expressão retornam a elite rapidamente, foi o caso de Palmeiras e Botafogo (que caíram em 2002 e já retornavam juntos à série A em 2004), Atlético Mineiro (rebaixado em 2005 e campeão da série B em 2006), Coritiba (rebaixado em 2005 e campeão da série B de 2007), Grêmio (rebaixado em 2004 e campeão da série B de 2005) e recentemente, o Corinthians, que caíra ano passado e que tem tudo para ser o campeão esse ano. Interessante é que geralmente os rebaixados, ao voltarem a série A, voltam mais fortes. Será que esse é o combustível que falta a Fluminense e Vasco para sonharem com dias mais gloriosos?

sábado, 25 de outubro de 2008

Lapidando o diamante da informação

Fatos ocorrem todos os dias, mas nem todos podem presenciar ao vivo o ocorrido (como mais de 50 mil pessoas podem presenciar uma partida a olho nu e milhões podem acompanhar por TV, rádio ou internet- sem precisar de alterações drásticas de jornalistas para a interpretação do jogo, que será interpretado de forma individual por cada espectador), e por isso a figura do jornalista é tão importante: este representará os olhos de várias pessoas, e quando relatar o fato, seus olhos valerão por todas essas que puderam ver a notícia com certo refinamento (um texto bem escrito e o conhecimento histórico para fazer o leitor ter o máximo de entendimento possível sobre o fato).
É claro que o jornalista tem uma vida pessoal, e nem sempre todos os locais que terá de cobrir farão parte de seu cotidiano: um renomado repórter com bom salário terá de se submeter a fazer matérias em lugares extremamente violentos (enquanto algumas profissões os empregados de maior status são poupados de atividades mais pesada, no jornalismo atividades deste porte tem de ser feitos justamente pelos mais renomados, que tem experiência para fazer um bom trabalho mesmo ciente do risco que está correndo), ou um repórter que leve uma vida simples e alternativa e terá que ir a lugares glamorosos e badalados se lhe for solicitado.
Autonomia é uma palavra que não combina tanto com jornalismo, por isso, tem de se cobrir o que o mundo pede, e não o que se quer apenas (o que não é algo ruim, afinal, estamos prestando serviço para o público em geral, e embora se possa escolher um público pelo qual se quer trabalhar- a exemplo do meu caso, o jornalismo esportivo-, deve-se levar em conta que mais importante do que o que se cobre- sendo do seu gosto ou não- é que estas coberturas farão um bem enorme para as pessoas que receberem a mensagem- por mais que as notícias não sejam positivas, o conhecimento é a melhor arma contra a ignorância, que por vezes pode ser confortável, mas aos poucos nos empurra para uma vida de fantasias onde imaginamos ter um controle que nunca foi nosso).
O jornalista não necessariamente deve quebrar as estruturas da sociedade, e sim incluir os fatos construtivos nessa própria estrutura, afim de fortalecer-la para o bem, tornando o mundo um lugar mais justo que possa melhorar de acordo com o seu ponto de vista.

São Caetano x Bahia - O jogo das controvérsias

Não é sadio insistir em críticas a arbitragem num torneio de pontos corridos, quando o maior responsável pela situação do seu time (que não nascera em apenas um jogo, mas no decorrer da competição) é a sua administração. Porém, no jogo de hoje contra o São Caetano, os torcedores do Bahia tem todo direito de questionar a péssima arbitragem que, embora não tenha sido a única responsável pela derrota tricolor, atrapalhou e muito qualquer esboço de reação.
O lance que deu o pênalti para o 2º gol do São Caetano pode ser considerado como interpretativo: a bola tocou na mão de Rogério, que até tentou tirá-la para não alterar o percurso da bola, que ia diretamente no pé do atacante Tuta, que teria uma grande chance de gol.
Os maiores absurdos surgiram no final da partida: com o time da casa ganhando por 2 a 0, o Bahia marcou um gol legal, tão clara a legalidade do tento que seu autor, Marcelo Ramos, estava há mais de 1 metro atrás do último homem do São Caetano, mas o bandeirinha carioca foi extremamente rápido para invalidar. Pouco depois, os tricolores fizeram um gol com Jones (que poderia ser o do empate e que certamente faria a equipe ficar mais atenta e segurar o resultado), mas em menos de um minuto o São Caetano fizera o 3º.
O maior absurdo foi a expulsão de Paulo Roberto: após uma falta que para a maioria dos árbitros merecesse uma simples marcação de falta, para Péricles Bassols Cortez mereceu um ‘amarelinho’ e, de forma inexplicável, Paulo Roberto, que não tinha cartão, foi expulso por receber o segundo cartão amarelo (o 4º árbitro também tinha essa anotação, que deve ter sido confundida com a infração do jogador do São Caetano de mesmo número de camisa, Luan, com a 11).
Se a arbitragem não bobear contra o Bragantino, quem sabe o Bahia não vence sua primeira partida fora de casa no returno?

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Viver sem dor

Bem amigos freqüentadores do meu blog (olá, tem alguém aqui?, hehe)! Eu estou num processo de unificação de meu conteúdo on-line, e quero juntar tudo que produzi em 7 sites pessoais (entre eles outros 3 blogs) e postar tudo no grandedobrasil.blogspot.com. Nem tudo ficará na mesma ordem, postarei aleatoriamente, até colocar todo o meu passado virtual aqui de forma organizada, dividida por temas. O primeiro post dessa 'nova era' será uma poesia chamada 'Viver sem dor', que escrevi após voltar da fazenda com meus pais e descobrir na volta da viajem que eles haviam decidido se separar. Foi uma dor para mim, tinha 14 anos na época e no dia seguinte não consegui prestar atenção na aula, e resolvi expressar no meio das explicações do professor as minhas sensações do momento, escrevi no caderno e deu este resultado:

Viver sem dor

Tem vezes que na vida
Não aguentamos caminhar
Sem vontade de viver
sem vontade de trabalhar

Só conseguimos crescer
Através da forte dor
E não conseguimos perceber
Que a vida não precisa de dor

Levante a cabeça, não desista, vá em frente
A vida não é feita de sofrimento minha gente
Cresça com os erros dos outros
Não com a dor
Pois a vida é feita de aprendizado e amor

Não espere ter uma grande dor
Para poder aprender
Que podemos crescer
Sem precisar sofrer

Nessa vida nada é maléfico
Nós precisamos saber
Que o acontecimento ruim
Serve para agente aprender

Conheça a grande síntese*
E os seus erros podem ser
Uma gota de renovação
Nesse seu grande ser

*Grande Síntese é uma espécie de força espiritual que visa enxergar a vida como uma série de acontecimentos divinos, em que todas as coisas pertencem a uma só unidade, e para estarmos em harmonia com o universo, precisamos enxergar que tudo faz parte da gente, pois somos parte da energia que faz a vida acontecer.

-> Post do blog Pense Positivo

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Lugar de jornalista é na rua

Como profissionais em busca de retransmitir para a sociedade os seus próprios valores (ou quem sabe conhecê-los para ajudar na transgressão construtiva), um jornalista precisa viver, sair de casa e conhecer o mundo pelo qual ele descreve.
Geralmente as coisas acontecem quando se está 'no mundo', e não na sua casa. Os livros são uma excelente ferramenta para o conhecimento, mas jamais substituirão a vivência prática de se expor, se envolver nas misturas do mundo, descobri-lo e depois relatá-lo. Um jornalista enclausurado no seu apartamento tenderá a ser um 'menino amarelo', e se tratando de jornalismo esportivo, deixar de cobrir os times de sua cidade (onde se tem oportunidade de ir aos treinos, conversas com os jogadores, ver os jogos de perto, compartilhar emoções com o torcedor presente e se emocionar pela proximidade das circunstâncias) para escrever sobre times distantes, nos quais não se acompanha a rotina dos jogadores e só se vê as partidas por tv, é como estar numa realidade virtual, onde do outro lado ninguém sabe da sua existência, e você acha que os conhece.
Deixar de ir ao centro de treinamento ver meu time de coração (e no qual eu estou escrevendo sobre) para ficar no sofá assistindo pela tv a Liga dos campeões da Europa enquanto como pipoca e guaraná me faria ser um 'foca* amarelo'. Um repórter sem tempero, sem ousadia, que busca conforto mesmo sabendo que o primordial é ir a fonte buscar a informação, e não recorrer a outro jornalista se submetendo a condição de 'parasita' (já que numa cobertura de torneio internacional se está pegando carona do trabalho de outros profissionais da comunicação, que transmitem, editam, comentam, e você dará apenas palpites de mesa de bar sem saber a fundo toda complexidade que envolve a partida ocorrida tão longe de você).
Jornalista ético, sério e competente vai buscar da fonte as suas respostas, e não se aproveitar das respostas direcionadas a outros jornalistas e assim apenas 'mudar as palavras' para dar a impressão que esteve 'no mesmo lugar do concorrente'. Com a internet, os furos de reportagem perderam parte de seu valor, já que a instantaneidade das informações fazem a corrida não parecer diária, e sim a cada segundo, logo, segundos são tão poucos que não se sabe quem descobriu algo novo primeiro.
Portanto jornalistas, tratemos de 'sujar as mãos' (no sentido de renunciar ao luxo e cair no mundo real) para sermos independentes (não quero dizer ausência a subordinação de alguma empresa, e sim competência para lidarmos sozinhos- ou com a nossa equipe- com a responsabilidade de dar nossas informações, para isso, estudemos, pratiquemos, e principalmente, vivemos!)

*Foca é como são chamados os jornalistas iniciantes

obs: Eu acho que dias em casa sozinho tem o seu valor, refletir, ler um livro e ociar terão seu espaço no cotidiano, só que como jornalistas, não podemos nos dar ao luxo de 'não sair de casa' (em algumas profissões seria até aceitável), pois temos uma responsabilidade de informar, e parte das informações não se encontram na bolha em que você vive isolado, e sim no mundo diverso que você terá de encarar.