quinta-feira, 15 de abril de 2010

O ‘Ato médico’: a regressão para os tempos mais remotos

O mesmo mundo que luta para integrar os mais diversos diálogos políticos, seja com a formação da União Européia e a unificação de uma só moeda para o velho continente, é o mesmo mundo que procura diferenciar a todos os aspectos da vida em sociedade, pois a igualdade só existe quando as diferenças são respeitas.

Na luta por igualdade, os grupos minoritários não lutam para receber a mesma forma de tratamento que o grupo dominante, e sim para serem respeitados pelas suas diferenças. Um mundo justo passa pela idéia da existência das diferenças, pela sensibilidade em enxergar as diferentes capacidades de cada ser humano e também as suas limitações. Se a importância de cada ofício é relativa, é unânime a consciência que, ao longo da história, o poder se comportou de forma muito melhor quando passou a ser dividido. O homem questionou a sua existência, a igreja que legitimou o poder dos reis pela primeira vez passava a ser confrontada e não mais era vista como “a representante de Deus na Terra”. O rei, antes absoluto, foi derrubado na França, e a Revolução Francesa foi um marco tão importante que influenciou movimentos populares em todo o mundo. Nenhuma pessoa ou grupo pode arcar com a responsabilidade de fazer sua comunidade feliz: todo o peso de lidar com questões nas quais não se é especialista cairá diante de alguém que não teve a capacidade suficiente de ser eficiente em tantas coisas, a maioria das quais longe do seu ofício.

Parece brincadeira, mas o Brasil hoje busca regredir para uma época da qual se quer havia sido descoberto pelos portugueses: em pleno terceiro milênio, um grupo quer dar plenos poderes aos médicos, até mesmo em setores nos quais outros profissionais se tornaram especialistas com muito investimento, e que agora precisará do consentimento dos formados em medicina para por exemplo, lidar com um dilema na área de psicologia. Quem irá arcar com as conseqüências da burocratização desse novo sistema de saúde? Os procedimentos precisam ser cada vez mais rápidos na medida em que o tempo passa e as tecnologias se desenvolvem, e os pacientes correm o risco de terem a sua paciência testada até o limite.

Um país como o Brasil, que a tão pouco viveu a experiência da ditadura, deveria ter aprendido a lição, mas se caso o Ato Médico for aprovado, regrediremos até os anos 60. O autoritarismo nas relações de trabalho farão os médicos dominarem a área de saúde, que é formada também por psicólogos, dentistas, fisioterapeutas e demais profissões que lutaram muito para terem os seus direitos garantidos. Está na hora de o ‘país do futuro’ não mais ser uma promessa, e sim uma realidade, na qual a área de saúde se desenvolva cada vez mais nos mais diversos setores, e o Ato Médico certamente congelará a nação brasileira, já tão burocrática e com tantos grupos privilegiados.

domingo, 11 de abril de 2010

Histórias

O Esporte Espetacular desse Domingo fez uma ótima matéria sobre o time mais antigo do Mundo. Contou toda a história do Notts County, de Notthingham. Esteticamente não deixou a desejar, mas pecou em algo muito mais grave: o time mais velho do Mundo é o Sheffield F.C., e não o Notts County. O primeiro citado foi fundado em 1857, o segundo, em 1862, e talvez a produção da Globo tenha se precipitado nas pesquisas, pois a verdade é que, dentre os times que sobrevivem até hoje como profissional, o Notts County é o mais antigo. O título da matéria deveria ser "Esporte Espetacular mostra o time mais antigo a sobreviver como profissional", e não "Esporte Espetacular mostra o time mais antigo do mundo". Embora minha sugestão de título seja menos impactante, é a verídica. Mandei um e-mail para a Rede Globo a fim de sugerir a correção numa próxima errata. Está assim escrito:

"Bem amigos. Muito boa a matéria sobre o Notts County, mas na verdade, o time mais antigo do Mundo é o Sheffield F.C., está no livro de Lédio Carmona e Gustavo Poli
"Almanaque do Futebol". No site do Sheffield eles se intitulam "The Oldest Football Club In The World": http://www.sheffieldfc.com/ . Ja no estádio do Notts County, "World's oldest football league club". A diferença? O Sheffield nasceu em 1857 mas não é profissional. O Notts County foi fundado cinco anos mais tarde, mas é o mais antigo a sobreviver como profissional. Escrevi uma postagem a respeito no meu blog http://grandedobrasil.blogspot.com/2010/04/historias.html. Abraços."



A história pode trazer óticas diferentes, mas os fatos não podem ser subvertidos: informações podem trazer interpretações diversas, mas continuam sendo códigos de comunicação no qual a alteração de uma palavra (ou até mesmo letra) pode fazer toda a diferença.

Desde a sétima série penso em fazer jornalismo. Foi depois de assistir à um Globo Repórter sobre a Copa do Mundo de 2002 que o meu fascínio se aflorou e passei a pesquisar mais sobre a profissão de jornalista. Nesse tempo, pude conhecer pessoas da área, viajar por lugares diferentes e conhecer a sua imprensa local - São Paulo, Salamanca, Madrid, Barcelona, Milão e etc - e fazer pequenos serviços, nenhum deles remunerado. O fato é: eu não tenho experiência profissional. Aprofundando um pouco mais os detalhes sobre a minha vida posso provar que tenho experiência em muitas vivências que podem me fazer um grande profissional. Tirei fotos e escrevi matérias para o site futebolnordestino.com.br . O site não existe mais, foi uma aposta arriscada em que eu e minha colega Luciana Ferraz resolvemos investir dinheiro e energia, pagando do próprio bolso as idas e vindas do Centro de Treinamento do Bahia em Itinga (o Fazendão) e fazendo contato com a matriz de Recife. O site não vingou por falta de anunciantes: num Mundo tão competitivo, lutamos pela vitória, mas devemos aceitar as derrotas. De qualquer forma, estivemos no dia da confusão em que a torcida invadiu o campo e até cedemos imagem para um site de Salvador.

Fui para a Europa no final do ano de 2008. Ao regressar ao Brasil, tentei continuar no futebolnordestino.com.br e fiz algumas matérias para o 'oscampeosdabola.com.br', que também está fora do ar. Prefiro não comentar muito sobre o que não deu certo, mas a verdade é que eu trabalharia para uma empresa que geria sites de diversos grupos, entre eles o programa esportivo 'os campeões da bola', da rádio Metrópole. Faltou assinar o meu contrato e então preferi aguardar por oportunidades mais concretas enquanto continuava me dedicando aos estudos. Estudar, ler e buscar programas culturais são coisas que reforçam o caráter de um jornalista. No meio do ano, trabalhei por um mês, durante as férias do meio do ano, na Câmara Venezuelana Brasileira de Comércio e Indústria em São Paulo. Lá escrevi duas matérias para a revista da Câmara, a Venbras - de assuntos nos quais tive que pesquisar e sair em busca do fontes pela capital paulista, sendo uma matéria sobre a diferença entre as culinárias venezuelana e brasileira e outra sobre o museu do futebol, no qual eu visitei com a credencial de imprensa. Fui para alguns seminários representando a Venbras, de terno e gravata, ao lado do meu colega e até hoje amigo Osvaldo, o assessor político da Câmara que com toda a sua experiência me ensinou como eu deveria me portar próximo das autoridades. Também fui responsável por fazer ligações para consulados, câmaras de comércio, a Embaixada brasileira em Caracas, a Embaixada Venezuelana em Brasília e empresas parceiras da Câmara Venezuelana Brasileira de Comércio e Indústria. Ligar, lembrar, mandar e-mails e etc, o trabalho de produtor é difícil, mas gosto de desafios e busco estar a altura sempre.

Chegando de São Paulo, continuei buscando mais e mais vezes estágio, mandando currículos, olhando sempre as vagas do CIEE e IEL, e tudo que eu achava eram estágios para o turno matutino, e eu estudo pela manhã. Nas horas vagas, além dos estudos e leituras habituais, costumo ir a seminários sobre teatro e Cinema e fazer cursos como inglês no ACBEU, do qual sou formado, e Programação Neuro Linguística (PNL). Nem sempre as coisas vêm tão rápidas, é preciso ser paciente. Para construir histórias, é preciso amar desafios e fortalecer duas grande virtudes antagônicas: paciência e pró atividade. Mesmo diferentes, essas características, quando entram em harmonia fortalecem não só um grande profissional, mas também uma pessoa feliz.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Fatos relativos

As nossas escolhas podem ser tomadas num curto espaço de tempo, mas podem ter efeitos enormes no futuro. A Portuguesa de Desportos, time da Capital Paulista, rejeitou Maradona por achá-lo muito caro para um jogador tão novo. Esse 'diamante argentino' foi lapidado, é considerado um dos melhores jogadores da história do futebol e os torcedores da Lusa até hojem devem se arrepender disso.

Na Copa de 1958, Garrincha e Pelé não foram aprovados no teste psicológico: o primeiro era 'burro demais para jogar futebol', o segundo, 'agressivo em demasia'. Imagine se Didi não pressionasse o técnico Feola para colocá-los como titular? Talvez não vencêssemos aquela Copa, e sem o primeiro passo vitorioso, quem garante que posteriormente ganharíamos mais alguma Copa? Como no filme 'Efeio Borboleta': um fato pode mudar toda a história.

Se experiência fosse determinante para o sucesso, o técnico Dunga não estaria na frente da Seleção Brasileira: podem questionar o seu estilo feio de armar o time (pejorativamente apelidado de 'dunguismo'), mas os resultados não negam: ele faturou a Copa América em 2007, Copa das Confederações em 2009, ficou com a medalha de bronze nos jogos olímpicos de 2008 em Pequim tendo que conhecer os jogadores nas vésperas e terminou em primeiro lugar das Eliminatórias Sulamericanas. Sua experiência não vem do ofício de treinador, e sim de jogador, e se a vida for interpretada como uma competição, jogamos sempre pela vitória e absorvemos todas as nossas experiências, sendo de um ofício específico ou não. Para ser um grande enegenheiro é preciso ter experiência no campo das relações humanas - a fim de impôr o respeito entre os trabalhadores de uma obra, por exemplo - para ser médico, é preciso ter experiência em lidar com gente, e para ser um grande jornalista, é preciso estudar, ler bastante, e acima de tudo, ter o desejo de ser lapidado. Todos somos diamantes, uns mais brutos e outros mais laipidados, o que nos diferencia é a nossa coragem e desejo de aprender cada vez mais.

Casa cheia na posse do Sindseg-RS

Matéria minha para o site do CQCS - Centro de Qualificação do Corretor de Seguros.
http://www.cqcs.com.br/noticias_detalhe.asp?iidarea=1&iidNoticia=51220&filtro=0&pag=0,51226,51225,51224,51223,51222,51221,51220,51219,51218,51217&lk=3
http://www.segs.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=6446:casa-cheia-na-posse-do-sindseg-rs-&catid=45:seguros&Itemid=324

Casa cheia na posse do Sindseg-RS

Data: 07.04.2010 - Fonte: CQCS | Lucas Franco

A nova diretoria do Sindseg-RS tomará posse hoje as 20h na Sociedade Ginástica de Porto Alegre (Sogipa). Após 24 anos com Miguel Junqueira Pereira (Previdência do Sul) na presidência, Júlio César Rosa (HDI Seguros) e outros 19 executivos de grandes companhias seguradoras do Rio Grande do Sul aguardam ansiosamente pela festa. "A expectativa é a melhor possível, com grande público", afirma um dos vice presidentes, Alberto Carlos Lohmann.

O novo presidente Júlio Rosa antecipa que não haverá tantas mudanças no primeiro ano de gestão. "Faço parte do sindicato a 15 anos, já temos um caminho segmentado". A posse traz grande mudança no cenário gaúcho e nacional dos seguradores, e promete gradativamente conscientizar a sociedade para o reconhecimento da profissão. "O consumidor tem que comprar da seguradora da mesma forma que compra produtos nas prateleiras de supermercado". Tendo começado no Conselho fiscal e com reconhecido engajamento na área, Júlio Rosa deixou um recado para os Corretores de todo o Brasil. "Entenda a sua seguradora da mesma forma com que entende o seu cliente. Compre de quem tem o produto e a demanda".

quinta-feira, 1 de abril de 2010

As mentiras que o Mundo gostaria que fossem verdade

Nem toda mentira perdura para sempre, nem toda piada para sempre existirá. O antigo símbolo da falsidade hoje é a mais pura verdade: ninguém pode ser tão falso como uma nota de dois reais depois que a cédula em questão é criada. Hoje, o 'duas caras' é rotulado de 'falso como uma nota de três reais', até o dia em que uma cédula de três reais for criada.

As novidades contagiam, mas após a euforia vem a reflexão: o que mudou no Mundo após um negro ter se tornado presidente dos Estados Unidos? Envolvido em antigas guerras e com a permanência da ocupação de suas tropas em países distantes, Barack Obama conseguiu a proeza de ganhar o prêmio Nobel da Paz. Bom, aomenos a incoerência continuará sendo uma sina universal. O racismo não pode ser superado apenas com vitórias simbólicas: é preciso esquecer fatos isolados e se concentrar no que verdadeiramente é... verdadeiro.

Nada pode ser tão verdadeiro como o que sentimos. Nada pode ser tão real como o nosso cotidiano, ao menos até hoje, onde o Corinthians permanece sem Libertadores, a Aids permanece sem cura e a nota de três reais ainda não foi inventada. Muitos times de futebol faturaram conquisas inéditas, muitas doenças tem sido estudadas e a nota de dois reais ja foi lançada. O Internacional de Porto Alegre ja não pode mais receber a alcunha de 'Inter regional', a varíola foi extinta e o Mundo ainda tem muito pelo que comemorar. Em todos os primeiros de Abril daqui para frente haverão mentiras. Muitas delas não farão sentido, outras insistirão em existir. Só há um primeiro de Abril por ano, mas por 365 dias no ano muita gente continua sonhando com as mentiras de hoje, e quem sabe, verdades de amanhã.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Esportes fechados

Pouquíssimas nações hoje ainda resistem ao modelo socialista: com o fim da União Soviética, os seguidores de Marx se viram forçados a reconhecer uma derrota histórica, e aos poucos, novos países foram surgindo, na maior mudança geo-política da história. No fim dos anos 80 e início dos 90 os Atlas sofreram tantas atualizações que o planeta parecia ser outro, agora não mais com a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) que foi dividida em 15 países, sendo o maior e mais influente deles, a Rússia, o que responde por todo o histórico esportivo dos 'vermelhos', embora no basquete, por exemplo, os melhores jogadores soviéticos eram os lituanos, mas os resultados da União Soviética foram transferidos para o histórico da Rússia, e não para a Lituânia.

Fidel Castro, líder político de Cuba, está no poder a quase meio século e provavelmente sua família dará continuidade ao regime, que vem enfraquecendo nos esportes: nos Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim, sua modesta 28ª posição e apenas dois ouros são uma prova de que a potência de outros tempos não assusta nem Jamaica, Nova Zelândia e o próprio Brasil, todos eles na frente da ilha de Fidel no quadro de medalhas. O aspecto interessante é que o 1º colocado no quadro geral foi a China, com 100 medalhas, 51 delas de ouro. Todos respeitaram a superioridade dos anfitriões do evento, menos os Estados Unidos: a imprensa americana distorceu os fatos, dando méritos maiores para o número de medalhas conquistadas (a soma de ouro, prata e bronze), e os EUA conquistaram 110 medalhas ao todo (10 a mais que a China), mas 'apenas' 36 de ouro. Para quem não está acostumado a não liderar o quadro de medalhas nas Olimpíadas é realmente difícil se adaptar aos novos tempos.

Mesmo sendo um país socialista, o fornecedor de material esportivo da Delegação cubana é Adidas, inclusive Fidel Castro usa frquentemente um casaco da marca alemã que carrega do lado esquerdo do peito a bandeira cubana. Se parece ser controverso a Adidas (para muitos, um dos grandes símbolos do capitalismo, ao lado de Nike e Coca-Cola) ser aceita nas roupas da delegação de um país onde o consumo é controlado e o Estado comanda todas as atividades nacionais, o que dizer da Coréia do Norte, muito mais fechada, e que também ja foi patrocinada pela Adidas?
Hoje o patrocinador da Seleção Norte-Coreana de Futebol é a Erke. Há mais credibilidade em ser patrocinada por uma empresa chinesa, afinal, na guerra das Coréias a República Popular da China foi aliada da República Democrática Popular da Coréia (nome oficial da nação ao norte da penísula). A China é o único país que tem vôos internacionais para o país do 'líder supremo' Kim Jong-Il, e a mágoa dos seus súditos pelo Japão e Estados Unidos é tanta que a última coisa que podemos esperar um dia é a Nike ou Mizuno patrocinarem qualquer coisa que tenha a ver com a Coréia do Norte, que por sinal, contraditoriamente conta com patrocínios e deixa de se reafirmar como 'auto-suficiente'.

Por trás de uma marca e sua nacionalidade há muita responsabilidade, nem todas as peças se encaixam umas as outras.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Vale a pena proteger o patrimônio histórico?

Por trás de tantos 'elefantes brancos' que enxergamos pelas ruas há uma história secular que protege muitos desses de serem demolidos. A agressividade das construtoras passa até por cima do meio-ambiente, mas ainda não consegue driblar a resistência dos que lutam para proteger o patrimônio histórico cultural. Não deixa de ser justo, afinal, a história viva nos conta um pouco do que foi o Mundo de outros tempos, e compreendendo-os dessa forma, entendemos em parte porque estamos aqui hoje. O que seria de Petrópolis hoje se não fossem suas saudosas lembranças do tempo em que era sede do Império? Os museus são um excelente mecanismo de se fazer dinheiro com obras que não podem ser demolidas (freando os ímpetos expansionistas do mercado imobiliário), mas se esse pontencial não for explorado, é melhor nos acostumarmos com a idéia de que as melhores lembranças de certos lugares serão através de fotografias. Não deixa de ser um 'sacrifício' o ato de derrubar uma construção antiquissima, mas as vezes é preciso se sacrificar para manter o bom funcionamento de uma cidade, e o bom funcionamento de uma cidade não depende apenas das obras do Estado, e sim da iniciativa privada, que tanto emprega e mantém famílias, mas faz questão de se expandir.

Todo progresso deveria ser pensado com mais cuidado, e nos dias atuais, em que 'tempo é dinheiro', a pressa tem agredido a todos de forma irreverssível sem nem percebermos, pois quando nos damos conta, um edifício enorme já vendeu todos os seus lotes em cima de uma antiga área verde que vem se tornando cada vez mais rara nas grandes cidades. A ONU recomenda que haja duas árvores por habitante para que uma cidade tenha uma boa 'saúde ambiental'. O que estão fazendo com Salvador hoje é um crime ecológico dos mais graves, pois o surgimento de novos empreendimentos tem passado dos limites, a frota de carros consequentemente aumentará e se quer há metrô como alternativa (breve colocarei os dados precisos sobre frota de carros, novos empreendimentos, proporção área verde/população...). Se o patrimônio histórico na capital baiana é preservado, a natureza por outro lado é esquecida.

O Uruguai, sede da primeira Copa do Mundo, em 1930, já não conta com o estádio onde ocorreu a 1ª partida de todos os Mundiais: o Estádio de Pocitos (no bairro de mesmo nome) deu lugar a algumas casas. De qualquer forma, há marcos históricos sinalizados de, por exemplo, onde foi dado o ponta-pé inicial da partida França x México (a primeira de todas) e onde foi marcado o primeiro gol (do francês Laurent). Foi uma maneira criativa de não cultivar um elefante branco e ao mesmo tempo preservar a história. O Estádio de Pocitos era muito diferente do Centenário (da mesma cidade, Montevidéo). Se quer seria praticável uma partida profissional nele nos dias de hoje, logo, não havia como explorar tanto do seu potencial, diferente do Wembley em Londres, demolido (embora com condições normais de se abrigar jogos profissionais) e reconstruído, mas que perdeu traços da sua arquitetura tradicional e deu lugar a um dos estádios mais modernos da atualidade. A discussão sobre Wembley é naturalmente polêmica, mas no caso de Pocitos eu não sei se houveram muitas pessoas contra.

Ontem o Esporte Espetacular mostrou como está hoje o lugar onde era o estádio de Pocitos.
Abaixo está o resumo dela.