segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Bahia, desista da Copa Sul-Americana

O Campeonato Brasileiro de pontos corridos cria objetivo para os 20 times da Série A. Título, vagas na Libertadores e Copa Sul-Americana, além da luta contra o rebaixamento, fazem o Brasileirão ser estimulante, e cada "grupinho" vive sua competição à parte. O Bahia disputa a permanência na Série A e uma classificação para a Copa Sul-Americana.

Eu não entendo o que leva o Bahia a se interessar pela Copa Sul-Americana, um torneio que tanto atrapalha os clubes que a disputam. Se Vasco e Flamengo, que têm elencos fortes, dificilmente reverterão seus revezes, quanto mais o Bahia, que sequer tem um time titular de respeito. Claro que entrar na zona de classificação do torneio é consequência de se distanciar do rebaixamento, mas a expectativa gerada em torno de disputar a Sul-Americana parece não reconhecer o desgaste de jogar três vezes por semana (lembrem da partida contra o Cruzeiro dia 12, quando a equipe mineira levou vantagem por ter ficado uma semana sem jogar).

Se ano que vem o Bahia tiver numa situação parecida com a que vive esse ano, será melhor colocar o time B para disputar esse torneio internacional, porque Série A é prioridade. Pobre Taça Governador do Estado, que receberá o time C do Esquadrão. O elenco do Bahia é fraco, mas Joel Santana colabora para mostrar tamanhas limitações.

Contra o Avaí, apostou no volante Camacho no papel de meia, e teve que ouvir o couro de "burro" da torcida para fazer as substituições que garantiram o triunfo (as entradas de Lulinha e Maranhão). Contra o Vasco hoje, inventou uma formação com três volantes e três atacantes de ofício, quando que a alternativa mais lógica seria colocar um meia (Maranhão era o favorito para a vaga) e dois atacantes. O Vasco não perdoou.

De qualquer modo, o fato é que o Bahia não tem banco, e sem bons reservas é impossível suprir as ausências de atletas do nível técnico de Ricardinho e Carlos Alberto. Jogadores de currículo internacional como eles só vestem a camisa tricolor se estiverem num momento de declínio, rendendo abaixo do que já jogaram, pois se atuassem em alto nível, não faltaria mercado para eles. Pra completar, Carlos Alberto sempre "está contundido".

Definitivamente, o Bahia deve pensar em, a longo prazo, crescer no Brasileirão, buscar outros objetivos. Os frutos poderão ser colhidos, seja com a construção do novo Centro de Treinamento ou a democratização do clube. Libertadores é sonho a longo prazo. Copa Sul-Americana, hoje, é pesadelo.
Os campeões mundiais Carlos Alberto (com o Porto em 2004) e Ricardinho (com o Corinthians em 2000 e com a Seleção em 2002) chegaram para ser titulares: você acha que eles renderam no Bahia?

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A Copa da ilusão

A cena que mais me chamou atenção hoje, dia em que São Paulo foi oficializada como cidade da abertura da Copa de 2014, foi a alegria de um operário. Ao ser entrevistado pelo repórter Mauro Naves, da TV Globo, o trabalhador abriu um sorriso de contentamento pelo feito e ainda fez merchandising, citando o nome da construtora pela qual trabalha. Ora, o Estádio de Itaquera está tão atrasado no cronograma de obras que sequer fará parte da Copa das Confederações de 2013. O paulistano não deveria comemorar. Alías, o brasileiro, do Caburaí ao Chuí, deveria ser contra a Copa do Mundo de 2014.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A paixão em números

Futebol sempre foi minha paixão. Mas por não ter quem me levasse para o estádio, assistir meu time jogar era o "evento do ano". Meu pai não compartilhava comigo o fascínio pelo esporte mais popular do mundo, e durante minha infância, só pude visitar a Fonte Nova quando meu tio Zé de Freitas, amigo de infância de meu pai e tricolor, ia junto.

Nunca vou esquecer da primeira vez que vi meu time de coração em campo. Vencemos o Paraná Clube de virada, por 2 a 1, em 11 de setembro de 1997. Meus olhos brilharam ao ver aquele gramado verdinho, iluminado pelos fortes refletores. Com o tempo, me tornei "independente", e de carro passei a frequentar mais vezes o Bahia. Ainda assim, eu acho que vou pouco. Quero ir mais vezes.

Tantas idas ao Barradão tem um motivo: embora eu não seja torcedor do Vitória, eu sentia carência de assistir futebol no estádio, e um tio meu, rubro-negro roxo, me levava algumas vezes. Ainda assim, nunca me "bandiei" para o lado de lá. Até já fui ver o rival jogar depois de adulto, como mero observador, uma espécie de antropólogo futebolístico.

Abaixo, um gráfico com o número de vezes que eu fui a algum estádio de futebol, a cada ano, contendo informações interessantes sobre algumas partidas e, mais abaixo, todos os jogos que já fui em minha vida. Viva o futebol. Bora Baêa Minha Porra!



Abaixo, lista de todas as partidas de futebol que ja fui em minha vida, com suas datas, competições e respectivos estádios, lembrando as siglas: Fonte Nova (FN), Barradão (B), Santiago Bernabeu (SB), Camp Nou (CN), Pituaçu (P), Morumbi (M), Parque Antárctica (PA), Rua Javari (J) e Canindé (C).

JOGO /COMPETIÇÃO /ESTÁDIO /DATA
Bahia-2x1-Paraná Série A (FN), 11-9-97
Vitória-2x0-Bragantino Série A (B), 17-9-97
Bahia-1x4-Internacional Série A (FN), 22-10-97
Bahia-1x2-Ceará Série B (FN), 24-9-98
Brasil-2x2-Holanda Amistoso (FN), 5-6-99
Vitória-0x3-São Paulo Série A (B), 10-11-99
Bahia-1x3-Flamengo Copa do Brasil (FN), 24-5-00
Bahia-2x0-Santos Copa do Brasil (FN), 11-4-01
Bahia-3x1-Sport Camp. Nordeste (FN), 28-4-01
Bahia-1x0-Náutico Camp. Nordeste (FN), 27-4-02
Bahia-1x2-Botafogo Série A (FN), 28-9-02
Bahia-2x1-Vitória Série A (FN), 15-6-03
Vitória-1x2-Corinthians Série A (B), 5-10-03
Bahia-1x1-Vitória Camp.baiano (FN), 11-4-04
Bahia-3x1-CRB Série B (FN), 1-7-04
Bahia-1x0-Náutico Série B (FN), 10-10-04
Bahia-1x1-Grêmio Série B (FN), 7-8-05
Bahia-3x0-Santo André Série B (FN), 3-9-05
Bahia-4x3-Icasa Série C (FN), 20-8-06
Bahia-0x2-Ipatinga Série C (FN), 28-10-06
Bahia-2x4-Vitória camp.baiano (FN), 11-3-07
Bahia-5x6-Vitória Camp.baiano (FN), 22-4-07
Bahia-1x0-Crac Série C (FN), 14-10-07
Bahia-1x1-Altético-Go Série C (FN), 11-11-07
Bahia-0x0-Vila Nova Série C (FN), 25-11-07
Vitória-0x2-Cruzeiro Série A (B), 10-05-08
Vitória-4x0-Figueirense Série A (B), 24-05-08
Vitória-1x0-Santos Série A (B), 08-06-08
Vitória-1x3-São Paulo Série A (B), 16-07-08
Vitória-1x0-Náutico Série A (B), 23-07-08
Vitória-1x0-Coritiba Série A (B), 14-09-08
Vitória-0x0-Flamengo Série A (B), 29-10-08
R.Madrid-1x0-Valencia La Liga (SB), 20-12-08
Barcelona-5x0-D.L.Coruña La Liga (CN), 17-01-09
Bahia-2x0-Poções camp.baiano (P), 11-02-09
Bahia-4x1-Feirense camp.baiano (P), 15-02-09
Bahia-3x1-Colocolo camp.baiano (P), 26-02-09
Bahia-1x0-Ceará Série B (P), 23-05-09
São Paulo-2x0-Náutico Série A (M), 27-06-09
Palmeiras-1x1-Santos Série A (PA), 28-06-09
Juventus-0x0-PAEC Copa Paulista (J), 11-07-09
Vitória-0x0-Altético MG Série A (B), 19-07-09
Bahia-2x1-Vasco Série B (P), 25-07-09
Brasil-4x2-Chile Eliminatórias (P), 09-09-09
Vitória-2x0-Internacional Série A (B), 19-09-09
Bahia-1x2-Duque de Caxias Série B (P), 29-09-09
Bahia-2x2-Fortaleza Série B (P), 06-11-09
Bahia-2x0-Guarani Série B (P), 21-11-09
Bahia-1x1-Internacional Amistoso festivo (P), 13-12-09
Vitória-2x0-Bahia camp.baiano (P), 24-01-10
Bahia-2x1-Vitória camp.baiano (P), 28-02-10
Bahia-1x0-Atlético-GO Copa do Brasil (P), 31-03-10
Galícia-1x3-Catuense camp.baiano série B (P), 01-05-10
Bahia-1x0-América-RN Série B (P), 07-05-10
Bahia-2x0-Sport Série B (P), 29-05-10
Bahia-0x1-Duque de Caxias Série B (P), 04-06-10
Bahia-2x2-Figueirense Série B (P), 31-07-10
Bahia-2x1-Paraná Série B (P), 10-08-10
Bahia-3x0-Náutico Série B (P), 15-10-10
Vitória-4x2-Vasco Série A (B), 30-10-10
Vitória-0x1-Cruzeiro Série A (B), 07-11-10
Ypiranga-3x2-Galícia camp.baiano série B (P), 30-04-11
Bahia-1x1-Atlético-MG Série A (P), 12-06-11
Bahia-0x1-Corinthians Série A (P), 29-06-11
Bahia-1x1-Botafogo Série A (P), 10-07-11
Bahia-0x0-Coritiba Série A (P), 24-07-11
Bahia-1x2-Santos Série A (P), 21-08-11
Portuguesa-3x3-Icasa Série B (C), 27-08-11
Bahia-0x0-América-MG Série A (P), 1º-09-11
Bahia-1x0-Atlético-PR Série A (P), 21-09-11
Bahia-3x2-Avaí Série A (P), 1º-10-11
Bahia-0x0-Cruzeiro Série A (P), 12-10-11

sábado, 8 de outubro de 2011

O que é paixão o tempo não apaga

Fenômenos pop passaram a existir quando tecnologias se tornaram capazes de expandir informação com mais abrangência. O rádio criou mitos como Elvis Presley e Frank Sinatra, cultuados até hoje. Com o tempo, o mercado passou a produzir ídolos descartáveis em larga escala. Minha tia foi fã dos Menudos, banda porto-riquenha de muito sucesso entra as garotas dos anos 80. Hoje, lhe restam apenas lembranças, sem nenhuma incondicionalidade ou fervor.

"Justins Biebers" estão fadados a sumirem e suas fãs, a tratarem tais ídolos como tolices da juventude. O que é paixão o tempo não apaga, e hoje, parece faltar paixões duradouras no mundo. Em meio a tantas relações artificiais, os clubes de futebol tradicionais dão uma aula de como se eternizar o sentimento, incondicional enquanto vivermos.

Bahia x Harry Potter

Nos cinemas de Salvador, o documentário “Bahêa Minha Vida” bateu o último filme da série Harry Potter em pré-venda de ingressos na semana de estreia. Mais do que justo. De um lado, milhões de torcedores representados em 80 anos de história do Esporte Clube Bahia. Do outro, uma saga que completou uma década nos cinemas e que, futuramente, será apenas uma lembrança, sem continuidade e fervor, que fez “apenas” 600 soteropolitanos comprarem com antecedência os ingressos para assistirem o bruxinho mais querido do pedaço. Enquanto isso, 1.000 tricolores garantiram suas entradas para transformarem as salas de cinema em arquibancadas.

Desrespeito ao torcedor

Os próprios clubes de futebol correm riscos de acabarem com suas torcidas. A cada vez que o preço do ingresso sobe, tenha certeza, a arquibancada vai perdendo parte do seu tempero. O “embranquecimento” da massa é percebido de longe. Um país miscigenado como o Brasil não comporta um só tipo de torcedor, mas ao que parece, os cartolas estão excluindo o povo da festa, assim como já fizeram na Inglaterra, onde o valor das entradas é tão obsceno que o torcedor comum passou a adotar os pubs como os locais para acompanhar sua paixão, enquanto os estádios parecem cemitérios, em que sentar na cadeira é a única alternativa para acompanhar a partida. Futebol não é teatro, cinema ou concerto. Futebol é festa, emoção, gritaria e pulos. É o momento em que ricos e pobres podem se abraçar, sem se conhecerem, porque todos estão ali unidos por uma só energia.

Há tempos a Federação Paulista de Futebol tem se esforçado para dar um perfil careta aos torcedores com a regra do “não pode”: não pode entrar com bandeira com mastro de bambu, não pode levar instrumentos, não pode isso, não pode aquilo. Ora, num momento de uma briga entre torcidas, o mais inusitado será ver alguém segurar um enorme bambu, difícil de manejar, para acertar a cabeça do rival. Sejamos razoáveis: há outras armas muito mais letais, e a ausência de bandeiras e música só deixa o espetáculo sem tempero. A maioria das brigas entre torcedores são protagonizadas pelos membros das chamadas “organizadas”, e esses não necessariamente escolhem o estádio como campo de batalha. Qualquer lugar é propício para marcar um acerto de contas.

O lado bizarro do futebol

Nem todo clube de futebol mobiliza as multidões. Hoje em dia, futebol virou um negócio lucrativo. Os empresários da bola não dão bobeira e compram significativo percentual dos direitos federativos dos atletas, que se tornam reféns das ambições dos seus agentes e acabam deixando um clube, onde a longo prazo poderia se chegar ao estrelato, para ganhar dinheiro fácil em países onde a isenção fiscal permite que jovens recebam promessas “irrecusáveis”. O jogador, que já poderia ter um farto pé de meia, não recebe orientação do empresário e torra a fortuna sem pensar no futuro e corre o risco de desaparecer do mapa da bola. Os mais prejudicados, no entanto, são os clubes, que fazem dívidas enormes para equiparar bons salários com “jogadores de aluguel”, pertencentes a empresários que não abrem mão de ceder parte dos direitos federativos por uma grana preta.

Americana, BOA Esporte e Grêmio Barueri não acrescentam nada para o nosso futebol. São clubes que deslocarão sua sede para outra cidade quando foi conveniente, não se importando em criar identidade em lugar algum, pois acreditam que não tem torcedores. O Grêmio Barueri passou a ter um clube de futebol profissional em 2001. De lá pra cá, saiu da sexta divisão de São Paulo até a elite do futebol nacional e estadual. Já no topo, preferiu por mudar-se para a cidade de Presidente Prudente, a 587 km. Os habitantes de Barueri se revoltaram, muitos disseram que passariam a torcer contra o “Grêmio Itinerante”. Mas a passagem pelo oeste paulista durou apenas um ano e meio, e nesse semestre, a equipe voltou para Barueri. Fosse eu barueriense, odiaria o retorno. Até o ano passado, o Boa Esporte, hoje de Varginha, era de Ituiutaba, e o Americana era de Guaratinguetá.

Quem torce por esses times acha que está apoiando sua cidade, quando na verdade eles estão pouco se lixando para seus habitantes. Há quem vá ao estádio secar os rivais, e eu vos digo: mesmo sendo Bahia, é melhor ver um BaVi na Séria A do que esses três itinerantes. Nem todo time do interior merece desprezo. Guarani e Ponte Preta de Campinas, Juventude e Caxias de Caxias do Sul e Criciúma de Santa Catarina têm alma, mudam trajetórias de vida, fazem pessoas rirem ou chorarem. Não importa aí a quantidade, e sim a fidelidade que cada um sente. Não sou a favor de se torcer por um time tão longe de sua cidade, afinal, que identificação você sentirá pelo Flamengo se nunca foi ao Rio de Janeiro? Porém, há gente esperta demais tentando manipular um sentimento tão bonito quanto a paixão. E o brasileiro do interior deve ter cuidado para, de uma hora para outra, não ver seu patrimônio migrando para longe de seu raio de alcance. Pois se isso acontecer, você estará tão perto do seu clube quanto de Justin Bieber.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

A Seleção perdeu seu encanto

“Quem não sonhou ser um jogador de futebol?”, já indagava a banda mineira Skank, que transformou a música “Partida de Futebol” num hino dos apaixonados do esporte mais popular do planeta. O topo da carreira para um boleiro, sem dúvida, era jogar uma Copa do Mundo pela Seleção de seu país.

Mas as coisas têm mudado, a camisa canarinha não exerce o mesmo fascínio e não adianta culpar a nova geração de não ter amor à camisa. O povo brasileiro sente falta de ver seus jogadores de perto, já que a maioria dos jogos da Seleção têm sido realizados na Europa. Pra completar, o número de denúncias de corrupção contra Ricardo Teixeira tem repercutido ainda mais, embora não se tratem de novidades.

O presidente da CBF está há mais de 20 anos no poder e só pretende largar o osso após a Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil. Teixeira está organizando o torneio e pretende usá-lo como plataforma política para se eleger presidente da Fifa em 2015. Para sua infelicidade, o mundial corre risco de não acontecer, já que, segundo o jornal carioca O Globo, a entidade máxima do futebol não está satisfeita com o andamento das coisas e a cláusula 7.7 do contrato determina que até o dia 1º de junho de 2012 o torneio pode ser retirado do Brasil sem pagamento de multa.

O reflexo de tanta cartolagem é o descrédito do brasileiro, que agora se concentra apenas no clube de coração. O bairrismo sempre foi uma marca da Espanha, onde os atletas preferiam defender o clube de coração do que “La Fúria”. A conquista da Copa de 2010 tem equilibrado as coisas, embora a rivalidade entre Barça x Real continue a mesma. Porém, se os espanhóis curtem mais sua seleção do que antes, nós, brasileiros, até torcemos contra o próprio patrimônio, basta reparar nas redes sociais.

O garoto que rejeitou a canarinha(na foto, duelo de fujões: Mário Fernandes x Jóbson)


O lateral-direito do Grêmio Mário Fernandes, 21 anos, foi o assunto do dia. Ao se negar a defender a Seleção Brasileira, faltando dois dias para a decisão do Superclássico das Américas, contra a Argentina, o atleta dividiu a opinião pública, entrando no trending topics do twitter e ganhando a hashtag #mariofernandesfacts. “Não aceitar a Seleção Brasileira é simbólico. Hoje, todo mundo prefere assistir seu time do que ver jogo da Seleção”, escreveu o usuário @futebol_pontual. Já o repórter da Rádio Guaíba Ígor Póvoa escreveu na sua conta “O que mais me impressiona é que a vida do Mário segue adiante, sempre. Ele não tem dimensão do que tá perdendo. E do prejuízo ao Grêmio.”

Em 2009, o jogador protagonizou outro episódio inusitado, quando passou três dias desaparecido após realizar apenas um treino no Grêmio. Vindo do São Caetano, o atleta alegou que o clube paulista havia prometido que ele seria emprestado. Porém, ele descobriu que estava contratado por cinco temporadas pelo time de Porto Alegre. Revoltado, ele voltou para São Paulo, alegou estar em depressão e pensou em abandonar o futebol, mas acabou voltando ao Grêmio.

No caso de hoje, se especulou um boicote à CBF, mas o empresário do jogador, Jorge Machado, disse que seu cliente não é idealista, apenas não gosta de mudar de ambiente e vive um momento maravilhoso no Grêmio. Tal declaração não foi suficiente para abafar os boatos. “Mário Fernandes não é gaúcho, mas também já está com o pensamento separatista em relação ao Brazil. Mandou bem guri...”, declarou @RafaelVGremista. Os colorados, por sua vez, disseram que o gremista desistiu após saber que três atletas do Internacional foram chamados para defender a Argentina no clássico. “Após ver a convocação do Guiñazu, D`Alessandro e Bolatti na seleção Argentina, Mário Fernandes amarelou”, brincou o @twinter_net.

Até o jornal Zero Hora, de Porto Alegre, entrou na gozação e lançou o game “Convocando Mário”, no qual o usuário é Mano Menezes e o objetivo é vestir a camisa do Brasil no lateral-direito do Grêmio.



http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1§ion=Esportes&newsID=a3503111.xml

Piadas do #mariofernandesfacts

Se o Mário Fernandes fugir mais uma vez vai pedir música no Fantástico.

Você busca no Google por "Mário Fernandes" e vem o resultado: "Mário Fernandes não foi encontrado".

E no oitavo dia, após descansar, Deus disse: "onde diabos se meteu o Mário Fernandes"...

Chuck Norris é capaz de encontrar qualquer pessoa. Menos Mário Fernandes.

Filme "Convoque-me se for capaz" ganha Oscar. Mário Fernandes decide ir p gramado buscar um kikito.

Mário Fernandes conseguiu sair da ilha de Lost

Nike oferece patrocínio vitalício para Mario Fernandes. "Obrigado, estou bem com a Perusso."

Steve Jobs convida Mario Fernandes para ser o novo CEO da Apple. "Obrigado, estou bem no Grêmio."

Mario Fernandes ganhou na Mega Sena, mas não quis buscar o prêmio!

Pior situação do mundo: ser noiva do Mário Fernandes e estar a poucos minutos de entrar na igreja

Conhece o Mário? Que Mário? Aquele que tirou o mano pra otário

Certa vez, Mário ficou famoso por usar óculos, casaco e gorro para se disfarçar e fugir. Ele adotou o nome de Wally.

Mario Fernandes não se apresenta a Seleção para poder ficar mais tempo na fila do show do Justin Bieber!

Jesus havia chamado 13 apóstolos, mas um deles não quis. Era o Mario Fernandes

ir pra balada, beber todas e esquecer de pegar um avião acho que o #MarioFernandesFacts deveria ser #CharlieSheenFacts

Como eu faço pra encontrar o Mário Fernandes?! num sei não, melhor cê perguntar lá no posto Ipiranga!

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Futebol, história e economia

A versão de toda história costuma balançar para o lado de quem a conta. A história geral nos é passada na escola como uma aventura de seis mil anos movida principalmente por conquistas territoriais. Como não podia ser diferente, os povos que obtiveram maior destaque nesses seis milênios de civilização foram os que mais "venceram", ou seja, invadiram outras nações, roubando seus conhecimentos para, dessa forma, criar e inventar inúmeras coisas, como as navegações e a pólvora.

Civilizações que habitavam a América antes da chegada de Colombo deixaram incríveis legados, mas a ausência de escrita as privaram de dar suas versões dos fatos de forma mais clara e objetiva. No caso do futebol moderno, todos podem ter voz através das redes sociais, mas uma velha regra do jogo predomina: o poder econômico. Não é a toa que, na hierarquia da bola, Barcelona, Real Madrid e Manchester United estão no topo e times de milionários como Manchester City e Anzhi sonham em chegar lá, e para isso, fazem o que o Arsenal não faz: torram o dinheiro sem piedade. A Europa é, sem dúvida, o centro do mundo, seja na história geral ou no futebol.

O bom momento da economia brasileira tem feito o país segurar seus principais astros, como Neymar, Lucas e Leandro Damião. Não se sabe até quando, mas em outros tempos, esses atletas já teriam feito as malas. Como, dentro da América do Sul, é possível competir com eles, os times grandes do Brasil? O Bahia é um reflexo que o crescimento do Brasileirão não é só favorável para os times de São Paulo, Rio, Minas e Rio Grande do Sul, pois tem o time caríssimo, mas com um torneio competitivo, é natural que a folha salarial dos rebaixados seja maior do que as folhas salariais das equipes rebaixadas nos anos anteriores. Com isso, será cada vez mais difícil uma equipe do Nordeste vencer a Série A de pontos corridos. Uma economia ruída ao menos possibilitava ao Atlético Paranaense faturar o título em 2001 e o São Caetano chegar em duas finais consecutivas, em 2000 e 2001.

Vale mais um campeonato "de estrelas" em que você pode ver Neymar, Lucas e Damião no estádio ou um torneio menos competitivo em que seu time tem mais chances de ser campeão? Que os "amantes do futebol" me perdoem, mas bons eram os tempos em que o Bahia brigava pela parte de cima da tabela, enquanto a Europa enfraquecia os clubes do sudeste "roubando" seus astros.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Mané Seleção, rapá...

A Seleção Brasileira já me deu mais títulos que o Esporte Clube Bahia. No mesmo ano em que a Canarinha quebrava o jejum de 24 anos sem vencer uma Copa do Mundo, em 1994, o Esquadrão de Aço vencia o seu antepenúltimo Campeonato Baiano (a edição de 1999 foi uma vergonha e nem comemorei, tamanha covardia do meu time, que teve medo de decidir o título no Barradão).

Porém, mesmo sem ter gritado tantas vezes "É campeão porra" com o meu time de coração, hoje percebo que a incondicionalidade do amor clubístico é muito maior que o patriotismo. Não é a toa que em todas as partidas do Brasil as câmeras flagram torcedores dos mais diversos times, do Remo ao Grêmio, todos orgulhosos vestindo o manto que os fazem rir e chorar. Chorei muito pela perda na final da Copa de 1998, quando a Canarinha perdeu de uma forma até hoje misteriosa e cheia de teorias da conspiração. No entanto, é o Bahia que me faz sentir parte integrante da história, eu e todos os torcedores tricolores existimos para o time a partir do momento em que vamos ao estádio e não deixamos de ser apaixonados mesmo com todas as grosserias da diretoria contra torcedores opositores, que amam o time muito mais que eles.

Já quando a coisa é Seleção, não dá para deixar de sentir uma "broxação" enorme ao ler o perfil do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, na revista Piauí de julho desse ano. A diferença entre a paixão entre um clube e uma seleção é que a revolta pela situação do time lhe faz querer mudar todas as estruturas dele, pedir democracia, reestruturação, contratações melhores e etc, enquanto a Seleção lhe faz simplesmente desligar a TV para não dar Ibope a uma instituição que prefere distanciar um patrimônio do seu povo, realizando a maioria de suas partidas na Europa, do que tentar aproximá-lo, já que as relações parecem estar cada vez mais frias.

Já fui a dois jogos da Seleção Brasileira: em 1999, um amistoso contra a Holanda, na Fonte Nova, e em 2009, contra o Chile, partida válida pelas Eliminatórias da Copa, em Pituaçu. Não dá para negar que o público de jogo da Seleção é diferente do público de um time, principalmente de massa, como Bahia, Atlético Mineiro e Santa Cruz. Eu perguntei a muitas pessoas que estavam na partida entre Brasil x Chile qual foi a última vez que elas foram ao estádio, e a resposta de boa parte delas foi há 10 anos, no Brasil x Holanda. Em partidas como essas, "torcedores de ocasião", que enxergam o futebol como um evento, e não como uma paixão, se misturam aos clubistas que gritam para ver o jogador do seu time representando o país.

Nem todas as Seleções têm um elo tão fraco com o torcedor. Os Argentinos pulam pela Albiceleste tanto quanto pelos times de coração, até mesmo no basquete. Não resta dúvida que a relação do brasileiro está estremecida com a CBF, e não irá se recuperar na Copa de 2014, pois um evento como esse vai atrair torcedores de ocasião, que não conhecem a atmosfera de um estádio, sem falar que os estrangeiros vão predominar, como sempre predominam em mundiais. Os cartolas estão copiando o que há de pior no futebol europeu: a elitização do público. A Inglaterra está repleta de senhoras e senhores comportados, enquanto quem não pode comprar os ingressos vai assistir aos jogos nos pubs. Sinceramente, pouco me importa se o Brasil vencerá hoje: só quero saber do meu Bahia domingo, contra o Fluminense.
Lomba é Lomba, o resto é Jefferson