quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

'Previsões' para a Copa 2010

Havia tempos em que eu gastava muitas folhas de caderno fazendo uma simulação de como será a Copa. Por exemplo, baseado na tabela do torneio, independente de disputar bolão ou não, eu gostava de imaginar como será a Copa. Em excesso, essas tais 'tentativas de previsão' são perda de tempo, até porque você não tem nenum controle sobre nada, não é a 'força dos seus pensamentos' que fará algo acontecer, e mesmo se pudesse, o gostoso mesmo é ficar na surpresa sem o poder de decidir sobre o destino das partidas. Mas como eu vi um simulador da Copa num site, não resisti e fiz o caminho que eu imagino que essa Copa terá, com direito a zebras que poderiam ter 'direitos autorais'.

Vou escrever como eu acho que será a Copa de 2010, e veremos aonde eu quebrarei a cara e aonde eu acertarei. Lembrando: futebol é um jogo onde ninguém tem poder ou controle sobre o que acontece nos gramados, logo, ser 'especialista' não garante tanta exatidão nos resultados como em outros assuntos, como previsão de conclusão de obras ou desenvolvimento econômico de um bairro.

A África do Sul entrará para a história como o país-sede de pior campanha na história das Copas: com apenas um ponto somado (no empate contra o Uruguai) os bafana-bafana serão presa fácil para México e França. A França se classificará em 1º lugar apesar do susto com a derrota para o Uruguai na estréia, e os uruguaios conseguirão a outra vaga graças a empate heróico contra o México.

No grupo B, a Argentina passará como um rolo compressor, vencendo todas as partidas, marcando 10 gols e não levando nenhum. A Coréia do Sul será o grande saco de pancadas, perdendo todas as partidas, e a 2ª vaga ficará com a Nigéria, apenas na última rodada.

Um velho fantasma reaparecerá em frente àos comandados da Rainha: os americanos vencerão sua antiga metrópole pelo mesmo placar de 60 anos atrás (na Copa no Brasil, em 1950, gol do haitiano Gaetjens), 1 a 0, com também gol de imigrante (do brasileiríssimo Feihaber). A Eslovênia estava garantindo o 1º lugar até a última rodada, quando valeu a tradição do 'english team', que terminarão em primeiro lugar do grupo graças a vitória apertada sobre os eslovenos, e assim os americanos ficarão com a 2ª colocação, mesmo com empate contra a Argélia.

A tradicional Alemanha disputará na última rodada a 1ª colocação do grupo D contra Gana, e vencerá, ja a Holanda vencerá todas as partidas no grupo E e Dinamarca e Japão disputarão a 2ª colocação na última partida, melhor para os nórdicos.

Para variar, a Itália correrá risco de ser eliminada na 1ª fase, mas na última rodada conseguirá a vaga (foi assim nas últimas quatro Copas do Mundo, onde a Itália não conseguiu emplacar 100% de aproveitamento nas primeiras duas rodadas do torneio). Os paraguaios ficarão com a 1ª colocação com dois empates e uma vitória (sobre a fraca Nova Zelândia). Com o mesmo número de pontos do líder, a Itália e Eslováquia farão o grupo F ser o mais dramático da Copa: os italianos empatarão na última rodada em 0 a 0 com a Eslováquia, com direito a expulsões, bolas na trave e até pênaltis perdidos dos dois lados!

Com três vitórias 'decrescentes' ào longo dos jogos, o Brasil dará 3 a 0 na Coréia do Norte, 2 a 0 na Costa do Marfim e 1 a 0 em Portugal. Costa do Marfim perderá o jogo chave para a sua classificação logo na 1ª rodada, quando jogou melhor que Portugal mas levou um gol nos acréscimos (em caso de empate, os marfinenses teriam conseguido a 2ª vaga). A Coréia do Norte voltará para casa com um pontinho, no empate contra Portugal.

A Espanha, como se previa, ficará com a 1ª colocação do seu grupo, com 7 pontos (empatará com a surpreendente Honduras). Chile e Suíça terminarão com 4 pontos, mas os sul-americanos ficarão com a vaga graças ao saldo de gols (um a mais).

Oito europeus, cinco sul-americanos, dois africanos e um norte-americano disputarão as oitavas-de-final, com direito a quatro confrontos continentais (Argentina x Uruguai, Holanda x Itália, Brasil x Chile e Espanha e Portugal). Os dois africanos vencerão e se enfrentarão pelas quartas! 'Dois coelhos serão matados numa paulada só': pela primeira vez haverá um confronto africano na história das Copas do Mundo (Nigéria, que eliminará a França, e Gana, que eliminará a Inglaterra) e pela primeira vez uma seleção africana irá para uma semi-final do torneio! A Alemanha passará sem dificuldades pelos Estados Unidos e a Argentina conseguirá vaga contra os rivais uruguaios no melhor jogo dessa Copa: um 4 a 4 no tempo normal e disputa de pênaltis prolongada até a 7ª cobrança, com direito a 2 expulsões, uma para cada lado, durante o jogo.

Mesmo com os seus dramas, a Itália nunca deixa de ser forte, e vencerá a Holanda, que era apontada como uma das favoritas à vencer o torneio. O Brasil vencerá o Chile sem tantas dificuldades, o Paraguai pasará pela Dinamarca e pela primeira vez em sua história jogará uma quarta-de-final, e no confronto hibérico, melhor para Portugal num jogaço em que com dois gols de Cristiano Ronaldo, nossos Patrícios vencerão os espanhóis por 3 a 2.

Contra a Itália nas quartas-de-final, o Brasil só marcará o gol da classificação faltando 10 minutos para o fim do jogo, chute de fora da área de Kaka, surpreendendo a todos, inclusive o câmera, que não esperava pelo chute 'no meio da rua'. Gana vencerá Nigéria no jogo de maior vibração entre a torcida: o sonho de ver a África nas semi-finais será celebrado pelas barulhentas vuvuzelas que tocarão mais alto do que nunca. A Argentina se vingará da Alemanha com estilo, no 2º jogo de sua campanha que tinha perfil de final de Copa do Mundo (o 1º foi contra o Uruguai): um 4 a 1 que deixará os germânicos envergonhados. O Paraguai conseguirá a classificação nos pênaltis contra Portugal, e quem cobrará o pênalti da classificação guarani será ninguém menos que Cabañas, que atualmente se recupera de um tiro que tomou na cabeça, mas que eu ainda acredito que poderá se recuperar a tempo do mundial, mesmo atualmente correndo risco de vida (será uma história linda de superação).

Sem levar gols até as semi-finais (igualando o recorde de invencibilade de Valter Zenga, da Itália em 1990) será contra Gana o jogo em que Júlio César mais trabalhará nessa Copa. O Brasil vencerá por 2 a 0, os dois gols marcados nos últimos 15 minutos de jogo, e o ataque de apenas 12 gols marcados e nenhum sofrido enfrentará na finalíssima a sensação do torneio, a Argentina, com 22 gols marcados (10 apenas na 1ª fase) e 5 gols sofridos (4 deles apenas contra o Uruguai, no empate elástico por 4 a 4 que levou à disputa por pênaltis). O tempero da Copa será a Argentina, responsável pela eliminação de dois vizinhos (Uruguai nas oitavas e Paraguai nas semi) e que não ve a hora de vencer o Brasil na partida que prometerá ser a mais quente da história dos mundiais!

Pela 1ª vez na história das Copas não haverá um europeu se quer nas semi-finais. Nunca antes uma copa contou com três sul-americanos nas semi-finais, e Gana
chegará às semi-finais, se sobrepondo ào continente asiático, que tinha como maior vantagem sore a África o fato de ter visto a Coréia do Sul chegar às semi-finais do mundial de 2002.

Sem levar gols, a equipe brasileira começará tímida na finalíssima: a Argentina buscará o ataque enquanto a nossa seleção tentará manter a posse de bola. De tão 'calculista', a decisão parecerá um 'jogo de xadrez', onde um único erro poderá decidir a partida. Àos poucos, a Argentina também se retrairá, ambas esperarão pelo erro do adversário, e a partida terminará em 0 a 0, a prorrogação não resolverá nada, e o título será decidido nos pênaltis. Após as quatro primeiras rodadas, todas as cobranças serão convertidas, mas Messi, assim como na final da Liga dos Campeões, não conseguirá marcar o gol de pênalti contra Júlio César, e na rodada seguinte, Lúcio converterá e fará do Brasil seis vezes campeão mundial.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

A atmosfera de cada torcida

No Brasil e em outros dois países que visitei recentemente, Espanha e Itália, a população em geral 'respira futebol'. A imprensa dessas nações dedicam muita energia nas notícias sobre o mundo da bola, e certamente em época de Copa quem não estará em frente a uma tv no momento do jogo de sua seleção é excessão: até quem não é fã de futebol se rende ào momento mágico que é a Copa do Mundo, mobilizando o planeta com as suas imagens transmitidas por centenas de cadeias de tv.

Porém, as atmosferas variam muito em outros lugares do globo, e nem todos se dedicam tanto ào futebol da mesma forma que brasileiros, espanhóis e italianos. Em 1994, os Estados Unidos sediaram o mundial, e no dia da estréia, o canal de esportes nacional preferiu transmitir um jogo de golf! Nem todos os americanos estavam cientes do grande evento que estavam recebendo, e se quer conheciam os seus jogadores: os esportes nacionais são baseball, futebol da NFL (parecido com o Rugby) e basquete.

O Irã foi à copa de 1978, mas no ano seguinte, com a Revoulção Islâmica, o futebol desapareceu no país por quase 10 anos: o regime dos Aiatolás proibia o futebol, que desviava a atenção dos jovens, que deveriam priorizar pela religião.

O exemplo mais chocante de atmosfera em Copas do Mundo é a Coréia do Norte: esse exolado país tem apenas três canais de tv, todos estatais, e nenhum deles transmitirá os jogos da Copa ao vivo. O presidente King Yong-il vai censurar as derrotas do país na Copa, e os norte-coreanos só poderão ver os melhores momentos dos jogos em que o país vencer (e se vencer). Ou seja, enquanto nós brasileiros estivermos bebendo e confraternizando com pessoas queridas em frente à tv, o adversário do primeiro jogo da nossa seleção (15 de junho, às 15h30) não terá ninguém apoiando-os: a expectativa dos jogadores é vencer para poder mostrar para os seus conterrâneos apenas os sucessos, pois em caso de fracasso, não aparecerão. Esconder os defeitos e filtrar o que na íntegra pode não ser tão bom: essa é a postura dos governantes do primeiro adversário do Brasil. Caso semelhante ja ocorreu com outro adversário da nossa seleção, em 1974: a seleção do Zaire, que ganhou premiações do governo após conseguir vaga para o Mundial, teve tudo confiscado após os maus resultados durante o torneio e de quebra receberam ameaça de morte do então ditador Mobutu Sese Seko (a condição era não perder por mais de 4 gols na última partida, contra o Brasil; Felizmente, vencemos por apenas 3 a 0)

O mundo da bola é realmente muito democrático, até porque nem só de 'democracias' vivem o mundo: a diversidade vai das mais diversas formas de governo existentes no planeta. Viva a diversidade? Bom, nada como uma aula de antropologia para refletir se devemos julgar os outros com o nosso olhar etnocêntrico, mas enquanto isso, aí vão alguns vídeos sobre a Coréia do Norte (claro, sob os nossos 'olhares ocidentais').







Se o mundo não acabar antes...

A Copa de 2010 promete ser a mais quente de todos os tempos!

Não se trata do clima de inverno na África do Sul do meio do ano: as polêmicas parecem dar lugar à sensação de otimismo que as grandes seleções tinham antes de outros Mundiais. A Inglaterra contesta o seu capitão John Terry pelo seu caso extra-conjugal com a esposa de Bridge (seu ex-colega de Chelsea e Seleção), com alegações que 'um líder em campo acima de tudo tem de ser um líder moral'. A França irá a Copa graças a uma certa 'mão boba' de Henry, que conduziu a bola como um jogador de basquete e deu um passe para o gol da classificação da sua equipe na repescagem contra a Irlanda. O lance envolveu tanta polêmica que até se cogitou mudanças na regra do futebol! Se pensou em uso da tecnologia a longo prazo e, para a Copa de 2010, haveriam dois árbitros a mais em campo, um atrás de cada gol. No final das contas, nada feito: a Copa do Mundo na África do Sul será realizada nos moldes tradicionais.

A Argentina tem o melhor jogador do Mundo, mas sua seleção principal não vence um mísero torneio à 17 anos! De lá para cá, apenas as seleções de base levantaram o caneco: foram dois títulos olímpicos, dois Pan-americanos, cinco mundiais sub-20, três Sul-americanos sub-20 e um Sul-Americano sub-17. Os argentinos continuam sendo ao lado dos uruguaios os maiores vencedores da Copa América, mas desde a útlima vez que conquistou o continente, em 1993, viu o rival Brasil faturar quatro vezes o torneio, em duas delas vencendo-a na final. Até onde a 'geração Messi' pode chegar? Com Maradona no comando, a classificação foi conquistada a duras penas e com direito a insultos do treinador argentino à imprensa de seu país, o que lhe custou dois meses de suspensão, sem poder exercer nada que tivesse haver com o futebol, inclusive ir ào sorteio da Copa em Dezembro.

O Paraguai está embalado e otimista para a Copa, mas o seu principal jogador, Cabañas, levou um tiro na cabeça num bar no México, e corre o risco de ter sequelas e não poder jogar mais profissionalmente. O Uruguai também só conseguiu a sua vaga enxarcando a camisa, e se quiser voltar àos velhos tempos, quando era uma potência no futebol, terá de passar pelo difícil grupo A, com a França no jogo de estréia, os fracos anfitriões Sul-Africanos e o respeitado México.

As seleções africanas estão em baixa: a vencedora do torneio continental foi o Egito, que não participará do mundial. Na primeira rodada da Copa das Nações Afrianas, nenhuma seleção que vai à Copa venceu, e com desempenhos ruins, o torneio ficou marcado mais pela tragédia ocorrida com a Seleção de Togo, que foi atacada por um grupo separatista do norte de Angola.

Espanha, Holanda e Brasil estão no hall das favoritas, mas nem por isso a situação é cômoda. A Espanha tem contra si o histórico em Copas do Mundo: jamais chegou a uma final de Copa do Mundo e não chega à uma semi-final à 60 anos! Na Copa das Confederações teve a oportunidade de testar as suas potencialidades, e surpreendeu a todos negativamente ao perder por 2 a 0 na semi-final para os Estados Unidos. Com tradição de 'chegarem como um dos favoritos e fracassarem no meio do caminho', os espanhóis terão um grupo aparentemente tranquilo, com Honduras, Chile e Suíça, mas o seu cruzamento logo nas oitavas de final pode ser com Costa do Marfim, Portugal ou Brasil!

O povo brasileiro custou a dar créditos ào técnico Dunga: o pior momento foi no primeiro semestre de 2008, quando uma sequência de três jogos quase o tira do comando, com direito a derrota inédita para a Venezuela em amistoso nos Estados Unidos e derrota para o Paraguai em Assunção e empate em casa contra a Argentina (que chegou a ter gol anulado) pelas eliminatórias. Foi com uma atmosfera de desconfiança que o mesmo Dunga treinou a seleção que foi a Pequim disputar os Jogos Olímpicos. Sem muito tempo de treino com aquele jovem grupo, a medalha de bronze não seria tão sofrível não fosse a humilhante derrota por 3 a 0 para a Argentina na semi-final e o fato de o título olímpico ser o único que falta para a Seleção Brasileira.

Sem marcar gols dentro de casa pelas Elimnatórias, o ano de 2008 ào menos teve um desfecho otimista com a vitória por 6 a 2 sobre Portugal no amistoso no Distrito Federal. Em 2009, a Seleção Brasileira fez o suficiente para merecer o peso de ser uma das seleções favoritas paa conquistar a Copa de 2010: venceu a atual campeã Itália duas vezes (embora a Itália constantemente entre em Copas com ares de desconfiança, até nas vezes em que venceu, e 2010 não será diferente), venceu a Copa das Confederações, venceu o Uruguai e Argentina fora de casa e terminou as Eliminatórias em primeiro lugar. Somado ào título da Copa América de 2007 sem a equipe completa (vencendo a Argentina completa por 3 a 0 na final) e de ter números favoráveis ào longo da era Dunga, há ingredientes suficientes para dificultar ainda mais a vida da Coréia do Norte na estréia, mas eu questiono: alguém sabe algo sobre a Coréia do Norte? Até que ponto é bom enfrentar uma seleção tão desconhecida? A exposição que os nossos astros se submetem é a nível global: todos sabem da má fase dos brasileiros nos seus clubes, a começar por Felipe Melo, titular e contestado, e Robinho, patrocinado pela Vivo (também patrocinadora da Seleção) e homem de 'confiança de Dunga', mas que causa desconfiança por ter sido reserva do Manchester City e por ter forçado a barra para voltar ào Brasil: até que ponto é melhor 'desisitir do desafio de tentar ser titular de uma equipe que joga contra os melhores do mundo' para vir ào Santos e não ter dificuldade para ser o maior astro da equipe? O grupo de Dunga parece ja estar fechado, e é realmente bom contar com jogadores que ào longo do tempo fizeram a credibiliade do seu trabalho ser o que é hoje, mas e se Ronaldinho Gaúcho, que teve tantas oportunidades nos últimos anos com Dunga (e não aproveitou) voltar a jogar com regularidade pelo Milan? Não se trata de fazer gols num clássico e jogar mal no outro (com direito a pênalti perdido): se Ronaldinho jogar muito realmente, quem sairá do grupo?

A Copa de 2006 contou com uma onda de otimismo muito forte em torno de Brasil e Inglaterra e essas largaram a competição logo nas quartas-de-final. Melhor que se questionem as equipes hoje para não contar com surpresas desagradáveis ào longo do torneio. Nenhuma Seleção está tão segura que vencerá a Copa, e esse Mundial pode ser o mais quente, com o anexo de todas as últimas polêmicas e mais as diversas suspresas que poderão vir daqui para frente. Muito cuidado com a Coréia do Norte!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Força Cabañas!


Folclórico jogador paraguaio tenta se recuperar de um tiro na cabeça. Quem duvida dele?

A apatia não se explica: passamos a admirar mais algumas pessoas do que outras não pela sua excelência, e sim pelo seu carisma ou postura. Cabañas é um desses exemplos: uma figuraça de fazer todos se concentrarem em frente a tv, seja para rir, torcer e para se supreender e jamais duvidar de um baixinho gordinho que foi o carrasco do Flamengo e Santos na Libertadores de 2008 jogando pelo América do México e uma eterna pedra no sapato da seleção brasileira, marcando gols nas duas últimas partidas em que nossa seleção enfrentou o Paraguai.

Apesar de todo o impacto que obteve na imprensa brasileira com os seus gols, manteve uma postura discreta, não é a toa que flamenguistas e santistas não o odeiam: ele nunca provocou ninguém e por isso a mágoa maior dos torcedores desses times é pelos jogadores dos seus times, e não pelos do adversário. Mandam os 'bons costumes' jamais torcermos contra alguém. Porém, no caso de Cabañas, não é mera formalidade: eu quero tudo de bom para ele não apenas por se tratar de um ser humano, e sim por se tratar de uma pessoa que eu admiro e que merece a minha torcida. Força Cabañas!

sábado, 16 de janeiro de 2010

O Haiti não é aqui



O Haiti não é aqui: não se trata de nenhuma alusão à música 'Haiti' Composta por Caetano Veloso e Gilberto Gil. Se a situação no Brasil, com inversões de valores que atingem dos centros do poder até o cidadão comum que suborna a polícia, transformam essa nação num antro de desigualdade social e injustiças, acredite, a situação no Haiti consegue ser pior. Multiplique a corrupção por um número bem alto e some à desastres naturais (não encontrados no Brasil) com um orçamento mínimo para a reconstrução de um país ja destruído a muitos anos, e agora ainda mais, e assim terá uma idéia do que é o Haiti, idéia vaga, pois eu também não imagino a complexidade que há por lá: apenas estando nesse miserável país poderíamos sentir todas as angústias que a miséria pode proporcionar à um ser humano.

O Haiti merecia atenção antes mesmo do terremoto de 7 graus na escala Richter (o maior desastre que a Onu ja enfrentou, superando o Tsunami de 2004) que está matando mais de 200 mil pessoas, e que infelizmente matará muito mais, pois muitos corpos foram soterrados, o que causará danos ainda maiores por contaminação. Antes mesmo da tragédia, nas feiras populares os peixes eram lavados com água de esgoto, e hoje há disputas físicas pela mesma comida: as doações minimizarão os danos, mas não recuperarão os mortos e as consequências de ter 4% de sua população dizimada e sua economia já frágil ainda mais desestabilizada.

Governos tiranos se aproveitaram da fragilidade de um país sem força para planejar um futuro melhor. O Haiti não conseguirá sozinho dar uma vida melhor para a sua população: o mundo precisa se solidarizar com esse país, e não apenas nesse momento de tragédia. Há muito tempo o Haiti é esquecido, e até doações são censuradas: mesmo com uma situação pior do que qualquer outra no mundo, ainda há brasileiros egoístas que satirizam as doações do governo Lula, alegando que ele 'é presidente do Brasil, portanto, deve apenas atender àos nossos interesses, pois há muito o que se corrigir aqui'. Com essa mentalidade de olhar apenas para o próprio umbigo nascem as revoltas, as incompreensões perante o 'resto do mundo' (pois o que não fizer parte de si é visto como 'resto') e a violência.

O ano começou mal para todos: desastres aconteceram logo na primeira semana de 2010, no estado do Rio de Janeiro, São Paulo e região Sul. A Europa vive o inverno mais rigoroso dos últimos tempos. A natureza castiga o mundo e é preciso refletir sobre o que nós, seres humanos, podemos fazer para melhorar o quadro do nosso planeta. É preciso olhar para as diversas regiões do mundo antes mesmo que a tragédia aconteça: foi muito bonita a onda de solidariedade à Santa Catarina no final do ano de 2008, mas o Nordeste brasileiro sofre a muito tempo e nunca contou com tamanha mobilização da população no país. O foco não pode ser justificado pelo tamanho da tragédia, afinal, o Nordeste pode não ter contado com uma catástrofe do nível da região Sul, mas a tragédia cotidiana vem causando danos àos nordestinos ào longo de muitos anos, e é preciso olhar para o mundo, independente de ser o foco da imprensa no momento. Se não temos olhos tão grandes nem energia suficiente para ajudar a todos, que tenhamos consciência de que há muito mais para se fazer e nós não temos capacidade para tanto, mas ào menos, permita a ajuda dos outros, e não censure com argumentos tolos como a de brasileiros que acham um absurdo a ajuda brasileira à um país que precisa urgentemente de ajuda, mais do que qualquer outra nação no momento.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

As piadas podem perder valor com o tempo

Piadas sempre serão um ingrediente para a vida em sociedade ser mais divertida, mas as piadas variam ào decorrer do tempo, elas são retrato da realidade que ainda persiste, e quando ela é modificada, também se modificam as piadas. O humor não precisa ser politicamente correto, longe disso: o 'humor negro' provoca e não pode ser exposto em qualquer ambiente ou ocasião, mas certamente tem um efeito mais impactante do que um ingênuo caso banal.

As piadas variam a depender dos grupos e comunidades que contam, por exemplo, nós brasileiros adoramos abordar a arrogância dos argentinos e a burrice dos portugueses. Do outro lado do Atlântico, os burros somos nós e os 'argentinos do velho mundo' são os franceses. Talvez nada possa mudar esse quadro: por mais que os portugueses faturem todos os prêmios Nobel por décadas, eles não deixaram de ser os burros das piadas, pois o que faz deles vítimas dessas piadas não são os fatos, e sim a richa, talvez eterna, entre ex-colonizadores e ex-colônia.

Mas quando os fatos determinam a existência de uma piada, o tempo pode extinguir enredos que por tanto tempo fez tanta gente rir. Por exemplo, o Internacional sofreu gozações dos rivais gremistas por 23 anos (intervalo de tempo entre o 1º título de Libertadores do Grêmio e o 1º título de Libertadores do Inter). Hoje, nenhum tricolor dos Pampas tem motivo para questionar o nome do rival 'Internacional' e satirizar chamando-o de 'Inter-regional' ou 'Inter-municipal': hoje os Colorados tem títulos que fazem jus ào seu nome (Libertadores, Mundial, Recopa Sulamericana, Copa Dubai, Copa Sulamericana e Copa Surunga, 6 títulos internacionais em menos de 4 anos).

Esse ano outras piadas correm seríssimo risco de se extinguir. Sabe o que um corintiano faz quando é campeão da libertadores? Salva no memorycard e desliga o playstation/ Corinthians na Libertadores é igual ao seriado do Chaves, todo mundo sabe o final, mas assiste para dar risada. Ao contrário dos seus arqui-rivais, o Corinthians vai disputar a sua 8ª Libertadores (o Santos ja disputou 10, o Palmeiras 14 e o São Paulo 15) e embora nunca tenha chegado numa final e geralmente seja cotado como favorito, apenas no meio do ano saberemos se o prazo de validade dessa piada se prolongará, mas os comandados de Mano Menezes querem mostrar que dessa vez será diferente.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

O que é 'estar na bruxa'?

No popular, quando alguém alega que 'está na bruxa' está atestando para o fato de 'não ter o que fazer ou que está fazendo coisas que não o completam'. É o caso dos jovens que não tem o que fazer num sábado à noite e ficam procurando por toda a cidade algo bom e barato, e esse processo demorado e desgastante pode se qualificar como 'a bruxa', ou alguém que está de férias e não consegue ser criativo a ponto de preencher seus espaços vazios na agenda com algo que valha a pena.


O ócio pode ter efeitos diferentes a depender do estado de espírito e/ou temperamento de uma pessoa: há quem seja hiperativo e não consiga ficar sossegado por muito tempo, e em tempos de 'marasmo', a insatisfação é grande, por outro lado, a sua vontade de fazer tudo se dinamizar pode impulsionar a sua e as vidas de quem está ao seu redor a levantar de astral, a ganhar um tempero.

Eu gosto de 'não ter o que fazer', e acho que depende de nós tornar a vida dinâmica. Temos o poder de dinamizar os nossos dias, mas jamais de freia-los: uma passagem 'devagar' no nosso cotidiano é uma dádiva de Deus, ainda mais se tratando da vida de adultos numa cidade grande, que raramente poderá encontrar uma brecha grande para descanso.

A 'bruxa' pode não ser algo tão feio assim. Quem sabe ela não ganha um rostinho de Emma Watson, a Hermione Granger da série 'Harry Potter'?