domingo, 19 de maio de 2013

Todo torcedor do Bahia tem um pouquinho de Binha

Na versão tricolor de "Dom Quixote", "Bahia melhor que Barça e Real"

Todo torcedor do Bahia ô ô, tem um pouquinho de Binha de São Caetano iá iá, tal qual “isto aqui” tem um pouquinho de Brasil em uma letra de Caetano Veloso. Digo por mim mesmo, embora eu não esteja sozinho. Binha está. Mas o folclórico “Dom Quixote Baiano” é um retrato do que toda a nação tricolor tem sido nos últimos tempos. Enxergávamos em Souza um “Caveirão”, quando este nunca passou de uma viatura sucateada. Assim como o personagem criado por Miguel de Cervantes, o torcedor em geral, de qualquer clube, não distingue moinhos de vento de monstros aterrorizantes, mas a “inchada de Esquadrón” consegue se superar.

Quem não sentiu alegria com o título baiano do ano passado (eu chorei), que atire a primeira estrela. Contra os vice-torianos, é claro. Criticar as bizarras saídas de gol de Marcelo Lomba naquele tempo era sacrilégio, dizer que Titi era fraco na bola aérea vinha seguido do argumento “mas no chão é ele quem manda”, como se a virtude de um zagueiro pudesse se limitar a um fundamento de UFC. O “trabalho” de Marcelo Guimarães Filho não sofria críticas e era até defendido pela torcida quando a maré era favorável. 

Quando, às vésperas de um Ba-Vi na primeira fase do Baiano do ano passado, o cartola foi destituído do cargo e perdeu a peleja por 3 a 2 no Barradão, houve quem responsabilizasse o grupo de oposição que entrou com ação judicial contra a irregularidade que existia dentro do clube, já que o Esquadrão de Aço surfava na crista da onda. Lutar por um time forte a longo prazo requer alguns sacrifícios, derrotas dentro de campo e chantagens de quem não quer largar o osso, mas a torcida no geral enxerga os opositores como inimigos. 

O cenário hoje mudou não por conscientização da torcida, que pouco parece conhecer o estatuto do clube pelos comentários que vejo no Facebook. Somente derrotas humilhantes dentro de campo mobilizam a vontade de mudança. E bastam alguns triunfos para tudo se “normalizar” e Marcelinho voltar a ser a “princesa Dulcineia”. 

Binha nada mais é que o estereótipo do torcedor do Bahia comum, com uma diferença: ele não liga para os resultados. Chamá-lo de “baba-ovo da situação” e “doente mental” soa, no mínimo, hipócrita. Ele é Bahia de verdade, independentemente de ganhar ingressos de grupos de empresários ou da diretoria, e tem todo o direito de assistir o clube de coração no estádio, concordem ou não. 

Cansei de ver pessoas que já manifestaram apoio a Marcelo Guimarães Filho nas redes sociais hoje se dizerem a favor do movimento “Bahia da Torcida”. Marcelo Guimarães Filho, assim como Binha, não mudaram em nada. São os mesmos, adeptos das mesmas práticas e rituais há anos. Por que o movimento só se tornou forte agora? A maior arma de um povo contra o despotismo é o conhecimento. A revolta gratuita, fundamentada pela vontade de fazer justiça com as próprias mãos, gerarão apenas alguns carros quebrados a mais no Fazendão, além de se configurar em crime contra o patrimônio. Saber o que se passa é o primeiro passo para não sair “de La Mancha” tão desorientado como o protegido de Sancho Pança.

Aos torcedores do Bahia que sempre se opuseram ao regime atual, todo o meu respeito. Aos demais, que só pedem pelas melhorias por conta dos desastres dentro de campo, uma reflexão. O Bahia nunca foi bem administrado. A saída de Marcelinho, que deveria acontecer o quanto antes, não poderá ser bem-sucedida se cuidados não forem tomados. Em outros tempos, era possível ser “varzeano” e colher bons resultados, como no título brasileiro de 88, quando dois dos principais jogadores da campanha, o goleiro Sidmar e o zagueiro Pereira, foram vendidos às vésperas dos playoffs. Não somos tão grandes quanto imaginamos, mas podemos ser muito maiores do que jamais sonharíamos em ser. Bora Baêa minha porra!

domingo, 21 de abril de 2013

Peso da camisa

Itália de Del Piero eliminou a Alemanha da Copa 2006, em Dortmund | Alex Livesey/Getty Images

A expressão “peso da camisa” teve sua pesquisa empírica concluída em Munique, no dia 10 desse mês. Quando o Bayern, que é a base da seleção alemã, eliminou da Champions League a Juventus, base da “Azzurra”, pude concluir que jogadores realmente se transformam a depender do uniforme que trajam. Em Copas do Mundo e Eurocopas, os alemães são “freguezaços” dos italianos. Por que esses mesmos jogadores não fazem jus aos prognósticos de suas seleções nacionais ao trajarem o uniforme preto e branco da “Velha Senhora” e o vermelho do gigante alemão? É amigo, camisa pesa. O Bayern de Munique venceu a Juventus duas vezes por 2 a 0 e é semifinalista da Champions League.

Retrospecto entre seleções da Itália e Alemanha

No torneio da Fifa, três vitórias para a equipe da Velha Bota e dois empates sem gols. Já na competição realizada pela Uefa, uma vitória italiana e dois empates, embora um deles tenha eliminado a Azzurra da primeira fase, em 1996. Ou seja: a seleção alemã JAMAIS venceu a seleção italiana em um jogo que não seja amistoso.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

A fé da bola, na bola

Flamengo reúne torcedores de todo o NE em SSA / Foto: Felipe Oliveira

O deputado federal Marco Feliciano conseguiu, sem querer, promover uma “guerra”. Os contrários às suas declarações se mobilizam pela sua renúncia na presidência da comissão dos direitos humanos, os religiosos retrucam, e enxergo esse momento “fervoroso” como uma grande oportunidade para refletir sobre tolerância em todos os âmbitos, inclusive no futebol. Até porque hoje saiu o resultado de uma pesquisa, realizada pela Pluri Stochos Pesquisas e Licenciamento Esportivo, que apontou que as quatro maiores torcidas do Nordeste são de clubes de fora da região, e já imagino o tipo de reação nas redes sociais com o resultado.

Sob que justificativa uma torcida assume um comportamento xenófobo ao gritar “Éu éu éu, vai para casa tabaréu”, contra os baianos que torcem por um time do Rio de Janeiro? Ninguém é obrigado a torcer pelos times do seu estado. “Ah, então vá no Sudeste e veja se alguém vai te respeitar...”. Ora, a situação é diferente em Salvador, onde quem é do interior recebe a alcunha de tabaréu? Como o Esporte Clube Bahia pode querer captar mais fãs em outras cidades se faz vista grossa para manifestações do tipo? Os mesmos torcedores contrários a opção clubística de seus conterrâneos não gostariam de ouvir “Ino ino ino volta para casa nordestino” durante um jogo entre São Paulo e Bahia no Morumbi.

Os mandamentos religiosos estão na Bíblia, que é interpretada de diversas maneiras. Há também quem não faça do livro cristão seu manual, e daí surge toda o conflito, que não é o tema dessa postagem. Os fundadores do futebol, até onde eu sei, não deixaram recomendações para seus adeptos. Longe das discussões eclesiásticas, defendidas sob os argumentos de um livro por um lado e sob ideais de direitos humanos do outro, no futebol não há representação divina, e “Se Deus não existe, tudo é permitido”, já havia escrito Fiódor Dostoiévski em “Os Irmãos Karamázov”. Essa é a minha crença. E a sua?

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

O crime 'sem culpado' no futebol

Kevin Douglas morreu ao ser atingido por sinalizador | Reprodução/ Facebook
Inteligência. Palavra de fácil compreensão e pouca aplicação quando se trata de segurança pública no ambiente do futebol. No final do ano passado, escrevi uma matéria sobre o trabalho das polícias civil e militar da Bahia na contenção da violência entre torcidas de futebol. Declarações de especialistas à parte, o problema parece longe de uma solução e me faz pensar em uma frase do ex-presidente dos Estados Unidos, John Kennedy: “A vitória tem mil pais, mas a derrota é órfã”.

Será tão complicado prevenir mortes como a do garoto boliviano atingido por um sinalizador ontem, na partida do seu time, o San José, contra o Corinthians? Ou o presidente do clube paulista continuará com o discurso de que houve uma “fatalidade”? O clima não era de hostilidade em Oruro, onde foi realizado o jogo. As torcidas não estavam separadas como acontece no Brasil e antes do jogo, os habitantes da cidade queriam chegar perto dos jogadores brasileiros para pelo menos relarem seus braços no corpo dos jogadores brasileiros, tamanha admiração pelo campeão mundial. Após o sinalizador que atingiu Kevin Douglas Beltrán Espada, 14 anos, no olho, a hostilidade tomou conta do estádio e os corintianos passaram a ser chamados, em coro, de assassinos.

Quantas pessoas precisarão morrer para que a fiscalização seja mais branda nos estádios de futebol? Também no final do ano passado, entrevistei um empresário do ramo da pirotecnia, Adriano Ribeiro, e ele defendeu a ideia de que nem todos os fogos deveriam ser proibidos em estádios de futebol. “Se estádio de futebol vai te oferecer uma estrutura para determinado tipo de fogos, você tem que saber usar aqueles tipos de fogos visando a segurança. Talvez quem crie as leis, quem aprova as leis, não são entendedores do ramo de pirotecnia. Existe uma variação de fogos e a lei fala que simplesmente você não pode usar, sendo que aqueles menores, sem estampidos, sem uma menor quantidade de gramas de pólvora, você poderia usar. A lei deveria determinar 'a partir desse você pode usar', mas a lei fala que não pode”.

Certamente, o sinalizador marítimo que matou o garoto boliviano não entraria em um estádio bem fiscalizado: a velocidade do disparo ultrapassava 100 km/h. A Conmebol, como de costume, se exime de responsabilidade e a solução mais fácil, se é que haverá punição, será punir o clube. Punir um clube de futebol pelo ato de um torcedor é a maneira mais fácil de dar satisfação à sociedade. Achar o responsável, coibir que fatos como esses ocorram novamente e assumir a responsabilidade parecem demais para a confederação que rege o futebol sul-americano. Para se ter uma ideia, em todas as competições europeias, a Uefa passa a gerir o estádio do mandante pelas horas que antecedem e sucedem o jogo, e o clube deixa de ser o “proprietário” do seu próprio patrimônio para que a competição não corra o risco de ter sua imagem manchada pela incompetência da agremiação, foi o que ouvi de Mauro Cézar Pereira, da ESPN, o mesmo que faz reflexões brilhantes sobre questões como essas abaixo, acerca das torcidas organizadas. Confira o vídeo e reflita, sem clubismo, sobre a questão, que vai muito além de Corinthians, Palmeiras, Bahia, Vitória, Brasil e Bolívia.


A vida vale muito mais que o futebol. Há brasileiros que reclamam da falta de conhecimento dos europeus quando o assunto é o nosso futebol. Mas será que uma competição que vende 90 minutos de uma decisão para uma TV e transmite só 45 é um bom produto? Será que é tão divertido assistir a uma partida em que os policiais precisam proteger os jogadores do time visitante para cobrar um escanteio? Ou só quem consegue enxergar a “mística dessa guerra” são os sul-americanos?

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A Eurocopa que deu e deixou... E a Copa das Confederações que está por vir...

Croatas na Euro 2012 | Foto: Rodrigo Cerqueira/Lance
O principal torneio de seleções da Europa é mágico. Arrisco dizer que a Uefa sabe fazer um espetáculo melhor que a Fifa, pelo menos é a impressão que eu tenho como telespectador. A competição europeia tem uma pegada mais “rock'n'roll”, há pouquíssimos jogos inexpressivos e me mobiliza tanto quando a Copa do Mundo.

Meu destaque da Euro 2012 foi a trilha sonora. Tinha música para tudo: na entrada das equipes perfiladas em campo, Heart of Courage, de Two Steps from Hell, deixava o clima de suspense tão intenso que parecia se tratar de uma batalha épica. Após a execução dos hinos nacionais, era a vez da música Sirius, de Alan Parsons, inflamar as arquibancadas, que deliravam com a contagem regressiva dos alto-falantes do estádio para a bola rolar. A música também é tocada nos jogos do Chicago Bulls. E o que falar do "hino informal" do torneio? Seven Nation Army, de White Stripes, era entoado apenas em vogais, "ô, ô ô ô ô"... Com tanta música boa, o hino oficial da Euro, Endless Summer, de Oceana, ficou ofuscado. E olhe que é consideravelmente mais interessante (na minha opinião) que as músicas que costumam tocar na Copa do Mundo.

Sábado tem sorteio da Copa das Confederações. Que a trilha sonora seja boa e não reflita o patriotismo infantil de alguns brasileiros que sequer conhecem de música brasileira.





sábado, 24 de novembro de 2012

Os melhores do ano na minha avaliação


Agüero fez o gol mais emocionante do ano (na minha opinião) | Foto: AFP
Já que a CBF definiu os melhores do Brasil antes mesmo de sua festa “coxinha”, vou selecionar o que achei de melhor (e pior) no ano de 2012. Não vou fazer uma escalação, mas escolher o gol mais emocionante, a maior vibração de uma torcida, o gol mais bonito, a melhor defesa, o gol perdido e a maior frustração do ano. Em tempo: coxinha é uma gíria que aprendi com Mauro Cezar Pereira, da ESPN, e se refere a algo ou alguém "engomado", "arrumadinho" e "criado pela avó", assim como a festa dos melhores do ano que acontece em dezembro no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, com jogadores vestindo paletó e cartolas distribuindo sorrisos para as câmeras, algo bem diferente da atmosfera vibrante dos estádios de futebol.

Gol mais emocionante: Sérgio Agüero (Manchester City), aos 48 do segundo tempo contra o Queens Park Rangers pela última rodada da Premier League, no dia 14 de maio.

Em um ano de tanta quebra de paradigmas, com o Corinthians vencendo Libertadores, Chelsea faturando Champions League e o Bahia voltando a ser campeão baiano após 11 anos, foi do Manchester City, na minha opinião, o gol e a comemoração por título mais emocionante. Tá, o time tem como dono um sheik que provavelmente nunca chutou uma bola de futebol. Mas sua torcida, apaixonada, sofredora, não é fruto de negociação, e após 44 anos, o “primo pobre” da cidade de Manchester pôde gritar “campeão”. Detalhe: o City precisava vencer e perdia até os 46 do segundo tempo, quando o bósnio DzekoMe empatou. A virada foi surreal, me emocionei. 


Maior vibração de uma torcida: Escoceses em Celtic-2x1-Barcelona, no dia 7 de novembro.

Não valeu título, tampouco classificação para a fase de mata-mata da Champions League, já que o Celtic está na terceira colocação do Grupo G e precisa de combinação de resultados para seguir adiante. Mas a vitória contra o melhor time do mundo transformou Glasgow na cidade mais vibrante do mundo por algumas horas. Isso no aniversário de 125 anos da equipe escocesa.


Gol mais bonito: Ibrahimovic, pela Suécia, contra a Inglaterra, no dia 14 de novembro.

Uma imagem vale mais do que mil palavras. O gol de Ibra foi o melhor do ano pela plasticidade, embora se tratasse de um amistoso em que sua seleção venceu por 4 a 2 na inauguração da Friends Arena, em Estocolmo. E que inauguração...


Melhor defesa: Cássio, do Corinthians, contra o Vasco nas quartas da Libertadores, no dia 23 de maio.

Além da plasticidade, a importância da defesa se dá pela opinião dos próprios torcedores do Corinthians: muitos dirão que foi o lance mais importante para a inédita conquista da Libertadores. O jogo de ida, em São Januário, havia sido um empate sem gols e no momento em que Diego Souza correu sozinho com a bola, o confronto brasileiro estava 0 a 0. Um gol, ali, possibilitaria ao Vasco abrir o placar e poder levar até um gol, faltando 35 minutos para o fim da partida. Mas Cássio foi lá e buscou no canto. No final, Paulinho fez o gol da classificação para o time paulista.


O gol perdido: Deivid, do Flamengo, na derrota para o Vasco por 2 a 1 pela semifinal da Copa Guanabara, 22 de fevereiro

Os ares do Flamengo não eram dos melhores com a saída de Luxemburgo por conta de mau relacionamento com os jogadores. O gol perdido por Deivid reflete o que foi 2012 para o clube com mais torcedores do Brasil: inacreditável, mas negativamente. Ao chegar no Coritiba, o atacante recuperou seu futebol. Mas aquele lance já entrou para a história do futebol. Já o Flamengo, ainda procura entrar no eixo, apesar de ter escapado do rebaixamento.


Maior decepção: Flamengo-3 x 3-Olimpia no Engenhão, pela primeira fase da Libertadores, 15 de março

Clubismos à parte, a eliminação do Flamengo na primeira fase da Libertadores foi decepcionante (e eu não sou flamenguista) e se desenhou quando o time carioca não conseguiu segurar os paraguaios após vencerem por 3 a 0 faltando 15 minutos para o fim do jogo. Se algum torcedor, naquela noite, decidiu sair do Engenhão mais cedo para evitar engarrafamento, já que o jogo estava definido, e não ligou o rádio no caminho para casa (seja no carro ou no ônibus), certamente não acreditou no que aconteceu ao receber a notícia. Apesar de favorito a segunda vaga do Grupo 2, o Olimpia perdeu em casa para o Emelec e terminou como lanterna. O Flamengo venceu o Lanús na última rodada, mas não evitou sua eliminação precoce no dia 12 de abril. Para esquecer.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Não era a hora de mandar Mano para fora

Foto: Julio Cesar Guimarães/ UOL
Se você foi a favor da demissão do treinador Mano Menezes da seleção, reflita sobre o seguinte.

- Como você se sentiria se, em dois anos e meio na sua empresa, você não conseguisse cumprir as principais metas das quais sua contratação se condicionou e, próximo de justamente “entrar nos eixos”, fosse mandado para fora? Some-se a isso os fatos que:

1.    Você não tinha o melhor material para desenvolver um bom trabalho.
2.    A decisão tenha acontecido no semestre em que a empresa mudou de diretoria.

É nesse cenário em que o gaúcho de Passo do Sobrado levou um pé na bunda do presidente da CBF, José Maria Marin, e do vice Marco Polo Del Nero. Essa nem de longe era a pior fase do técnico. Cheguei a imaginar que a partida entre Brasil e Gana no dia 5 de setembro do ano passado, em Londres, seria sua última no comando. Após uma pífia campanha na Copa América e uma derrota em amistoso contra a Alemanha em Stuttgart com falha indivudal de André Santos, cliente de seu empresário Carlos Leite, Mano encontrava dificuldades para vencer a equipe africana, mas achou um gol redentor de Leandro Damião. O que falar do fiasco da Olimpíada então? Com muito sofrimento o “Scratch Canarinho”, que era a base do time que vai à Copa, bateu Honduras nas quartas de final, mas uma derrota para o México na decisão do sonhado ouro era o resultado que condicionaria uma demissão. Não para a direção da CBF, que após a derrota frustrante na final, parece ter esperado um vexame maior. Não aconteceu.

O time passava a ganhar consistência pela primeira vez. Tido como um dos maiores atacantes da atualidade, o colombiano Falcao Garcia foi anulado pelo sistema defensivo de Mano, levou um gol em falha individual de Leandro Castán, improvisado na lateral-esquerda, deixou de virar o placar após Neymar perder um pênalti e saiu de campo com o resultado de 1 a 1 contra uma equipe que, acredito eu, tem condições de surpreender em 2014. Se o resultado não agradou, a organização tática passava a ter uma cara. Que pode desfigurar com a chegada de um novo treinador.

Mano e toda a comissão técnica foram demitidos. Mas o diretor de seleções, Andrés Sanches, ainda continua no cargo e, em entrevista coletiva, disse ter defendido Mano, que treinou o Corinthians no tempo em que ele era presidente do clube.

- Eu achava que não era o momento. Entendo os motivos, os critérios e entendo o desejo de um novo planejamento para o ano que vem. Venho há meses defendendo a continuidade do trabalho, mas entendo e sei respeitar a hierarquia. Respeito, atendo e aceito.

No entanto, porque será que Andrés não levou um pé na bunda?

- O Andrés é um cara que eles não tocam porque é um cara que tem meio-campo com Lula, Dilma, e eles precisam muito disso. Eles não têm nenhuma entrada, e o único que pode amenizar alguma coisa, e nesse momento é sempre importante ter algum meio-campo para que não se intensifique olhar de polícia federal ou um monte dessas coisas, você precisa ter algum meio-campo, alguma entrada com Lula e Dilma e o Andrés é o cara dessa entrada. Então apesar de eles terem de engolir, de não ser do agrado, mas eles acabam engolindo o Andrés muito por causa disso - comentou o jornalista Lúcio de Castro no Bate-Bola primeira edição, da ESPN, algumas horas antes da demissão de Mano, quando o assunto era mera especulação.

Curiosidade 1: Sediada no Rio de Janeiro, a CBF, na verdade seu presidente, decidiu por fazer a reunião na sede da Federação Paulista de Futebol (FPF), da qual Marco Polo Del Nero preside, além de ser vice da CBF. Paulista, José Maria Marin, também na opinião de Lúcio de Castro, dessa vez depois da demissão, estaria por vaidade tentando tirar todas as raízes plantadas por Ricardo Teixeira, ainda que estas, se mantidas, pudessem render frutos. Após se perpetuar por 23 anos no poder, Teixeira, mineiro e muito ligado ao Rio de Janeiro, se envolveu em diversas acusações e, em um perfil extremamente nojento na revista Piauí, revelou estar “cagando” para acusações, algumas delas comprovadas.  

Curiosidade 2: Nova rixa entre paulistas e cariocas? Em 1930, a Confederação Brasileira de Desportos, CBD (atual CBF), assim como hoje, era sediada no Rio de Janeiro, que na época era a capital federal. Em tempos em que a política falava tão alto quanto dentro de campo, a seleção que disputou a primeira Copa do Mundo era composta por cariocas.