quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Expectativas para ABC e Bahia.

03/10/08

Esporte Clube Bahia: mais de 77 anos de história e apenas 17 letras para identificar algo que é mais que uma equipe de futebol. No “b-a-bá” dos esportes, não há tanta criatividade na construção de seu nome (o ‘Esporte Clube’ é usado em nomes de diversas equipes do Brasil), mas a identidade do time em questão envolve fatores abstratos que números e letras não podem decifrar: a paixão dos baianos pela equipe de 3 cores torna-se uma manifestação cultural tão digna quanto o carnaval e as celebrações religiosas.

Numa brincadeira intitulada ‘abc’ (em que as pessoas colocam as mãos com número de dedos expostos aleatório, afim de, na soma dos dedos expostos, se chegar a uma letra escolhida para a rodada- por exemplo, se forem 10 dedos expostos, a letra da rodada é o ‘J’), certamente na rodada da letra ‘B’ o Bahia seria uma das primeiras equipes lembradas. O que nem todos tem lembrado é o quão presente o ABC está presente na vida do Bahia. Não, não se trata do jogo em questão, mas sim da equipe potiguar que enfrentará o tricolor de Salvador hoje, em Natal.

Será o 6º confronto entre as 2 equipes em menos de 2 anos: ambos disputaram a 3ª divisão do ano passado e conseguiram classificação para a 2ª divisão desse ano, inclusive, sendo o ABC a equipe que de alguma forma foi a ‘responsável’ para a qualificação do Bahia para a última fase da série C, quando empatou com o Rio Branco do Acre fora de casa, resultado que desclassificou os acreanos e permitiu aos baianos, com a vitória sobre o Fast Clube do Amazonas (aos 49 minutos do 2º tempo, uma das partidas mais dramáticas da história do clube), chegarem no octagonal da série C.

Na 3ª rodada do octagonal, o Bahia, com 100% de aproveitamento até então, perdeu sua invencibilidade nesta fase para o ABC, mas esta não foi a única má notícia para os tricolores antes da volta para Salvador: o meia Cléber teve um AVC no hotel, e pouco tempo depois, acabara falecendo.

Na 12ª rodada, o ABC perdera de 3 a 0 para o Bahia na Fonte Nova, jogo este que fora marcado o último gol da história do lendário estádio (o autor do gol foi Ávni), e que depois acabara interditado devido ao desabamento de parte da arquibancada durante a partida sem gols contra o Vila Nova de Goiás.

O que esperar do jogo de hoje? Talvez esperamos nos surpreender, pois mesmo ‘surpresa’ significando algo inesperado, o que menos podemos esperar de Bahia e ABC é previsibilidade.

domingo, 5 de outubro de 2008

A 'festa careta' da Democracia

Panfletos nas ruas, carros com sol alto tocando jingles repetitivos, paredes pintadas... Podemos dizer que todo o período pré-eleição parece uma festa badalada, onde todos estão convidados e as diferenças respeitadas.
Porém, ao chegar no Domingo, o dia tão esperado por todos que celebravam nas ruas com as propagandas de seus candidatos, a 'festa' ganhou um ar 'careta': panfletagem estava proibida, assim como todas as outras manifestações que pudessem induzir pessoas a mudarem seus votos (talvez este tenha sobrevivido, tamanha sujeira nas ruas da cidade, mas carros de som foram realmente suspensos, e as paredes coloridas imploravam por 2º turno para verem sua coloração sobreviver até novembro).
Não havia paixão na fisionomia da população: todos votavam burocraticamente, demorando menos de 1 minuto para finalizar a seção (com exceção dos idosos que, mesmo sem a necessidade de votar, mostravam interesse por 'participar da festa' e assim atrasavam os outros eleitores e fazendo as filas aumentarem). A 'festa da democracia' parecia muito mais uma festa careta de família a um show de participação popular com idéias divergentes prontas para entrar em conflito e assim enriquecer a sociedade com debates.
É justo que o TRE imponha normas afim de acalmar os ânimos num momento tão importante, e a intenção é promover os debates até a 6ª feira (o sábado é dedicado ao 'pensamento solitário e conclusões sem auxílios'). Todos precisam pensar sozinhos sobre o que buscam para o futuro de seus municípios, e a 'caretice' se faz necessária em alguns momentos apropriados para manter uma ordem. Amanhã uma nova desordem se re-estabelecerá: o 2º turno vem aí, prometendo novos debates agressivos.
Sem perder a linha, eleitores e candidatos (os dois que disputarão o 2º turno) terão um mês para com jogo de cintura, elaborar novas estratégias, inclusive fazer coisas que nunca fariam no 1º turno, como se aliar com antigos concorrentes, pois como a frase que ilustra bem o jogo que é a política, dita pelo presidente Lula: "eu não faço um inimigo que um dia não possa virar meu amigo".

sábado, 4 de outubro de 2008

Matéria sobre futebol baiano

Pauta: O Bahia joga às 16h contra o Avaí, e o Vitória joga às 18h10 contra o Goiás. Os 2 jogos serão transmitidos no Bar do Jonas, Costa Azul, vamos assistir às partidas analisando o enredo do jogo e entrevistando os torcedores do local e a satisfação destes sobre seus times e sobre o rival.

Matéria:

Vergonha para o futebol baiano
Bahia e Vitória perdem por 3 gols de diferença e vêem suas metas longe

Estava claro a dificuldade que enfrentariam os representantes do nosso estado nas séries A e B do campeonato brasileiro: o Bahia jogaria às 16h em Florianópolis contra o Avaí, lutando pelo acesso à série A, e o Vitória, que luta para entrar na zona da Libertadores, foi a Goiânia enfrentar o Goiás 18h10.
Com os horários dos jogos bem próximos, foi comum ver os bares de Salvador uma combinação nas cores preto, vermelho, azul e branco. Previsível também eram as provocações dos dois lados. –“Será uma delícia ver meu tricolor vencer e assistir o ‘vice-tória’ levar um ‘sapeca-ia-iá’”, afirmou Luciano Lima, 30, freqüentador de um dos bares que comprou o pacote para a transmissão das partidas das duas equipes. –“Hoje eles verão o deles, sairão chorando e nem verão o Leão dar show”, provocou Augusto Santos, garçom do mesmo bar.
Três e meia da tarde todas as mesas já estavam ocupadas, a televisão já estava ligada e os funcionários do bar só poderiam pensar em ficar parado após o apito final do segundo jogo. O Bahia entrou em campo ao som de vaias e aplausos. –“É preciso respeitar o campeão brasileiro”, gritou Bruno Martins, que estava com toda a família uniformizada de Bahia. –“Daqui a pouco vocês vão ver”, retrucou mais uma vez ao levar vaia pelo comentário.
Com a bola em jogo, poderia se notar a dificuldade de Bahia e Avaí em jogar no estádio da Ressacada, num campo encharcado e pesado. O tricolor começou a partida com o goleiro Fabiano, Ávni na lateral-esquerda e Rogério Rios na lateral-direita, a dupla de zaga formada por Alison e Marcone, seguidos de Fausto e Willames como volantes, Danilo Cruz e Caio de meias e no ataque Paulo Roberto e Marcelo Ramos, comandados pelo técnico Roberto Cavalo. Já o Avaí veio com o goleiro Eduardo Martini, uma defesa formada por Arlindo Maracanã, Cássio, Emerson e Zé Rodolpho; O meio-campo composto por Wendel, Cocito, Marquinhos e Válber e o Ataque com Evando e William, comandados por Silas. O árbitro foi Pablo dos Santos Alves, do Rio de Janeiro, auxiliado pelo também carioca João Luiz Coelho de Albuquerque e o paranaense Marcos Rogério da Silva.
A tarde que prometia o mesmo equilíbrio da partida de ida- triunfo tricolor apertado por 2 a 1- aos poucos se desestabilizou em favor do Avaí, num momento em que a equipe catarinense estava com um jogador a menos; Com a expulsão de Ávni do Bahia, o tricolor perdeu parte de seu setor mais participativo na criação de jogadas, a lateral esquerda, e não conseguiu reverter a situação ruim, que lhe deixa na 10ª colocação na tabela.
“Se manter na 1ª divisão agora é o nosso objetivo”, afirmou Luciano Lima, que viu seu otimismo se transformar com o baque da realidade. Ele como a maioria dos torcedores do Bahia deixou o bar após a partida de sua equipe. “Eles nunca irão subir, para sempre ficarão na segundona”- provocou o rubro-negro Carlos Henrique, 22. O céu ia escurecendo e o canal já havia mudado. Imagens do estádio Serra Dourada, em Goiânia, já começavam a ser transmitidas, e a alegria dos torcedores do Leão, nas palavras de Augusto Santos, eram “uma soma entre a derrota do Bahia e a esperança de encostar nos líderes”.
A ousadia do técnico do Vitória, Vágner Mancini, sempre fora clara na escalação, que começava com Viáfara e o esquema usual 3-4-3, com um trio de zaga desta vez formado por Marcelo Batatais, Vanderson e Leonardo Silva, um meio-campo denso com Marcelo Cordeiro de ala-esquerdo, Rafael improvisado na ala-direita, além de Marco Antonio, Williams e Marquinhos, e o ataque com Leandro Domingues e Osmar. Desta vez, os rubro-negros enfrentaram uma equipe com o mesmo esquema tático, e o Goiás de Hélio dos Anjos veio com o goleiro Harlei, a defesa formada por João Paulo, Rafael Marques e Ernando, o meio com Júlio César, Ramalho, Fahel e Vítor e um trio de atacantes com Paulo Baier, Iarley e Anderson Gomes.
Na partida de ida, a equipe baiana venceu com facilidade por 3 a 0, em um momento diferente: o Goiás estava na zona de rebaixamento e o Vitória, beirando a zona da libertadores. O decorrer do certame mostrou o quão diferentes estava o comportamento destes times em relação ao 1º turno: o Goiás, líder do re-turno, além de mais agressivo, se tornara uma equipe mais eficiente, nas finalizações e na quantidade de passes acertados, e assim surgiram oportunidades para devolver o mesmo placar do 1º jogo, “um 3 a 0 com sabor de vingança”, afirmou Eduardo Costa, um dos poucos torcedores do Bahia que continuaram no bar para assistir a partida do rival.
Assim fora o sábado das equipes baianas: começando com otimismo e provocações e terminando em respeito mútuo. “Pelo menos tivemos tempo de perturbar o ‘Jaía’”, afirmou Augusto Santos, que viu o seu Vitória perder pela mesma diferença de gols que o seu rival.

Matéria sobre a primavera

Pauta: Dia 23 começa o equinócio da Primavera. Vamos percorrer por Salvador os mais diferentes setores de prestação de serviços para entrevistar funcionários, além de pessoas comuns fora do ambiente de trabalho, para saber sobre a expectativa para a chegada da nova estação, sobre o que acharam do inverno e o como tudo poderá interferir nas suas vidas.

Matéria:

Tempo para recomeçar
A estação das flores divide a opinião dos baianos sobre o que esperar dela


“Nada vai mudar, na Bahia não há estações”. A afirmação, feita pelo porteiro Augusto Luz, 27, fora feita ano passado, no início da mesma estação. Este mesmo mudou a opinião em 2008. “Nunca vi Salvador fazer tanto frio. Espero mais calor nessa primavera”.
Chuvas, vento forte e temperatura recorde de 17°C foram suficientes para mostrar com dados estatísticos que o inverno já não é o mesmo em Salvador. A primavera tem sido esperada com ansiedade também por setores como os de academia. “Esperamos mais pessoas que busquem a preparação para o verão”, afirmou Cláudio Carneiro, instrutor de uma academia de ginástica na Pituba. “O início da Primavera também é o começo do ‘projeto verão’, e quero estar em forma para as festas do início de 2009, especialmente o carnaval”, afirma Amanda Góis, cliente da mesma academia em que Cláudio trabalha. Em contrapartida, há quem não crie nenhum tipo de expectativa em seu setor, como é o caso de César Magalhães, dono de uma barraca de Açaí no Itaigara. –“Nunca as coisas melhoraram com a passagem de nenhuma estação a não ser o verão”, afirma.
Na vida pessoal dos baianos, as opiniões também se dividem. Arthur Fernandez, freqüentador da orla nas manhãs de sol, garante que se exercitará muito mais daqui pra frente. “Nada como um pouco mais de sol para melhorar nossa qualidade de vida. Durante este outono e inverno, só pude me exercitar na esteira de casa antes de ir ao trabalho”. Já Cleiton de Jesus, malabarista de semáforos, não sabia sobre o início da primavera, e descreveu a mudança de estação como “perda de tempo, coisa que só gente rica se preocupa”.
Além de uma esperança de mudança de clima com a chegada da primavera, se espera uma mudança no formato das atrações artísticas. A temporada de ensaios de bandas para o carnaval vão ganhando out-doors pela cidade, bandas de Axé, que após o carnaval, fazem diversas micaretas por todo o Brasil, voltam a se re-encontrar na cidade que lhe originaram- Jammil, por exemplo, já tem show marcado para dia 28 de Setembro, na 1ª semana de primavera, sendo que esta só havia feito um show em Salvador no intervalo entre hoje e o carnaval- para recomeçarem o ciclo dos preparativos para as festas de verão.
Apesar de temperaturas recordes, vento forte e muitas chuvas, esse inverno certamente irá deixar saudades. “Adoro clima frio, céu cinzento, a água da chuva batendo nas janelas enquanto durmo, espero que o próximo inverno seja tão maravilhoso quanto esse foi”, afirma Denise Moinhos, arquiteta que passa boa parte do tempo em que trabalha em casa, sem se expor as condições climáticas adversas. Seu namorado, Hugo Hernandez, lembra dos momentos característicos do meio do ano. –“O São João é maravilhoso, não vejo muito comidas típicas de festas juninas fora dessa época”.
Entre as mais diversas opiniões acerca do começo da primavera, algo parece ter entrado em consenso: a falta de lembrança que esta é a estação das flores. Para muitos povos, marca o começo do ano, e para nós, baianos, uma discussão sem fim acerca das mudanças ou não que esta estação proporciona para seus habitantes.

Da Ucrânia a Eritréia

O que há de semelhante e diferente entre estas mulheres, que nasceram em lugares tão distantes, mas que desfrutam de dom semelhante que as faz entrar num hall de reconhecimento para poucas?
A arte de escrever bem certamente envolve mais que predisposição genética e estudos teóricos: o mundo nos ensina a viver, e baseado na percepção e sensibilidade que cada um de nós temos de como transcrever momentos inesquecíveis(ou esquecíveis) para a folha de papel faz a diferença entre escritores conhecidos até hoje e meros artistas de gaveta.
Com histórias de vida generosas, que tanto lhe proporcionar ter o que escrever, certamente Clarice Lispector e Marina Colasanti podem ser consideradas privilegiadas, mas não fosse o talento de ambas, de nada adiantaria tamanha vivência sem a transformação de suas realidades em artes expostas. É com o intuito de mostrar a realidade sem a demasiada maquiagem dos romances ou a formalidade jornalística que Clarice, escritora de ambos gêneros, se expõe ao mundo, se desmistificando e se tornando mais humana. Com efeito semelhante, a jornalista Marina saiu um pouco da formalidade da sua profissão para entrar num meio termo entre a literatura e o jornalismo: a crônica.
Mulheres guerreiras, que mostraram suas feridas encarando o mundo assumindo seus anseios. Clarice, nascida na Ucrânia, desde cedo se acostumou as mudanças: com menos de 3 meses, já havia passado pela Romênia e Alemanha até chegar em Recife, Brasil. Marina, nascida na Eritréia -antes território pertencente a Etiópia, ex-colônia italiana, de onde vieram seus pais- morara também na Líbia e Itália, até chegar ao Rio de Janeiro, Brasil. Duas refugiadas: a primeira por ser judia durante a revolução russa de 1917, a segunda, por estar num país fascista em plena segunda guerra mundial. Antes mesmo de aprenderem a andar, já haviam histórias suficientes para transformar estas mulheres em grandes escritoras, em especial, cronistas.

*Texto escrito por mim no blog http://www.falandodelas.blogspot.com/

Crise estado-unidense

Quem diria: a maior potência do mundo vive uma crise provocada pelo seu próprio povo. O 'Tio Sam' acabou confiando demais nos seus gananciosos sobrinhos, que tanto gostam de imediatismos, e preferem pagar mais caro para se ter o que se quer amanhã do que planejar com cuidado, economizando, e concretizar um projeto a longo prazo sem pagar enormes taxas de juros que fazem os banqueiros estado-unidenses pouco se importarem de emprestar, pois 'tinham' a crença que, emprestando dinheiro para conterrâneos, nada de ruim poderia acontecer, pois 'americano sabe lidar com dinheiro'.
O resultado da triste história: o americano não tinha como pagar em dinheiro, e resolveu uma maneira alternativa, oferecendo hipotecas (imóveis quitados em troca da garantia pelo pagamento). Se a proposta de apresentar seu imóvel para o banco fosse válida, menos mal, o problema é que a hipoteca se tornou uma 'furada': os proprietários deste apartamento ofereciam a mesma hipoteca para mais de um banco, e o mesmo apartamento ficava em nome de mais de um banco, ou seja, a farsa do 'jeitinho ianque de se levar a vida' foi água abaixo, especialmente porque, com essa crise, fica muito mais difícil pedir crédito agora, ja que os banqueiros não confiam mais nos americanos como antes.
O problema talvez seja um misto de dose de ingenuidade dos economistas deste país, que não conseguiram prever algo tão claro e previsível, que estouraria a qualquer hora, e falta de consciência do povo americano, que não pensou coletivamente. A alternativa para sair da crise é recorrer ao pacote do governo, de 700 bilhões de dólares (que existe justamente para medidas de emergência, como está sendo agora) para ajudar os bancos a se re-erguerem. Houve votação no congresso para aprovar a liberação deste pacote, e este já pode ser usado na cura da crise, ou seja: gastara-se todo esse dinheiro com algo que poderia ter se evitado, e agora, quando ocorrer algo importante, como uma viajem espacial que poderá desvendar os mistérios da humanidade, não haverá mais toda essa grana para financiar.
Que essa crise tenha um fim, afinal, todos sofremos com ela: os EUA, como maiores consumidores do mundo, precisam comprar para esquentar a economia do mundo, e nós precisamos vender- nem por isso somos bobos a ponto de ajudá-los a tira-los de um buraco que eles mesmo se enfiaram.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Tentando escrever um livro

Bom, um ditado que diz que, para ser tornar um homem de verdade, é preciso plantar uma árvore, fazer um filho e escrever um livro. Bom, me lembro que há uns 5 anos atrás, na fazenda de meu tio, em Pojuca(interior da Bahia), coloquei uma muda debaixo da terra na esperança de completar a 1ª das 3 metas.
Porém, não acompanhei o crescimento dessa planta, apenas 'a coloquei no mundo', logo, num mesmo paralelo, não se pode 'simplesmente ter um filho'(eu acho que não tenho, hehe), e não que biologicamente se perca o efeito de ser pai, mas o 'pai' de verdade é aquele que educa, que orienta e que de alguma forma faz algo mais que 'colocar alguém no mundo'. Logo, chego à conclusão que não tenho nenhuma meta completada. Fiquei pensando: 'qual das 3 devo realizar primeiro?'. Bom, acho que cuidar de uma planta é mais complexo do que eu imaginava, não estou preparado para tamanha responsabilidade, o que dirá cuidar de uma criança. Logo, descobri escrevendo esse texto, que minha meta mais próxima é escrever um livro (e o que virá depois acontecerá naturalmente).
Bom, meu primeiro passo: sobre o que escrever? Não sei se estou pronto para coletar informações a fim de fazer uma pesquisa sobre determinado tema e assim passar para a folha de papel o resultado de toda essa pesquisa. Acho que preciso amadurecer mais para fazer um trabalho deste tipo. E que tal uma autobiografia? Não, ninguém se interessaria sobre a vida de um garoto comum que vai e volta para casa sem as dificuldades de um transporte coletivo (o que geraria excelentes crônicas) e que de alguma forma, não passou por nenhuma grande dificuldade (para os livros sobre histórias pessoais serem interessantes, é preciso ter um toque de drama, melancolia e dificuldade fora do padrão, pois a normalidade não é interessante- a não ser que você seja uma celebridade, mas neste caso, você está fora do padrão de qualquer jeito).
Bom, eu poderia escrever sobre futebol: sou apaixonado pelo futebol e mesmo torcendo pelo Bahia, vejo o meu time de coração como parte dessa paixão, e não como ‘algo maior’ que represente minha identidade(não é a toa que tenho simpatia pela equipe rival, o Vitória). Então, eu poderia escrever sobre minhas sensações ao assistir e jogar uma partida, poderia falar de fatos históricos que vivenciei(mesmo que assistindo a tv), como a perda na copa de 98, que tanto chorei, e o título da Grécia na Eurocopa 2004, que supreendeu o mundo. Mas pensando bem, se eu fosse um cronista esportivo renomado como Juka Kfouri, Paulo Vinícius Coelho e Trajano, certamente as pratileiras se esvaziariam rapidamente, e acho que o que vale não é o conteúdo e a qualidade técnica do livro, e sim a credibilidade de quem o escreve sobre esse assunto no qual é especialista, logo, como escrever sobre algo se não sou especialista em nada?
Bom, tive uma idéia inovadora (aliás, se tratando de 'Planeta Terra', vai saber se alguém não pensou isso antes): vou escrever um livro pequeno(para não ser desgastante) justamente sobre a ansiedade de um jovem de 20 anos que quer cumprir as 3 metas (pois mesmo sabendo que esse ritual não é obrigatório para virar um homem de verdade, é extremamente divertido e simbólico) e que escolheu como a primeira delas escrever um livro. Que tal? Bom, quem sabe esse post não vira o 1º capítulo? O objetivo está traçado, em paralelo com tantos outros que tenho em minha vida, como ser um grande jornalista, fazer uma viajem a Nova Zelândia e praticar vários esportes radicais e ver meus primos (que considero irmãos, talvez por eu ser filho único) crescerem. A vida com apenas uma meta se empobrece, por outro lado, trabalhar sempre em pró de um objetivo, sentindo progressão, é o que te faz segurança para seguir em frente e perceber que um dia chegará lá (ou não, mas pelo menos se tentou).