
Curtindo o Carnaval de Salvador no camarote Expresso 2222 com sua esposa, Bia Anthony, o ex-jogador se recusou a falar com os repórteres que cobriam a festa no local, principalmente se o assunto envolvesse o mundial que acontecerá no país. “Depois a gente conversa sobre isso” foi o “migué” dado por Ronaldo ao Bahia Notícias, que queria saber mais detalhes sobre a ida do também ex-jogador Bebeto ao COL.
Carismático e sagaz, Ronaldo tem consciência de seu prestígio. Arrodeado de tietes até em coletivas de imprensa, quando jornalistas o saúdam de “fenômeno” ou “fera” antes de fazer uma pergunta, o ex-jogador também sabe intimidar. “Ué, ninguém vai me perguntar do tal tráfico de influência? Vocês só falavam disso e agora estão com medo de perguntar?”, disse na coletiva de imprensa em que explicou o cargo do COL, com a consciência de que não são poucos os jornalistas que pegariam uma fila quilométrica para tirar foto com o ídolo após a última pergunta.
Mas o jogo está se invertendo. Teixeira está cada vez mais ameaçado de deixar a presidência da CBF, após mais de duas décadas. O cronista esportivo Gian Oddi, no seu blog na ESPN, questionou o que pode ter levado o Fenômeno a correr o risco de manchar a reputação. “A explicação mais comum, de que Ronaldo fica mais influente com o cargo no COL e, portanto, terá mais condições de alavancar negócios para sua empresa [a agência de marketing esportivo 9ine] não me convence. Primeiro porque não se trataria de procedimento ético e, até que provem o contrário, não vou questionar a ética de Ronaldo.”
Fugas de perguntas “complicadas”, alianças duvidosas e até mudanças de opinião repentinas. Em sabatina da Folha de S. Paulo no dia 15/05/2009, o ex-jogador se referiu a Ricardo Teixeira como “uma pessoa que demonstra ter duplo caráter”. Na última sexta-feira, o ex-jogador disse que “a gente” (povo brasileiro) deve muito a ele por ter trazido a Copa ao país. Ao menos não há denúncias de corrupção com o nome de Ronaldo para que ele “cague” para a repercussão da imprensa.