
Nas coletivas de imprensa, Mano Menezes não se encaixa em nenhum desses perfis. Ele não cita os erros que cometeu durante a partida, como substituições absurdas, tampouco reclama do sistema, até porque ele se acostumou a ser beneficiado pelo mesmo quando treinava o Corinthians. Seu desempenho na Seleção Brasileira conseguiu despertar, em torcedores exaltados, a saudade de Dunga. O discurso de que o ex-técnico da Canarinha acertou em não convocar os talentosíssimos Ganso e Neymar se difundiu nas redes sociais.
Ao longo da carreira, Cuca reclamou mais da arbitragem do que ganhou títulos
Eu não duvido que o temperamental Felipe Melo seja cotado para acender a equipe, que em um ano de renovação teve um retrospecto pífio: em 12 jogos, foram 6 vitórias, 4 empates e 2 derrotas, 16 gols marcados e 6 sofridos, com direito a uma eliminação nas quartas-de-final da Copa América, após quatro cobranças de pênalti desperdiçadas contra o Paraguai.
Mano parece muito tranquilão, com perspectivas de evolução que ofuscam a frustração de não fazer os resultados chegarem logo. Essa excessiva serenidade contamina os seus atletas. Não falta talento ou controle emocional, duas das virtudes que não viajaram na bagagem de Dunga na África do Sul em 2010. Faltam jogadas concluídas sem a paciência de quem busca a batida perfeita.

Todo mundo perde, logo, todos têm um perfil de perdedor. Ao não conseguir seus objetivos, Mano opta pela serenidade inabalável, algo ainda mais irritante do que a pose de coitadinho. Talvez, ele esteja tão tranquilo porque tem muita confiança no trabalho que vem fazendo. Eu não penso nessa hipótese. Todos querem vencer, mas para essa Seleção Brasilera, acredito que falte querer mais, imediatamente.
René Simões costuma exaltar as qualidades das equipes por onde treinou, mesmo sendo limitadas
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